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Paula Quintão

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Tem uma frase sobre as abelhas que fica rondando há um tempo meus pensamentos. Hoje pude olhar para ela depois de estudar as abelhas.

É assim: “Pela aerodinâmica as abelhas não deveriam conseguir voar. Mas como não sabem disso, voam do mesmo jeito”, da Mary Kay.

Por muitos anos a ciência acreditou ser quase impossível as abelhas conseguirem voar por aí. Não entendiam como asas tão pequenas sustentavam por tanto tempo as abelhas e também outros insetos.

Só que a ciência é que ainda não tinha entendido a aerodinâmica do voo da abelha, achavam que as asas eram estáticas como a do avião. Só que não são, descobriram mais recentemente os ingleses.

Temos essa crença de que o “não saber fez ir mais longe”. E isso revela o quanto nós não entendemos a força que se habita no saber…. ou melhor, sabemos e temos medo. E aí ficamos criando essas frases de efeito e mesmo argumentações que nos estimulam a viver com nossos “pontos cegos”.

Temos essa cultura de achar que o “não saber” é mais valioso que o saber.

Quantas vezes já me vi em círculos de amigos em que muitos defendiam o “pode me trair, só não me deixa ficar sabendo”. Quantas vezes já estive em conversas em que a conclusão era “bom mesmo era o tempo que eu não sabia de nada disso”. Ou a clássica “o que os olhos não vêem o coração não sente”.

As bruxas foram para a fogueira num momento da história porque sabiam demais, acessavam as profundezas, criavam a própria medicina. O saber começou a ser associado com “perigo”. Saber demais era perigoso. Primeiro porque expunha o interior secreto do outro, porque aí não dá pra colocar o lixo debaixo do tapete e esquecê-lo por lá. Segundo porque acessar verdades pode doer num primeiro momento mas depois te libera para uma tomada de decisão mais do adulto. Terceiro porque começou a haver punição para quem sabia demais, como as bruxas serem queimadas nas fogueiras.

Essa ideia de que a vida piora depois de sabermos das coisas é um crença de que manter afastada a sombra e o que existe no inconsciente, de que guardar os segredos ou a sujeira debaixo do tapete, é melhor e nos fortalece mais. Só que isso é uma crença. E isso ao invés de nos fortalecer, nos limita.

Nos limita individualmente e nos limita como sociedade.

Temos mais força quando sabemos, quando conhecemos, quando nos aprofundamos. A força está no saber, – e não esse saber que a distorção sobre a ciência criou, mas um saber que vem da alma, da sensibilidade, do coração. É o não saber é que cria limitações.

A própria ciência, depois falo mais dela pois como cientista doutora que sou posso enxergá-la em essência e sem distorções, se desenvolveu como uma reação ao medo do saber. A ciência é tem sua base nas perguntas, não nas respostas, porque todas as respostas são provisórias até que a próxima pergunta venha e algo mais profundo se revele.

O medo do saber é um medo da profundidade. O medo da profundidade é o medo das camadas mais escondidas da alma, essa que os olhos não vêem mas que o coração sente, porque sim, ele sempre sente!

Porque nas camadas mais profundas as respostas mais translúcidas sobre mim mesma e sobre o outro podem ser vistas. Porque se ficarmos na escuridão total do profundo nosso medo é ficar cegos e perdermos o controle, só que ao invés disso o que a escuridão nos traz é olhos que enxergam mais.

Ao contrário do que acreditamos, mergulhar no inconsciente, nas profundezas e no desconhecido vai nos fortalecer ainda mais, vai nos dar de presente um outro mundo, de realizações, de possibilidades, de criatividade, de conexão ao ilimitado.

Paula Quintão
30 de novembro de 2017

Ontem durante a sessão da Tais ficamos eu e ela em estado de “nossa!” quando identificamos a associação sobre suas finanças e os entraves que nascem de um paradoxo interno sobre criação de abundância.

Eis o contexto da Tais, tão real para tantas de nós (e digo mais mulheres do que homens, outro dia explico o motivo).

