No ônibus até o Rio havia um senhor que se chama Antônio. Está aposentado, mesmo assim tem um trabalho na gráfica da sua cidade e adora. “Nem vejo o dia passar”, falou ele narrando sintoma de felicidade. Consciente da finitude da vida, em sua simplicidade ele completou “eu quero fazer meus dias valerem a pena, porque num piscar já não estamos mais aqui”.

E eu fiquei nos observando.

Temos essa coisa de dizer que somos felizes quando não percebemos o tempo passar, de que aquelas melhores horas da vida passam de forma que nem nos damos conta.

E eu vi o paradoxo do tempo… o tempo que escorre entre os dedos em dias infelizes e mornos. E o tempo sequer ser percebido em dias que vivemos intensamente o que nos traz felicidade, pequenos e valiosos lampejos de brilho nos olhos.

O estado de presença nos faz esquecer do tempo, nos faz esquecer do peso e da pressa das horas, nos faz celebrar o momento e perceber que permanecemos vivos.

E é tão diferente estarmos inconscientes por aí, caminhando sem nos darmos conta de nossa finitude, fazendo as coisas no piloto automático ou seguindo comandos do “tem que fazer”, nos arrastando horas afora.

É tão diferente de quando estamos sentindo o momento, respirando em presença, atentos à finitude da vida e ao valor de fazer cada dia valer a pena por ser único, por ser finito, por ser uma dádiva da vida.

Há um exercício que já faz alguns anos que gosto muito de fazer. É o do leito da morte. Hoje, por estar sensível com a morte recente do meu tio e por todas as reflexões sobre a morte que venho fazendo, sinto de partilhá-lo aqui nesse texto de domingo. Nesse exercício você se imagina, no dia de hoje, em seu leito de morte. Com as pessoas queridas e amadas ao seu redor, com a retrospectiva de tudo o que viveu até aqui viva em sua mente… e então, internamente, em visualização, você se imagina vivendo esse momento e traz à consciência todas as reflexões e luzes que vierem desse exercício.

No fundo, o despertar é para a vida. Na essência, o despertar é para fazer com que a existência seja plena e valha a pena. “Vida, eu te honro”, é o que eu diria hoje à ela.

Paula Quintão

19 de março de 2017

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Uma celebração à vida no último dia do ano astrológico. Um belo novo ano para nós.

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Author

Paula Quintão é escritora & mentora de escritores, transição de vida e negócios digitais. Criadora da Escola de Rumos, do Portal Coragem Para Empreender e da Editora Suban a Los Techos, autora do livro Para Sempre Um Novo EU. "De passo em passo eu desvendo um mundo dentro e fora de mim".