Em 2011 percorri em 11horas de viagem o trecho que me levava de Manaus a Boa Vista. Éramos eu e a Clara, ela, como uma boa adolescente, no limite da falta de paciência com a mãe. Na época a estrada estava tão ruim que não havia mão nem contramão, os buracos tomavam conta da pista e os caminhoneiros faziam greve.

Foi uma viagem épica.

Borracha, o assistente do guia do Monte Roraima, a mais engraçada e querida de todas as criaturas, me recebeu quando finalmente cheguei e rimos muito quando eu contava sobre a estrada em caos em que eu podia parar no meio da pista para tirar quantas fotos eu quisesse.

“Você é muito corajosa, Paula”.

Eu não me achava corajosa. Coragem parecia um desses adjetivos que damos aos heróis depois de conquistarem seus grandes feitos.


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Foram necessárias muitas batalhas da vida real para eu entender o que significa coragem. Foram necessárias também muitas vitórias interiores para conseguir dar nome à força que me movia para fazer o que eu tanto queria.

Coragem.

No final de 2011, depois de tanto as palavras do Borracha repercutirem na minha mente e de todas as experiências fortes daquele ano… minha primeira separação, minha primeira expedição ao topo do Monte Roraima, minha viagem épica pelas estradas amazônicas com minha filha, minha vida com a Clara em Manaus uma cidade que éramos só nós duas, meu apartamento assaltado, meu primeiro livro sendo escrito e as tantas mudanças de um só ano…. eu finalmente consegui compreender o que era CORAGEM.

Eu finalmente entendi que a coragem é a força que vem do coração. Essa força que nos diz “vai” mesmo quando falta lógica, mesmo quando todos dizem “não”, mesmo quando você só vê portas fechadas, mesmo quando as estatísticas dizem o contrário.

Todos nós já tivemos um desses momentos. Todos nós já vivemos episódios de coragem.

Também muita coragem foi preciso quando eu percebi que minha vida profissional não estava me fazendo feliz. A ponto de concluir o doutorado, “tantos e tantos anos me serviam para que?”, eu pensava, já que feliz eu não estava. Nos intervalos da hora do almoço tudo o que eu queria era que minhas horas durassem eternamente. Eu deitava na minha cama, não para dormir, mas para tentar desaparecer por alguns instantes e me questionava o que estava fazendo comigo mesma. Quando tive minha primeira ideia de sair do meu trabalho, onde eu trabalhava com educação e coordenava uma equipe, para ser feirante em Manaus, meu pai me disse pelo telefone “Essa linha do Equador só pode estar fazendo mal para sua cabeça?”. Rimos bastante. Mas por alguns meses fomos eu e meu forno industrial que ocupava toda a cozinha minúscula do apartamento… eu e o símbolo de que se fosse preciso contrariar toda a lógica racional para ser feliz, eu contrariaria.

Na feira mesmo eu só fiquei um final de semana. Não era ainda aquele caminho que me faria sentir feliz profissionalmente – até porque os meus bolos e biscoitos nunca foram sucesso nem entre minha família. Foi necessário um ano inteiro perguntando ao meu coração “o que fazer?” para encontrar as primeiras respostas, as respostas que me levaram à escrita, que me levaram novamente às salas de aula, que me levaram a criar meus cursos, que me levaram a fundar minha empresa Equipar para Vencer e que me levam agora a entregar meus escritos para o mundo.

Foi uma guinada, uma guinada que só aconteceu pela força que saía do meu coração.

Coragem é você atender ao pedido que vem do íntimo de sua alma, do seu coração, que te chama a percorrer um caminho iluminado para você. Coragem é seguir essa luz que se acende diante dos olhos do coração. E atender o pedido do coração exige de nós força, exige clareza, exige autoconhecimento, exige conexão… pois somos levados a ignorar esse pedido, usando a lógica racional e os padrões sociais como os únicos guias para as tomadas de decisão. Quando eu adiciono o coração na equação, estou livre e viverei grandes atos de coragem e bravura. Quando eu adiciono o coração na equação, eu posso dizer que estou agindo com coragem.

Escrevi, ao final de 2011, aquele ano tão marcante em minha vida, um dos textos que até hoje tenho tanto carinho por ele – bem no dia do natal, percebi agora. Um texto que foi parte do meu livro “Para sempre um novo EU”. Nele eu dizia…

 

Coragem é característica que se renova de ato em ato, de fato em fato, a cada novo desafio, nos obrigando a assumi-la ou não sempre que uma situação nos exige um pouco mais de esforço.

Coragem vem do latim e tem a ver com ações do coração. Coragem quer dizer um agir pelo coração (não é lindo isso?), quer dizer encarar os medos, enfrentar as dificuldades, investir na auto-confiança, trabalhar as incertezas, afastar o perigo.

Às vezes queremos tanto algo… às vezes desejamos imensamente que nossa vida seja outra… às vezes esperamos ansiosamente por um recomeço… às vezes sabemos perfeitamente que se dermos um passo a frente, tudo pode ser melhor, mas falta coragem.

Nós, cheio de amarras, criamos mil empecilhos para ouvir nosso coração e agir tornando real o que ele nos pede.  Temos o olhar intimidador dos outros, temos o medo de errar, temos o receio de sermos julgados, temos muitas dúvidas sobre o futuro, temos muita dificuldade de acreditarmos em nós quando todos dizem “não vai dar certo”, temos insegurança de abrir mão do que já conquistamos. Queremos tanto e não conseguimos fazer. E aí, exatamente nesse ponto, é que entra em cena nossa CORAGEM. (Paula Quintão, 25 de dezembro de 2011)

O texto na íntegra está aqui. 

coragem para empreender

 

Essa semana, de 14 a 18 de dezembro de 2015, aproveitando a energia do final do ano, em que vemos o ano se despedindo e um novo ano, com 365 novas oportunidades nascendo, vamos viver o evento Coragem para Empreender. Mais de 30 empreendedores – não só de seus negócios, mas de suas vidas – contam a história que os trouxe até aqui. Superação, inspiração e coragem.

Porque empreendedorismo não tem a ver só com negócios. Tem a ver com a vida. Todos nós empreendemos todo tempo quando estabelecemos uma meta que nos faz sair de um ponto A  e ir em direção a um ponto B. Empreender é como atravessar uma ponte. E a vida, bela que é, está sempre nos trazendo pontes e pontes para serem criadas e atravessadas.

Você pode participar acompanhando a programação pelo site do evento e também partilhando suas histórias e comentários em nosso grupo exclusivo do facebook. Eu aprovarei pessoalmente a entrada de cada um dos membros do grupo, para que sejamos todo uma unidade que vibra na mesma sintonia: fortalecer nosso coração para que ele siga, confiante e iluminado, rumo aos seus sonhos. Aqui você pode ingressar na Comunidade de Partilhas e Comentários

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Paula Quintão

13 de dezembro de 2015

 

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Author

Paula Quintão é escritora & mentora de escritores, transição de vida e negócios digitais. Criadora da Escola de Rumos, do Portal Coragem Para Empreender e da Editora Suban a Los Techos, autora do livro Para Sempre Um Novo EU. "De passo em passo eu desvendo um mundo dentro e fora de mim".