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Viagens de Transformação

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Dia dessas uma leitora me escreveu no email, era um comentário ao meu texto sobre os solavancos que a vida traz. Contava dos seus relacionamentos amorosos que chamou de verdadeiras “canoas furadas”. Gostei da expressão que ela escolheu… “canoas furadas”! Esses relacionamentos que parecem promissores à princípio e depois afundam bonito, e dependendo afundamos juntos, damos aquela afogada mesmo em águas rasas.

Trocamos lá nossos olhares e nossas histórias curadas. E na hora em que eu respondia ao email, enquanto ainda rascunhava sobre os meus aprendizados, eu me lembrei da vez que eu mesma estive, literalmente, numa canoa furada.

E só de começar a rememorar o episódio, cai em risadas sozinha. Eu pude rir alto, essas graças que não cabem em silêncio dentro de nós. Era feliz a lembrança, era divertida a história, e agora, depois de 7 anos daquela vivência, quantas nuances a mais eu enxergo.

Eu estava em São Gabriel da Cachoeira, uma viagem que era à trabalho e que era também de exploração constante pra mim.

São Gabriel é um encanto de lugar, fica ao extremo noroeste do Brasil, lá no topo do Amazonas. São Gabriel tem uma paisagem sem igual, nunca estive em terras de beleza e de energia tão linda quanto as que encontrei lá. Eu me sintonizei profundamente, entrei numa frequência muito especial. E aqueles dias de viagem foram um presente pra mim, tudo me encantava. Muitas histórias e muitos aprendizados em uma cidade em que quase toda a sua população é de indígenas.

Aconteceu que no último dia estava marcado um passeio antes de pegarmos nosso voo de volta para Manaus.

O grupo de professores que estava comigo contratou a tal da lancha para navegarmos pelo Rio Negro – uma lancha que definitivamente destoava da paisagem local, que é toda simples, toda artesanal, toda de madeira talhada pelas próprias mãos. E lá estava a lancha… imensa e imponente. Pois bem, vamos de lancha.

Fizemos uns bons passeios. Visitamos algumas comunidades indígenas. Escrevi e escrevi, me encantei e encantei.

Eis que retornando para a cidade, descendo o rio de volta, o combustível da lancha acaba.

Durante o tempo que morei em Manaus um dos projetos vivos era meu blog de escritos Manaus pra Mim e numa altura da coisa criei também uma revista digital que era uma outra forma de produzir conteúdo. Era bem linda a Manaus Pra Mim Em Revista e um dos movimentos que fizemos na época foi uma visita ao município de Anamã, no interior do Amazonas.

Para chegar até lá fomos de barco naquele estilo balança mas não cai que o rio agitado proporciona. Chegamos à bela Anamã e a cidade em poucos minutos ganhou meu coração. Tantas casas coloridas criavam uma atmosfera de um conto de fadas tipicamente amazônico.
E uma das programações que tínhamos era visitar uma comunidade indígena nas redondezas da cidade. Lá vamos nós, dessa vez de voadeira, e avançamos até chegar na comunidade.
Chegar à comunidades indígenas, todas as vezes que pude vivenciar essa experiência, me traz uma sensação de olhos arregalados de curiosidade e ao mesmo tempo um silêncio e um caminhar de respeito.
E enquanto éramos recebidos e nos explicavam como a comunidade se organizava, o que plantavam, como era viver ali, pelo caminho estava um grupo de crianças super entretidas com uma brincadeira.
À medida que fui me aproximando, percebia minuto a minuto o que era a brincadeira.

Lá chegamos eu e Clara em Barcelona. Pousamos depois de uma viagem de mais ou menos 15horas. Um tanto cansadas, mas felizes. Eu, Clara, as mochilas e meu papel impresso com o endereço do hotel reservado. No caso, fiz questão de imprimir para a coisa toda ficar bem organizada quando eu chegasse na Espanha e quando tivesse que usar meu “espanholito” no táxi.

O taxista logo olhou o endereço e me disse algo que entendi como “essa sua reserva não é em Barcelona”. Disse de uma forma pausada e calma para não me causar pânico.

“Hum. Não é em Barcelona?!” Levei um tempo para processar. “Tenho aqui outro papel, devo ter te entregado a reserva errada”.

E ele explicou que o papel era aquele mesmo. “Sua reserva é em Sabadell, uma cidade vizinha que tem cerca de 300 mil habitantes e fica a mais ou menos 30 minutos daqui”.

Olhar as sementes sempre me encantou. Fico olhando a mágica que está guardada ali dentro e me encanto. Basta um pouco de terra fértil e água, e “voilá!”, a magia se faz.

“Não há fruto sem semente”, era o que Amélia Clark dizia em sua palestra sobre dinheiro e espiritualidade, sobre não haver dúvida de que seremos providos, sobre o universo e sua abundância há alguns dias no Rio de Janeiro.

E estamos em tempo de natal. E o natal é tempo da magia. A magia da partilha, da mesa posta pelo que a terra nos trouxe, do abraço de afeto, do nascimento. O nascimento é o grande centro do natal. O nascimento de Jesus que é um dos maiores representantes da vivência do amor nesse mundo. E  o nascimento nada mais é do que o germinar da semente graças a um processo de muito amor e acolhida – seja da terra, seja do útero, seja do coração. É o despertar. É o florescer. É o vir à vida. O nascimento está a acontecer ao nosso redor a todo o tempo. É uma mágica. Basta ter olhos para ver.

Cada um de nós, a sua maneira, está no natal a celebrar “nascimentos”.

Para hoje, me permito trazer como texto de domingo escritos que publiquei há alguns meses no correio para meus leitores e no meu facebook. É um texto pelo qual tenho muito carinho. Naquele momento eu estava seguindo rumo a Santiago de Compostela, a caminhar meus 800km em 36 dias. Foi uma longa jornada e por lá eu descobri que o Caminho de Santiago nada mais é do que uma grande metáfora da vida real: nós com nossas metas (nossos muitos Santiagos), nossos passos dados, nossa intuição, nossa vontade de seguir em frente quando o destino ainda está iluminado.

O que nos faz continuar seguindo rumo a nossos sonhos?

Aprendi muito sobre persistência. Aprendi principalmente que persistir não tem a ver com ir em frente custe o que custar, mas sim ir em frente rumo ao que está iluminado para nós. E que quando essa luz se apaga, por que ficamos insistindo em seguir naquele rumo?! Mudar de rumos não tem a ver com desistir, a vida me ensinou e graças a isso tirou quilos e quilos de peso das minhas costas.

Vamos ao meu texto de 07 de outubro desse 2015.