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Paula Quintão

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Quebrei o punho em novembro passado e ao longo desses meses fui brindada com aprendizados profundos sobre como o corpo reage às emoções e os processos internos de cura.

Já há alguns anos que venho estudando sobre formas de cura. Vivi muitos rituais que me aproximam da minha essência e muitos tipos de terapia que não são a medicina convencional e que me trouxeram respostas mais holísticas e integradas. Terapias que às vezes precisam dos remédios da farmácia ou dos médicos caminhando ao seu lado, e às vezes não.

Acontece que há exato um ano, pude começar a viver experiências em meu próprio corpo, curando problemas físicos e entendendo, mais de perto, como os processos emocionais, quando não estão totalmente resolvidos, desaguam em problemas físicos.

De fato o corpo só está tentando ajudar e sempre está buscando a cura, só que nem sempre pelos melhores caminhos, e faz isso vez ou outra de maneira equivocada.

Estou a viver descobertas mais profundas sobre como o corpo manifesta o que as emoções não estão processando muito bem.

Posso dizer que a grande maioria do que ocorre em nosso corpo, se é que não seria 100% dos casos, vem de um plano mais sutil das emoções, sentimentos e crenças enraizadas.

Antes do punho quebrado, vamos a uma história importante. Por mais ou menos 10 anos convivi com uma reação que eu sentia em minha perna todas as vezes que meu emocional estava detonado por causa de algum estresse, se chama eritema nodoso. É uma dessas doenças que a lista de causas é imensa e o que só nos resta, segundo os muitos médicos que me cuidaram nesse período, tratar dos efeitos. Nesse caso, minha única alternativa sempre foi “corticóide”. Que, digamos, em muito me chateava porque o próprio corticóide abria efeitos devastadores em meu corpo.

E pela primeira vez, há um ano, usei a terapia do bodytalk para tratar desses eritemas. Eles que em dez anos nunca haviam cedido se não fosse pelo corticóide, estava a desaparecer diante dos meus olhos com esse novo tipo de tratamento. Fiz uma única sessão de bodytalk, à distância, e assim foi o resultado: meu eritema, pela primeira vez em dez anos, desapareceu sem uso de corticóide.

Mágica? Não, meu leitor. É tratamento de saúde usando métodos mais sutis. Simplesmente algo que nossos olhos não vêm mas toda a química e física do nosso corpo compreendem e respondem.

Há um mundo de descobertas que podemos explorar. Vi nesse um ano muitas doenças e desarranjos em meu corpo ganharem um alinhamento ou pelo menos uma explicação emocional para o que os desencadeia.

Fiz e vivi muitos tipos de processos de cura. Bodytalk, thetahealing, cura prânica, constelação familiar, leitura de aura, reiki, acunpuntura, respiração do renascimento. E meu contínuo processo de autoconhecimento.

Vivi em Manaus por cinco anos. Nada mal para uma mineira acostumada às coisas em seu devido lugar, bem separadas e categorizadas. Preciso admitir que fui à primeira vez em Manaus e me apaixonei pelo caos que meus olhos enxergaram, pelo calor que me fazia quase perder a mim mesma, pelos rios que mais pareciam mar, pelo novo que fazia minha alma vibrar em algum lugar que nunca antes tinha vibrado. Fiz as malas e rumamos, eu e minha filha, ela em seus 11 anos, para a cidade plantada no meio da floresta.

Foram anos de muitos aprendizados, de lá renasci uma nova Paula. A cidade e a Amazônia ao redor me ensinaram lições das mais fortes e valiosas, preencheram minha mochila com preparativos para a vida, para o mundo. A cada passo eu sabia que a vida estava a me fortalecer para os passos seguintes.

Manaus não é uma cidade que nasceu de um bom planejamento. Hoje tem seus 2 milhões de habitantes e ruas estreitas para tantos carros. Há bairros de tantas ruas sem saída, há ocupações em muitos cantos. Espontânea, Manaus.  Há um tom de pessoal nos negócios, nos atendentes, no jeito de se fazer as coisas. Humana, Manaus.