Sua reserva financeira, cada dia um pouquinho, esvazia e esvazia. E ela olha com o coração apertado para o estoque de dinheiro a diminuir. Reserva gerada no esforço, num trabalho dos mais desafiadores e desconectados de sua essência.

Ao mesmo tempo, todos os dias, a Tais sai pelo mundo com sua bagagem das mais ricas a entregar suas terapias e seus atendimentos. Plantios do coração.

O custo para criar sua reserva foi alto e dependeu de abrir mão do que acreditava por muitos anos. E a reserva é hoje a chave para sua própria libertação desse trabalho pautado pelo esforço.

Só que há aí um paradoxo: a mesma reserva financeira que tem o papel de liberar para os sonhos, para o fluir, para a missão e o propósito, é a mesma reserva que lembra, em forma de crença, “que dinheiro mesmo só se faz com trabalho duro, desconectado, que nos atropele em tantas medidas”.

Então, a mente enroscada pelo que acredita em contraponto ao que sente, se pergunta em silêncio: “como é possível fazer dinheiro pra valer com um negócio que vem totalmente do coração se há uma prova viva de que reserva das boas mesmo só se faz com um trabalho que atropela?”

Uma só pitada de dúvida já faz do dia a dia um complexo interminável entre o “quero” e “não quero”, “vou” e “não vou”, “acredito” e “não acredito”. Dúvidas nos fazem oscilar.

Quando o paradoxo vem pra superfície da consciência mais que meio caminho foi andado, porque dá pra começar a sentir diferente, olhar diferente, pensar diferente, agir diferente. As dúvidas diminuem.

Ter encontrado esse paradoxo libera.
Encontrar os paradoxos dentro de nós traz alívios. Faz respirar fundo.
E é chave para encontrar os caminhos de saída do labirinto.

Paula Quintão
29 de novembro de 2017

“Lá no banco em que trabalho, minha habilidade de ser harmoniosa não é qualidade, é defeito”, rimos da situação eu e a Amanda em nossa sessão de ontem para também não chorarmos juntas.

Ela me contava sobre a seleção para gerência da área e da pergunta que fizeram para ela sobre como resolvia os conflitos que as equipes viviam ou quando havia algum funcionário com rendimento diferente do esperado. “Eu chamo e converso”.

Eles insistiam, queriam saber o tom da conversa dela na hora de colocar as equipes nos eixos. “Meu tom é harmonioso”.

Foi desclassificada por ser harmoniosa.

Acho que no fundo queriam que ela fosse grosseira, colocasse um pouco de medo nas equipes, talvez soltasse uma ameaça nas entrelinhas, algo assim.

Harmonia era motivo para desclassificação.

Passei anos à frente de equipes, coordenando cursos de graduação e seus professores, passei anos coordenando equipes de produção inteiras, e se tem algo que sei é que a harmonia sempre abre mais portas que o medo.

A abordagem pelo medo move sim montanhas, o medo desencadeia ações, mas montanhas bem menores e bem menos sólidas do que aquelas que conseguimos mover juntos em ambientes de afeto e harmonia.

Bem nos mostra o filme Monstros SA, em toda a simplicidade que até o olhar da criança é capaz de entender. Recarregar pilhas e baterias usando a energia do medo é bem menos eficiente que a recarga pela graça, pelo humor, pelo amor.

No meu mundo, harmonia sempre será qualidade.

Paula Quintão
22 de novembro de 2017

“Palavras nos ajudam a sentir e a encontrar sentidos”, escreveu a Auxiliadora Oliveira, Dôra, em forma de comentário em uma das aulas da Oficina de Redação (e Oração). E eu me emociono com sua percepção, porque de fato é o que acontece quando estamos a processar alguma dor, a digerir algo que não caiu muito bem, a entender o que há por trás dos fatos que a vida nos trouxeram, e nos colocamos a escrever.
 
É o que sinto quando a dor é grande e posso pegar meu lápis, minha folha em branco, e abrir em palavras o meu coração. É também o que sinto quando estou a fazer meus planos ou rascunhar meus sonhos noturnos.
 
