Criatividade tem a ver com dar vida a algo, com criar, com dar a luz, com entregar ao mundo algo que foi processado dentro. Para viver a criatividade nos acostumamos a pensar que precisamos de um tanto de apetrechos externos. E buscamos, quase como uma compulsão, os itens que a papelaria nos oferece. Amamos os post-its, as cadernetas, os lápis e as canetas marca-texto. É mesmo uma diversão. E ajuda em certo nível. Uma música preferida, imagens que nos inspiram… 

Acontece que criatividade é muito mais uma ebulição interna do que externa. E os processos que nos limitam são bem mais profundos e subjetivos do que pode desconfiar nossa vã filosofia. 

Quando crianças, somos todos geniais. Diz Ken Robinson que as crianças de 5 anos têm níveis de 90% de genialidade. Não apenas duas ou três delas. Todas. Quando nos aproximamos dos 10 anos, essa estatística cai enormemente, algo como 60%, não me lembro ao certo os números. E com 15 anos então… uau… quase não nos resta genialidade. 

Para crianças de 5 anos, um lápis não é apenas um lápis. Ele é mil outras coisas que desejar. Para nós, adultos, um lápis é um lápis e por aí ficamos.  Paramos de olhar para o mundo com o pensamento da criação e passamos a olhar com o pensamento da aceitação e “isso é assim e pronto”. 

Todo esse efeito acontece por uma soma de muitos fatores. Há um documentário muito lindo disponível agora no Netflix, O Começo Da Vida. Nele, crianças lindas e fofas demonstram o quanto são fonte de amor, de carinho, de cuidado com o outro, de integração com o todo. E quando falamos em criação, em criatividade, em entrar em fluxo criativo, em ter ideias ótimas e inovadoras, e em colocar em movimento todas as ideias em criação de fato, estamos falando muito mais em integração com o todo do que qualquer outra coisa. 

Aqui está um dos principais pontos da questão: nós estamos separados do todo. Esquecemos que somos UM, nos enxergamos como seres isolados e separados. Esquecemos que entre nós circulam elementos bem mais sutis do que os olhos podem ver. Paramos de perceber as sutilezas que os olhos não podem ver e passamos a olhar para o mundo da matéria que é mesmo o mundo da separação. 

Quando nos esquecemos dessa parte essencial, nos foge a sensação de que somos canais da criação, de que as ideias estão disponíveis para todos nós, basta acessá-las.   Quando nos esquecemos que somos UM com o todo, nos esquecemos que “podemos tudo e um pouco mais”, de que dentro de nós vive um ser único que faz toda a diferença quando está integrado. Esquecemos a vivacidade, a espontaneidade, o desapego do resultado. Esquecemos que o caminho é muito mais importante do que onde vamos chegar. 

Adultos, não queremos perder tempo com futilidade. Não queremos investir em algo que não vai dar resultado, ou permanecer para sempre vivo, ou fazer sucesso, ou ser aceito. Adultos, não queremos investir no que não vai trazer retorno. 

E assim, muito distanciados do centro que verdadeiramente nos move, nos desconectamos da fonte geradora de ideias, de criações infinitas, de ideias das mais ricas às mais geniais. Endurecemos. E ao endurecer, perdemos a luz – não toda, mas grande parte dela. 

Curar o endurecimento e a separação tem a ver com um despertar profundo do amor. Da confiança no outro e em nós mesmos. Do desapego da separação. Da percepção de que há algo muito maior regendo o todo. 

É lindo quando podemos ver qualquer ponto de luz que venha daí. Ganhamos e muito. Ganhamos criatividade. Ganhamos força para agir. Ganhamos confiança para enxergar por onde passa nosso próprio caminho. Ganhamos a sensação de estarmos no lugar certo, na hora certa. Simplesmente por estarmos conectados uns aos outros, simplesmente como nos percebermos como uma nota musical dentro de uma grande canção. 

Paula Quintão

19 de junho de 2016

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Aconteceu ontem, em Belo Horizonte, a oficina Respira, Medita e Cria realizada pela Escola de Rumos e ministrada por mim, Paula Quintão, para um grupo mais que especial, integrado e desperto. Lindo momento de partilha e aprendizado.

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Autor

Paula Quintão segue a desvendar os mundos internos e externos. É escritora & mentora de escritores, transição de vida e negócios digitais. Doutora em Sustentabilidade, montanhista, paraquedista e mergulhadora. Mãe da Clara. Criadora da Escola de Rumos, do Portal Coragem Para Empreender e da Editora Suban a Los Techos, autora do livro Para Sempre Um Novo EU (2012) e O Caminho Que As Estrelas Me Viram Cruzar (2017). Escreve semanalmente dentro das temáticas autoconhecimento, escrita, transformação de vida e empreendedorismo em paulaquintao.com.br

  • http://www.caminhandoembeleza.com Elisa Rodrigues

    Lindo texto, Paula! Adorei…