Em alguma parte do caminho fomos ensinados que enquanto um fala, o outro escuta. E que nossa função era escutar. Lá estava o professor diante de nós, de pé, falando por quantas horas quisesse falar, e nós, alunos, sentados em fila com o direito (e o dever) de permanecermos calados.

Foi a estrutura em que crescemos.

Foi o que aprendemos.

Aprendemos que o nosso lugar era o de aprendizes. Era o de ouvintes. Era o de receptores do conhecimento.

“Aprenda e será avaliado”. Nada além disso.

Não havia um momento para nos sentarmos e criarmos conteúdo, criamos conhecimento. No máximo uma apresentação em grupo que significava: prove ao professor que você sabe mesmo aquele assunto porque ele está avaliando você. Isso não era criar, ainda era obedecer.

É fácil observar nas redes sociais quão poucas vezes nos arriscamos a escrever algo com nossas palavras, ser um pouco mais longo nas palavras. O quanto nos sentimos mais confortáveis “compartilhando” do que criando, curtindo do que comentando.

Não fomos criados para ser criadores.

Não nos achamos no direito. Não nos achamos “tão bons assim”.

E quando nos arriscamos a escrever algo, a produzir algo, a falar algo com as próprias palavras, algo muito sutil ainda treme dentro de nós como se a qualquer momento fosse surgir um professor para dizer que estamos errados e que merecemos uma “nota baixa”.

Fico me observando para entender. Quando visitei a Escola da Ponte, em Portugal, tudo o que eu sentia enquanto aquelas duas crianças me mostravam os detalhes da escola mais genial que pude conhecer é que eu não conseguia fazer perguntas. Como pode ser tão difícil fazer perguntas? Mas foi fácil entender depois a minha dificuldade, era só olhar para a estrutura em que fui “treinada”.

Fazer perguntas em sala era interromper o professor.

Não só na sala de ensino fundamental, com a tia da escola, mas também no doutorado, durante as intermináveis explicações de três horas de duração de alguns professores.

Aí está algo em que acredito: que somos todos criadores.

E que a vida, digo, as estruturas, podem ser usadas para nos estimular a criar, a co-criar, a ter voz, a expressar quem somos, o que pensamos de fato, o que sentimos, o que aprendemos e o que temos a partilhar.

Não porque “temos que”, mas porque “podemos”.

Porque somos únicos, com histórias únicas, com experiências únicas. E somos luz uns na vida dos outros a partir do momento em que conseguimos entregar nossas criações.

Daqui, hoje, trabalho para a criação desses espaços e projetos de partilha, co-criação e “voz” com o nascimento da Escola de Rumos.

Nesse dia 03 de junho celebramos juntos o lançamento. Até, até!

www.escoladerumos.com.br

assine_newsletterb
banner_novoeu
Autor

Paula Quintão segue a desvendar os mundos internos e externos. É escritora & mentora de escritores, transição de vida e negócios digitais. Doutora em Sustentabilidade, montanhista, paraquedista e mergulhadora. Mãe da Clara. Criadora da Escola de Rumos, do Portal Coragem Para Empreender e da Editora Suban a Los Techos, autora do livro Para Sempre Um Novo EU (2012) e O Caminho Que As Estrelas Me Viram Cruzar (2017). Escreve semanalmente dentro das temáticas autoconhecimento, escrita, transformação de vida e empreendedorismo em paulaquintao.com.br