Parece que essas linhas que formam as letras são também linhas que conectam pontos e entendimentos que dentro de nós, antes, ainda não estavam conectados.
 
Pela escrita, eu me encontro.
Pela escrita, eu encontro sentidos.
Pela escrita, eu encontro caminhos no meu inconsciente que antes eu não tinha sido capaz de trazer para a luz do consciente.
A escrita organiza e traz para a superfície.
 
Talvez a linha que forma as letras, que forma as palavras, que forma as frases, que se junta de vírgula em vírgula, de ponto em ponto, seja a linha que vamos deixando também a marcar o caminho nos labirintos da mente. Algo como tentaram fazer João e Maria para não se perderem no caminho de volta para casa. Ou algo como a corda que desce conosco ao fundo do mar quando fazemos nossos primeiros mergulhos e precisamos de referência de segurança para baixar e baixar, mais e mais, nas profundidades.
 
Hoje somos eu e meu lápis bem apontado. Hoje somos eu e meu caderno de escritos. Juntos a desvendar.
 
Paula Quintão
19 de novembro de 2017

Sigo em momentos de reflexões, me permito esboçar algumas delas aqui. Antes fiz isso em ambiente seguro do Espírito Selvagem, a comunidade de mulheres com quem caminho junto. E agora me permito fazer de forma pública, com respeito a mim e ou outro que também me habita.

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Estou aqui vivendo descobertas profundas e que me trazem também acesso a dores ancestrais, mas também a alívios de tamanhos ancestrais.

Vamos a uma história… vamos à uma reflexão.
sintam em suas peles, um convite especial às mulheres.

Houve um tempo, não muito distante para nossos sangues e nosso DNA, que as mulheres eram menos desejadas ao nascer, eram menos valiosas que os homens. E em muitas famílias elas mereciam a morte, literalmente.

Não só uma, mas muitas meninas, assim que vieram ao mundo, logo perderam suas vidas simplesmente por serem meninas.

Forte assim. Também natural assim para uma época que perpetuou a ideia de que mulheres são menos nobres que os homens. Caminhamos por lugar e essa força de crença circula por nossas veias e imaginário de mulheres.

“Somos menos” e por isso devemos nos comportar bem, dar conta de tudo, ser boa mãe, ser a responsável pela limpeza da casa, cuidado com os filhos, alimentação. “Somos menos” e precisamos estudar mais e mais horas que os homens, ter as melhores notas, a letra mais bonita. “Somos menos” e precisamos perdoar traições, mentiras e sermos gentis com toda as bombas que explodem em nosso quintal, assumindo autoresponsabilidade por elas e não nos fazendo de vítimas ao escolher não perdoar.

Por nos sentirmos tão “menos”, quase estamos a nos fazer de madres teresas de calcutá, de santas canonizadas, de verdadeiras rainhas da doação e do amor incondicional (ao outro, mas não a nós mesmas).

Acontece que não somos menos. Nem somos mais. Somos mulheres. Somos o que somos. Únicas e perfeitas como somos.

Dentro de mim, todos os dias, meu movimento é agora de perceber o quanto eu priorizei amar os homens, me amando menos. O quando eu me bati pelo caminho por culpa por não ter amado tanto os homens a ponto de perdoar seus erros, deslizes, falhas.

Meu movimento interno é de observar cada uma das decisões do meu dia a dia e observar se é o meu masculino ou o meu feminino que está sendo priorizado naquele instante.

Só desse equilíbrio de amor interno pela nossa porção feminina, só desse equilíbrio de amor externo a nós mesmas e aos homens de nossas vidas, só nesse equilíbrio de amor que se estende a outras mulheres e a outros homens, e nesse equilíbrio de amor ao nosso pai e também à nossa mãe é que vamos fechar a conta.

Sinto que a grande chave está em nos amar mais, de verdade, não só no discurso. E para isso o único caminho é a investigação de onde estamos depositando nosso amor.

Com amor a mim mesma e com amor a você,
Paula Quintão. 13.11.2017