Vim ao ano novo para Atacama. A terra me chamava, e eu atendi. Mesmo com esse gesso que calienta a alma.

Vim em cura. Curar a alma, curar o corpo, me conectar com meus sonhos e “recolher os ossos”, essa parte mais profunda, essencial e imortal que nos habita. O deserto é o lugar perfeito pra isso, que nos lembra o que há nas entranhas.

E foi mágico retornar.

Há mais ou menos três anos, quando vim ao Atacama pela primeira vez, da janela do avião eu olhava aquela vastidão de areia e pensava “o que eu estou fazendo aqui”, e o deserto me surpreendeu assim que eu sai da aeronave. Mesmo sob um sol de lascar, o vento forte me fazia sentir frio. Naquele instante, eu escolhi me abrir ao deserto. E foi uma das viagens mais surpreendentes da minha vida.

Algo em mim pedia para voltar. Algo maior, algo ligado a uma parte de mim que confia nos caminhos do coração e da espiritualidade. E com a mochila, o gesso e a alma em festa, eu vim.

Pousei antes que 2016 se despedisse, em 30 de dezembro. E o primeiro movimento que fiz foi revisitar no povoado de San Pedro tudo o que eu sentia saudade da última visita e tocava meu coração.

O hotel, o restaurante que tem o melhor risoto do mundo, a igreja do centro. E tudo é diferente. O hotel é agora é mais uma livraria e joalheria, o restaurante do risoto mudou de endereço, a igreja foi pintada de outra cor. E tudo é igualmente belo, mágico e surpreendente. O hotel com a livraria é lindo, a igreja pura ternura, o risoto uma delícia. E perceber que mesmo diferente, a beleza e a alegria está ali, enche o coração de vida e traz lições tão ricas sobre os ciclos, sobre as mudanças, sobre o fluir, sobre o caráter da vida.

O mundo muda. A natureza muda. Nós mudamos. Muda porque muda. Muda porque a mudança é um aspecto da vida, e se não muda é porque está morto. Muda sem controle, porque controle é uma ilusão.

E assim a vida se transforma, e se transforma de um jeito que não foi o que combinamos, não foi o que pedimos, não era o que esperamos. E mesmo assim… uau… como há belezas inesperadas que se dependessem unicamente da nossa mente criadora escolhendo, a vida não seria tão rica e surpreendente como é.

A grande beleza e lição, sinto nesse 01 de janeiro de 2017, é perceber que o que mudou está igualmente lindo. Que se nos liberamos dos apegos às expectativas que criamos, se nos liberarmos do que se congelou nas criações da mente, estamos abertos e despertos para perceber que a vida, surpreendente que é, nos preenche com lindezas, com belezas, com riquezas e com delícias a todo momento.

Com o coração aberto e aquecido, adentro 2017. Bem-vindo, novo ano, eu te acolho, eu te honro.

Paula Quintão

01 de janeiro de 2017

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Autor

Paula Quintão é escritora & mentora de escritores, transição de vida e negócios digitais. Criadora da Escola de Rumos, do Portal Coragem Para Empreender e da Editora Suban a Los Techos, autora do livro Para Sempre Um Novo EU. "De passo em passo eu desvendo um mundo dentro e fora de mim".

  • Rico Oliveira

    A maior mudança talvez seja a mais difícil: a de nós mesmos!!! Conduto, quando obtemos êxito, tudo mais parece perfeito☺😊

    Seus escritos, querida Paula, nos servem de catalisador que nos impulsiona a trilhar pelos caminhos da busca do autoconhecimento.

    Que em 2017 tenhamos muitos presentes seus.

    Feliz Ano Novo!