A Soberana Realidade Posta

Por aqui minha travessia está dividida em capítulos. Não poderia ser diferente. O primeiro tem a ver com ouvir a voz que vem do outro. Recebi do Fernando as chaves para estar nessa região que ele morou e segui o caminho que se apresentou. Estive com a Luciana e o Frans, eles me deram elementos de condução e alinhamento. O segundo capítulo tem a ver com ouvir meu corpo, fiquei em febre por três dias entre Heidelberg e Nuremberga, um dia de cama e me recuperei. Não se vence nenhuma batalha sem o corpo. Não se pode fazer tanto até que o corpo cobre seus créditos. O terceiro é o capítulo “ouça sua mala”. Estou nele, combina com Nuremberga. Reconhecimento: há dois dias estou sem a minha mala. Perdi. Esqueci no bagageiro do bus. Febre me altera e fico distraída. Perdi. E segue perdida a mala. É a realidade posta. Perda. Portanto, somos eu e a mochila. E de fato estamos bem, tenho tudo o que preciso. Esperamos que a mala retorne, claro, em tempo breve, mas é como o ensinamento da história do Stockdale que meu professor Décio tantas vezes contou ao longo da minha formação em constelação. James Stockdale foi um prisioneiro da guerra do Vietnã. Acredito que foram sete anos preso e em tortura. Ele sobreviveu. E numa entrevista perguntam se ele era um otimista. Ele diz não, “os otimistas eram os primeiros a morrer. Esperavam sair no natal. Não saiam. Vinha a páscoa. O outro natal. E mais uma vez a páscoa e então eles morriam com seu coração entristecido e sem vida”. E então perguntam se ele era um pessimista. “Não, esses eram próximos a morrer. Eu somente olhava a realidade como ela se apresentava. A realidade como ela é.” A soberana realidade posta. A soberana realidade posta. Eu reconheço.

Sugiro que leia o texto sobre reconhecimento que postei poucos minutos antes desse.