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#1ano365oportunidades

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Nas atividades de trilha e pelas estradas que percorri, aprendi a valorizar imensamente os momentos de “meio do caminho”. Eles são um marco, um alento para nossa alma. “Você está no meio do caminho”… esse é um dito muito poderoso quando estamos em meio a uma jornada.

Sempre que o mês de junho chega é como se houvesse uma bandeira bem diante de mim com os dizeres… “você está no meio do caminho”.  É metade de 2015 que passou. E metade que está por vir. O que faz desse mês um típico momento de balanço.

É tempo de olhar pra trás com olhos de amor e enxergar o que 2015 trouxe até aqui, rever a lista de desejos que criamos na entrada do ano novo, e iluminar o coração para viver o que vem pela frente.

Como eu faço o meu balanço?

Quando temos uma lista de metas estabelecidas para o ano é sempre mais fácil, mas nem sempre estávamos no clima de criar essa lista quando o ano novo chegou.

Hoje fui visitar à Escola da Ponte, em Porto, Portugal.

Conheci as iniciativas da escola por algum documentário no Brasil há alguns anos e desde lá ela sempre surgia diante de mim em alguma citação. A Escola é uma referência em ensino diferenciado, desses em que o conhecimento e o amor são as grandes estrelas do processo – e não o processo em si.

Especialmente depois de todo o processo desgastante e desgostoso que vivi com o sistema educacional nos últimos anos, vendo, a olhos nus, o que faziam com a minha filha – repreendendo, minando sua autoestima, desperdiçando seu potencial, excluindo, e burocratizando todos os processos – sentia no meu coração que deveria conhecer a Escola. O mesmo que senti durante o processo do meu doutorado: isolacionismo, egocentrismo de professores que são capazes de dar uma aula expositiva de 3 horas sem fazer sequer uma pergunta para os alunos e muita burocracia. Por isso, esse é o ano em que tirei a minha filha da escola.

E estando em Portugal, me pareceu uma boa oportunidade fazer a visita e ver a iniciativa de perto.

Ainda em Lisboa escrevi para a Escola para saber se poderia fazer a visita. Menos de 3 horas depois eu já tinha a resposta ao meu e-mail. “Sim, a visitação ocorre todos os dias às 9h ou às 11h. Escolha o dia, escolha o horário e nos avise para sabermos se está tudo bem para sua vinda”. E assim eu fiz. Escolhi segunda, dia 23 de fevereiro, às 11h.

2015 é o ano em que tiro minha filha da escola. Não para sempre, por um ano.

Essa decisão não veio de repente, veio de um processo que dura há anos. Culminou nessa ideia em setembro de 2014.

Vamos ao que houve e ao que vamos fazer nos próximos meses…

Desde que mudei para Manaus, em 2010, a Clara estudou numa escola mais típica da socialização do que do estudo dos livros. E tudo bem sobre isso, acho que há mesmo inteligências múltiplas para desenvolvermos. Socializar me parecia melhor que se debruçar por horas e horas sobre livros naquele momento.

Foram quatro anos nesse ritmo.

Notas razoáveis. Amigos que visitavam nossa casa. Nenhum problema grave diante dos meus olhos.

Mas o ensino fundamental terminou e de alguma forma eu analisei que seria melhor que a Clara fosse para uma escola com mais método, mais disciplina, mais organização de horários e didáticas. Afinal, ensino médio exige mais e o vestibular está batendo à porta – digamos que é uma ditadura da inclusão e eu não gostaria que a minha filha ficasse fora da roda.

Na busca por escolas em Manaus, algumas eu nem visitei. Já sabia de suas famas incrivelmente rigorosas e conteudistas. Passei direto pela porta sem entrar. Até que visitei uma escola que ganhou nossos corações, ou melhor, me seduziu intelectualmente. Tudo tão novo. Tudo tão organizado. Pessoas tão gentis. Apresentação tão bem feita da escola e seus métodos. Tantas respostas na ponta da língua. Pronto! Me convenceram. E daí iniciamos, eu e a Clara, o movimento para a mudança de escola.

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