Se há paz em nós, o mundo corre mais macio.

E se dentro de nós há quietude, o mundo torna-se um só silêncio confortador.

Quando paira dentro de nós um vento de felicidade, o mundo é mais leve e livre.

E se a turbulência está grande no reino dos sentimentos, tudo é mais cinza e irritante pelas ruas afora.

Há dentro de nós uma fábrica de emoções que faz do agora algo bom ou ruim, algo lindo ou feio, algo que nos alegra ou entristece. Há uma fábrica que faz os olhos verem o mundo cada dia de um jeito, ver o mundo como escolhemos ver.

Sorte de quem sabe que é dono da fábrica e não funcionário dela, só assim será possível saber também que não somos o espelho do que há e sim tudo o que há é espelho do que existe dentro de nós.

Autor

Paula Quintão segue a desvendar os mundos internos e externos. É escritora & mentora de escritores, transição de vida e negócios digitais. Doutora em Sustentabilidade, montanhista, paraquedista e mergulhadora. Mãe da Clara. Criadora da Escola de Rumos, do Portal Coragem Para Empreender e da Editora Suban a Los Techos, autora do livro Para Sempre Um Novo EU (2012) e O Caminho Que As Estrelas Me Viram Cruzar (2017). Escreve semanalmente dentro das temáticas autoconhecimento, escrita, transformação de vida e empreendedorismo em paulaquintao.com.br

  • gostei muito, Paula…
    é impressionante como vc escreve coisas que ninguém vê, mas que são reais…
    bjo

    • O mais impressionante é que muita gente vê sim, Magno.

  • Silas

    Tenho uma visão diferente sobre isso. Acho que nossa mente, nossa visão sobre as coisas, é meio voluntária e meio espontânea. Talvez seja só eu, mas as coisas não parecem ter chegado aonde chegaram hoje por decisão minha. A sensação que eu tenho é de que sim, são meus olhos que dão cor à minha vida e é minha forma de viver que me torna tão feliz, mas nem tudo foi escolha minha. Lembro que já há muito tempo, em ambiente de igreja quando me diziam que eu era pobre e necessitado e que sem jesus eu nada era, eu não aceitava. Eu respeitava a religião, respeitava os princípios, mas nunca me senti um desamparado. Eu era o pai que ampara e não o filho abandonado e sofredor implorando por misericórdia.

    Mas porque? Eu escolhi? Ou será de alguma forma isso já era parte de mim? Será que, mesmo de forma rudimentar, a felicidade já estava lá? Há muitas situações em que me sinto bem diferente da maioria das pessoas, mas essa eu acho que é uma das mais distantes. Não importa o quão forte seja o golpe, eu sempre tinha uma voz na minha cabeça dizendo que tudo ia ficar bem. E eu acreditava, porque no fim das contas tudo voltava ao normal. Porque o meu normal é ser feliz. Até mesmo nos momentos de crise, em alguns instantes eu esqueço os problemas e vejo um entardecer lindo ou tenho alguma ideia revolucionária que nunca vou por no papel, mas que me dá aquele prazer de epifania.

    Quando ouço um discurso pessimista, nem sei o que dizer. A vida, segundo dizem, é inerentemente angustiante. E minha classe social, diga-se de passagem, é a oprimida, então muita coisa que eu gostaria de realizar não é possível. Mas estou feliz, algo em mim me mantém sempre feliz. É, pro acaso o amor (os amores!), a criação, o aprendizado? Eu não sei. Mas meus amores me conquistaram, minhas obras aparecerem e eu apenas as assisti extasiado, o conhecimento que tenho foi produzido por outras pessoas. Eu nunca escolhi nada disso, mas cada dia da minha vida é uma benção. Até meu sofrimento eu amo e tomo meu tempo pra sentir, vivendo todas as emoções como sinal de que estou vivo. Então sim, eu acho que o que há é um espelho do que há dentro de nós. Só que, no meu caso, não sou dono de nada. Eu simplesmente recebi a felicidade e nem precisei sofrer muito pra isso. Seja como for, poder pra manter a fábrica nessas condições eu pareço ter, então que assim seja.