Estar grávida aos 14 anos cria algumas devastações na alma. Não pelo fato de estar grávida em si, mas pelas reações que o estar grávida manifesta no mundo ao seu redor. 

As devastações na alma nos fazem querer morrer, é bem verdade.

Enquanto eu vivia algumas dessas devastações no colégio, nos olhares quando saía na rua, nos comentários de algumas tias e na minha mente crítica e exigente, estavam meu pai, minha mãe e minha irmã criando uma fortaleza ao meu lado. 

Tudo o que eles queriam era que eu me sentisse bem, feliz, aceitasse meu momento e “bola pra frente”, diziam. 

Eu refazia meus planos de vida entre fraldas e o berço que agora ocupava meu quarto e, nessa mesma época, meu pai se lançava numa maratona de palestras nas escolas de ensino médio sobre ir em busca do sonho. E ele tinha centenas de cartazes ilustrados com um relógio e com a pergunta “Qual é o seu sonho?”

Sem que se desse conta, meu pai, ao espalhar aquela pergunta pelo mundo, criava dentro de mim, sua filha, a necessidade de responder aquela interrogação. 

Se era permitido sonhar mesmo quando meu mundo desabava, nada mais me impediria de sonhar na vida. 

Nada poderia ser mais profundo do que, num momento de tantas devastações, olhar para dentro e buscar o sonho que habitava minha alma. E eu encontrei sonhos. E ao encontrar sonhos, eu encontrei vida. 

E como a vida é curiosa.

Essa semana estou em movimento de divulgação do meu novo curso da Escola de Rumos sobre os sonhos, A Oficina do Sonhar, o “Onde Moram Os Sonhos?”, e sem que eu planejasse, o lançamento desse curso caiu exatamente em época de dia dos pais. 

Sou pura emoção com essas construções cheias de sentido da vida. 

Nessa manhã de domingo, ao buscar na minha lembrança memórias para escrever meu texto, tudo o que eu via era meu pai mundo afora a repetir essa pergunta “Qual é o seu sonho?” bem numa época em que eu estava grávida. Cheia de admiração e gratidão por ele, por esse momento da minha história, é com os olhos cheios de lágrimas e o coração cheio de amor, que termino de escrever esse texto de domingo. Em instantes estarei na casa dos meus pais para um almoço de carinho, de afeto, de abraços. Alegria que é. 

Paula Quintão

14 de agosto de 2016

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Autor

Paula Quintão segue a desvendar os mundos internos e externos. É escritora & mentora de escritores, transição de vida e negócios digitais. Doutora em Sustentabilidade, montanhista, paraquedista e mergulhadora. Mãe da Clara. Criadora da Escola de Rumos, do Portal Coragem Para Empreender e da Editora Suban a Los Techos, autora do livro Para Sempre Um Novo EU (2012) e O Caminho Que As Estrelas Me Viram Cruzar (2017). Escreve semanalmente dentro das temáticas autoconhecimento, escrita, transformação de vida e empreendedorismo em paulaquintao.com.br

  • Rafaela S.

    Paula!!! 👏🏻👏🏻👏🏻

    Lindos – a homenagem e o texto – de reconhecimento pela participação tão fundamental do seu pai na sua estruturação de vida!

    Essa é a tônica do dia: que possamos expressar gratidão por tudo aquilo que é.

    Luz e fluidez sempre em suas trilhas!

  • César Romano Quintão

    Paula, minha filha, os sonhos fazem parte de nossa existência e a minha condição de pai não poderia nunca acabar com o seu sonho por qualquer motivo que fosse. Nesse momento tão especial de sua vida e da nossa deveríamos dar condições a você para responder a questão agregada a QUAL É O SEU SONHO? e O QUE ESTÁ FAZENDO PARA REALIZA-LO? Pelas suas realizações parece-me que você respondeu muito bem às duas questões. Obrigada pelo carinho e um beijo no seu coração. Te amo.