Nos meus grupos de mentoria e nos meus cursos de autoconhecimento há uma questão que vem e vai, de um jeito ou de outro ela está presente. E está sempre pairando no ar porque é como um chip implantado em nosso sistema, algo que mexe profundamente com nossa força de criação, realização e manifestação: a cultura da comparação.

Viemos dessa base e ainda hoje estamos em uma sociedade que se fundamenta em princípios de hierarquização, onde um é colocado acima ou abaixo do outro por algum critério e por isso mesmo podem ser comparados entre si. A hierarquia favorece a lei da comparação. Porque se existe uma pirâmide de hierarquias, seja numa escola, seja numa empresa, seja numa instituição religiosa, seja em uma família, necessariamente uma comparação existe, nem que seja para no mínimo dizer quem está acima de quem. E se há um acima, há um abaixo.

Fomos criados nessa base de princípios e aprendemos assim.

Hoje, seres e mundo em transição, a pirâmide cedeu lugar à rede, uma rede que nos conecta na horizontal e não mais na vertical, uma estrutura em rede que agora se torna campo social.

E dessa forma, de alguma maneira, como indivíduos que somos, encontramos um modelo mais próprio para nos desenvolver, uma lógica que favoreça em maior medida a nossa essência, a vivência do nosso propósito, a realização da nossa missão de vida.

Dentro da pirâmide ficamos limitados ao lugar que ocupamos, há pouca circulação entre as camadas. Na rede, a circulação é mais fluída porque não circulamos em camadas, mas em pontos de nós.

Um dos efeitos colaterais da estrutura piramidal é a cultura da comparação, entre tantos outros como o medo, o julgamento, a imobilidade, a sensação de escassez. Na pirâmide, para que exista o que está acima, precisa haver o que está embaixo. Para que o 10 tenha seu valor, o zero precisa também ter seu não-valor. E assim, entre o que vale e o que não vale, entre o que é superior e o que é inferior, vamos encontrando nosso lugar na pirâmide, nos habituando às comparações (e aos medos, e aos julgamentos, e a todos os seus efeitos colaterais) e nos esquecendo de quem somos e para que viemos.

A rede, enfim, essa teia horizontal que conecta pontos de nós, ou pontos de luz, como costumo chamar, nos relembra que temos todos nosso lugar de valor, que somos parte de um todo, que todos temos nossa luz e somos valiosos do nosso modo, com nossas entregas, com o que temos hoje. 

Um dia nos alongamos mais a falar sobre as redes, esse que foi meu tema de mestrado, de doutorado e que agora é meu modo de administrar meu negócio e meu modo de vida.

Sobre viver em rede e mais livre da comparação que as trilhas me ensinaram quando me faltava fôlego e quando eu percebia que havia muito a subir, quando a montanha era alta demais, inatingível demais, ou quando meu fôlego me faltava pela altitude elevada… aprendi que ao olhar para o meu pé, cuidar de colocar minha atenção no local onde estou, meu cansaço se esvai.

Diferente se olho o outro no horizonte, muito distante, e me comparo ao quanto ele caminhou. Diferente se olho o quão alta é a montanha e comparo o quanto falta a percorrer.

A comparação pode nos impulsionar para a competição com o outro (ou com nós mesmos, que parece saudável e não é tanto assim, mas um dia podemos também nos alongar aí também), ou a comparação pode nos esvaziar.

É nesse ponto que descobri a força que havia em mim ao olhar para meus pés, cuidar dos meus passos, estar presente no agora tendo o fim da trilha ou o topo como referência, mas vivenciando o agora. O agora, é da rede. O olho nos pés, é da rede. A valorização do que sou e tenho para esse instante, é da rede. E tudo o que vem da rede nos fortalece. Porque nos enxerga únicos e em constante conexão com o outro, não em concorrência com o outro. Nem acima nem abaixo, a rede nos enxerga lado a lado. Cada um com seu brilho, cada um com seus pontos de conexão, cada qual em sua medida, e todos igualmente valiosos.

Ao olhar meu lugar, me fortaleço. Ao me ver em rede, fortaleço o que sou e me fortaleço no outro. E assim ao invés de me esvaziar em comparação, eu sou mais pela conexão.

Paula Quintão

05 de fevereiro de 2017

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Author

Paula Quintão é escritora & mentora de escritores, transição de vida e negócios digitais. Criadora da Escola de Rumos, do Portal Coragem Para Empreender e da Editora Suban a Los Techos, autora do livro Para Sempre Um Novo EU. "De passo em passo eu desvendo um mundo dentro e fora de mim".

  • Rico Oliveira

    Realmente, querida Paula Quintão, a conexão formada por esta imensa rede de luz e energias positivas somam um pontinho de luz de cada um, transformando numa enorme teia do BEM!

    Grato por me conectar com os diversos pontos de luz que vc atrai.

    Grande abraço.

    • http://www.paulaquintao.com.br/ Paula Quintão

      Exato, Rico, assim nos vemos como parte de uma teia, de uma grande rede de luz.

  • Nathalia O

    Que texto maravilhoso, Paula!
    Era o que eu precisava neste momento!
    Muito obrigada <3

    • http://www.paulaquintao.com.br/ Paula Quintão

      Assim vamos aliviando a sensação de que precisamos competir com os outros. Luz em nossos caminhos.