Seguia viagem em direção a Paraisópolis para rever minha amiga Carminha.

Preparamos nosso encontro. Eu sairia de Barbacena e viajaria como 5h.

Acordei cedo, separei suco e água, músicas e mala, e lá fui eu. Coração feliz e agradecido. 

E seguia com atenção redobrada na estrada porque numa das últimas vezes que eu e a Carminha nos encontramos em Manaus, há três anos, ela estava por uma temporada morando no meu apartamento e eu abria a porta da minha casa toda suja de terra, roupa rasgada, depois de ter sobrevivido ao meu capotamento pelas estradas da Amazônia.

Meu acidente foi um daqueles momentos mágicos que não há como acreditar que existe algo maior nos acompanhando. Ver meu carro totalmente em destroços e ver como eu e minha filha estávamos perfeitas e bem era estar diante de um milagre.

Sou muito agradecida àquele acidente porque ele me ensinou muito sobre milagres e sobre anjos (e sobre tomar café ao invés de água de coco quando estiver dirigindo por longas horas).

No dia do acidente, assim que eu desci do carro por onde foi possível, olhei para a estrada que estava todo o tempo tão deserta e já havia três carros parados. Dei sinal que estava tudo bem e eles desceram correndo para ajudar.

Tudo o que havia dentro do carro foi parar no campo gramado onde capotei. Eles me ajudaram com cada coisinha, puxaram meu carro para não ficar abandonado na estrada até a entrada de um sítio, colocaram todas as minhas coisas dentro de um outro carro e nos levaram para o município mais próximo para que fôssemos ao hospital, à delegacia para um boletim de ocorrência.

Anjos de luz que fizeram meu momento e da minha filha ser mais leve.

E então, eu me lembrava dessa história enquanto seguia pelas curvas mineiras. Eis que veja o inesperado entra em ação…

Fiz a curva e lá estava no meio da pista um carro acidentado.

O carro virado na valeta central, inclinado e todo amassado. Olhei para o interior e vi que tinha uma moça. Segui e num instante eu sabia que tinha que parar.

Nunca parei para socorrer acidentes.

Sempre achei que eu não conseguiria socorrer. Ou que eu teria medo do que encontraria.

Mas naquele momento eu nem pensei nisso. Eu só pensei em parar. E foi o que fiz.

Parei no acostamento, dei ré o quanto pude para me aproximar, desci do carro e atravessei a pista correndo até o acidente.

Lá estava ela. Chorava e chorava, tentando digitar algo sem sucesso em seu celular chamando ajuda. Bati no vidro para que abrisse. A porta do motorista toda amassada.

“Você está bem? Está sentindo alguma dor? Sentindo suas pernas?”

No meu acidente com minha filha foi exatamente essa pergunta que nos fizemos tantas e tantas vezes… “você está bem, Clara?” “você está bem, mamãe?”

E a moça do acidente, Natália ela se chamava, me disse que sim, que estava tudo bem, só sentia muita dor de cabeça.  “Acabou de acontecer”. Chorando e chorando.

“Fique calma, Natália, vai dar tudo certo. Posso fazer reiki? Vamos chamar por ajuda, vou ligar para o resgate. Fique bem tranquila, você está viva, está tudo bem”.

Eu fazia reiki e peguei meu telefone, vi que estava sem sinal.

Continuei fazendo reiki e instantes depois havia muitos homens por ali para ajudar.

Um tentando ligar para o resgate. Um tentando ver se o carro corria o risco de tombar para a lateral. Um que era médico de UTI e examinou a coluna e a cabeça dela para que pudessem a tirar do carro. Eu ali fazendo reiki, passando a mão na cabeça dela, dizendo que tudo estava bem.

Foi tudo muito lindo. Muitas mãos estendidas.

Em instantes chegou o resgate. Eu e ela nos abraçamos com tanto amor. Ela com tanta gratidão, eu com tanta gratidão.

Quanta beleza havia naquele momento.

A vida e suas emoções não são ciência exata.

Há situações que são consideradas ruins, mas que guardam sensações de felicidade muito grande. Quando me lembro do meu acidente de 2012 eu sinto felicidade e muito agradecimento por termos sobrevivido e minha filha, por ter sido lindamente socorrida, por ter vivido uma sensação extrema com tanta presença.

E ali, naquele momento, novamente numa situação que poderia ser considerada ruim, eu experimentava uma sensível felicidade. Eu saí daquele momento me sentindo muito feliz. Muito feliz por ter parado para socorrer, feliz por ter sido a primeira a chegar e feito reiki por todo aquele intervalo de tempo, feliz por ver a sensibilidade de cada um tentando ajudar, feliz por ter a oportunidade de estar do outro lado, ser aquela que socorre, feliz por ver que a vida gira e que se hoje damos, amanhã recebemos, e se hoje recebemos, amanhã teremos oportunidades de dar. Assim é a coisa.

Paula Quintão

05 de junho de 2016

assine_newsletterb

banner_novoeu

Autor

Paula Quintão é escritora & mentora de escritores, transição de vida e negócios digitais. Criadora da Escola de Rumos, do Portal Coragem Para Empreender e da Editora Suban a Los Techos, autora do livro Para Sempre Um Novo EU. "De passo em passo eu desvendo um mundo dentro e fora de mim".

  • Rico Oliveira

    Que linda história de fraternidade e de anjos na terra, Paula. Às vezes, a VIDA nos dá sinais para que a enxerguemos com outros olhos.

    Que sua VIDA seja sempre plenamente abençoada.

    Grande beijo.

    Rico.

  • http://www.amputadosvencedores.com.br Flávio Peralta

    Olá Paula como vai,após meu acidente trabalho,também mudei meu comportamento,Abraços Palestrante Flávio Peralta.

  • Lara Lobo

    Que lindo Paulinha. Me emocionei. Você é uma ser iluminado. Beijo grande