Lembro de nos primeiros dias em visita à cidade achar o máximo entrar em uma loja para comprar bombons de cupuaçu e sair de lá sabendo todos os dramas pessoais da vendedora que acabou de me conhecer. Manaus é esse espontaneidade toda, esse sopro de humanidade na alma, esse caos para a mente cartesiana. E uma das mais preciosas lições que tive, entre tantas, tem a ver com o caos, com a espontaneidade e com as águas, o aprendizado de que mesmo no caos, as coisas fluem.

Fluem porque nossa natureza é mais das águas que qualquer outra coisa. Fluem porque SOMOS água.

Algumas cenas da minha vida são tão nítidas na minha memória que é como se eu tivesse feito um filme delas. Hoje sinto de escrever sobre um momento que passou pelos meus olhos em meu Caminho de Santiago e que faz parte do meu livro O Caminho Que As Estrelas Me Viram Cruzar (2017), em breve em lançamento.

Quero contar de uma lembrança e de como a minha alma foi capaz de fotografar aquele momento, absorver por completo cada pedacinho do que eu vivia.

Eu já estava me aproximando do final da minha peregrinação. Ainda não sabia que no dia seguinte eu estaria em Santiago de Compostela. E sob o sol que apareceu depois da chuva, aquele homem cuidava do seu cavalo,  amaciava seu pelo, brincava em chamegos, passava a escova nos pelos com suavidade e se fundiam um ao outro.

Assim que meus olhos viram aquela cena eu parei. Diminui meus passos até que parei completamente pelo Caminho. Como havia beleza, como havia amor, como havia sensibilidade…

O dia foi longo. Bonito.

Fomos eu e a Clara visitar minha irmã e me encontrar com meu primo para cuidarmos de algo sobre a Itália. Risadas, histórias, aprendizados, trocas.

E quando cheguei em casa, uma sessão de retorno da Operação Destrava me aguardava. Depois um atendimento com a Ivy. Falamos sobre os movimentos, falamos sobre as ações, falamos sobre o fluir encaixado na vida e a vida encaixada no fluxo.

E então, são 22h, e eu leio os últimos emails para depois encerrar meu dia de trabalho.

Só sei que acabei de ler um email da Kizzi… e as palavras de lindeza dessa menina-mulher puderam conectar tudo o que o meu dia trouxe, todos os aprendizados de um dia que nos lembra o fluir, o encontrar, o agir conectado. A Kizzi em suas linhas e energia me lembrou uma cena que há alguns anos a internet me trouxe como um presente.

 

A cena é da menina oriental em total estado de encantamento diante da chuva. Ela vibra, ela se emociona, ela sorri, ela celebra, ela está presente. Você já deve ter visto esse dia. E sim, é como eu me sinto depois de cada uma das horas dessa quinta, cada uma das horas de trabalho e encontros.

Seja cuidando dos cursos da Escola de Rumos, dos escritos para a Editora Suban a Los Techos, das partilhas do Portal Coragem Para Empreender. Seja bridando a presença da minha irmã, do meu primo, da viagem com a minha filha, dos emails lidos, da sessão da Operação Destrava, do atendimento da Ivy, da mensagem da Kizzi.

Lindo e encantador me lembrar dessa energia de encantamento ao final desse bonito dia.

Dedico ao grupo Ponto de Partida e a João Melo

Era ele e o palco. Ele e a iluminação dos abajures salpicando luzes. Ele e o Pitágoras no piano. Ele e o Lucas no sax. Ele e o Pablo no violão. Ele e o microfone. Ele e a sua voz que ganhava vida dentro de cada um que o ouvia.

Para começar, nos anunciaram “desliguem o celular, assim vão relaxar mais”. E assim foi.

Iniciávamos, ainda sem saber, uma expedição pela alma e suas emoções.

João Melo com o sorriso delicado que lhe habita o rosto, nos levava canção a canção, a caminhar em memórias e emoções que vivem em nós.