Autor

Paula Quintão

Browsing

TEM JEITO PRA TUDO, sobre no mínimo evitar a pressão arterial alta

“Tem jeito pra tudo”, eu fico ouvindo essa expressão se revirar na minha cabeça. Talvez minha ansiedade de tantas vezes tenha nascença no “jeito pra tudo”, porque aí minha mente mirabolante capaz de criar estratégias das mais elaboradas quer encontrar um jeito, ou até dois, ou três, que é pra sobrar jeito pra resolver tudo, e esqueço de me deixar em paz.

Não funciona muito bem querer dar jeito em tudo, porque muitas vezes é o fazer nada que resolve da melhor forma. 

Hoje é final de ano planetário, termina um ano regido pela semente para iniciar, dia 26, um ano regido pela lua cósmica. A lua traz as marés e as emoções. E desde o meu aniversário em 08 de novembro eu estreei, 260 dias antes, a frequência da mesma lua cósmica que nessa quinta entramos todos.

Para além do sincronário e do ano novo, se tem algo que posso dizer é “não tente dar jeito em tudo, dê jeito em você: nas suas reações, na sua capacidade de lidar com as próprias emoções, no seu vai e vem de vibração, na sua frequência, no seu poder de manter a harmonia mesmo nas pequenas e mais simples doses de caos, na ansiedade, na impaciência, na busca por resolver tudo sozinha. Assim o mundo se ajeita enquanto nos ajeitamos por dentro”.

Com esses cuidados, no mínimo, você evita a pressão alta. Em frente, muchachos e muchacas. Seguinos caminhando lado a lado, agora observando nossas marés emocionais e o quanto nos mantemos firmes no centro.

E acrescento aqui algumas referências sobre o tal sincronário maia que me refiro.

  • Para saber a sua frequência de aniversário e também das principais datas e pessoas que se relaciona, você pode calcular no site http://tzolkin.com.br/. Eu sou kin 239, tormenta harmônica azul, prazer. 
  • Para fazer parte de uma comunidade de pessoas que está exercitando se sintonizar com a lei do tempo natural, você pode saber mais detalhes aqui: https://escoladerumos.com.br/eventos/lei-do-tempo/
  • Para ler mais sobre se deixar em paz, recomendo o livro “A Sutil Arte de Ligar o Foda-se”, um dos mais vendidos na lista dos indicados do mês de julho de 2018. Imagino que o motivo seja simples, estamos todos a nos importar demasiadamente.

Paula Quintão

24 de julho de 2018, final de ano planetário Semente Cristal Amarela

 

O LUGAR DE PODER. sobre o estado de vibração e o poder de criar dentro.

Há algumas semanas entrei por aqui num processo bem intenso de ansiedade. O uso do tempo, a criação de uma rotina conectada ao que sou, o amor ao que faço e à minha missão de vida já são uma realidade pra mim, só que eu me vi numa crise de ansiedade e angústia.

Precisei sair do dia a dia como está e ir até Minas, me recarregar com meus pais e com o clima mais ameno da cidade de interior mineiro. De lá pude enxergar com mais clareza meus processos internos e retornar ao meu dia a dia com as respostas que eu precisava para alinhar dentro.

E aqui estou eu, exercitando algumas dessas respostas. Nesse texto quero partilhar uma delas.

Tem a ver com o uso da força e o uso do poder, há uma grande diferença entre eles. Há alguns dias assisti ao jogo do Brasil e da Bélgica na casa da minha amiga-vizinha-de-andar-de-cima, Fernanda. Lá estava uma amiga em comum, a Luciana, e o que percebemos logo que o jogo começou é que a seleção da Bélgica tinha uma postura diferente da seleção brasileira, mais presente, mais cheia de confiança, mais poderosa.

Chegava a dar medo olhar aquelas expressões dos seus olhos. E naquele instante eu me lembrei de quando, ao final do meu curso de leitura de aura, meu terapeuta fazia uma leitura do meu campo e me contou que via uma dinâmica que contava uma história da época do império romano. Nela, antes de o império romano atacar o certo “império” vizinho, eles prepararam um ataque energético. Minha sensação ao ver o jogo do Brasil é que a Bélgica tinha se preparado energeticamente antes do jogo, vibrado num lugar totalmente diferente que a seleção brasileira.

A vibração é chave para os processos da vida e diz muito sobre nosso poder de criação, de realização e mesmo de resultados. Há um vídeo que viralizou e que até repostei na minha página do facebook há um tempo em que num experimento o menininho diz palavras de amor a uma planta e palavras de crítica para outra planta. O resultado é chocante, chega a dar tristeza. A planta que recebeu as palavras de crítica vai se desfazendo, morrendo, ficando totalmente sem vida.

Sobre a vibração, já há uns meses minha terapeuta de thetahealing Claudia compartilhou um gráfico que associa nossos sentimentos às frequências que carregam. Eu ainda não sabia a fonte desse gráfico, simplesmente me apaixonei por ele e usei em várias ocasiões essa referência. Eis que essa semana uma peça do quebra-cabeça chegou para mim.

O gráfico é do autor David Hawkins e no livro em que ele apresenta sua teoria, seu argumento está em torno da comparação entre o que é o uso da força e o que é o uso do poder. Usamos a força quando estamos vibrando em frequência abaixo de 200 hertz. E o usamos o poder quando estamos vibrando em frequência acima de 200 hertz, me contou a Patrícia em nossa sessão de mentoria.

O livro em que o David conta sobre esse argumento é o Power Vs. Force. E há um vídeo no youtube que faz a síntese do argumento. Acontece que essa consciência e uso desse saber pode trazer muita transformação para nossos dias. Usar o poder ao invés de usar a força é nos conectar com a criação que vem de um lugar de mais fluxo, de mais naturalidade, de mais leveza e que não nasce do esforço, do cansaço, do peso e nem mesmo do uso das horas na aceleração que estamos acostumados.

São essas algumas pistas que tenho recebido, respostas para as perguntas sobre como desacelerar o meu tempo e ao mesmo tempo ter resultados melhores em tudo que me dedico, sobre como manter meu coração aberto para a vida e para os sonhos sem me angustiar ou ficar ansiosa, sobre como encontrar no dia a dia o prazer de usufruir de tudo o que sou, o que vivo e o que existe.

Que por aí essas pistas se encaixem também com as respostas que você vem buscando para seu caminhar.

Em frente.

Paula Quintão.

15. 07.2018

O IMPERATIVO DO “MAS PODERIA SER MELHOR”

Desde crianças fomos treinados a “melhorar algo”. É um imperativo. É um modo operandis. Principalmente as escolas nos infiltram essa lógica e entendemos que é preciso “buscar melhorias”.

Sua nota foi boa, mas poderia ser melhor.
Seu desempenho foi bom, mas poderia ser melhor.
Sua alimentação está boa, mas poderia ser melhor.
Sua palestra foi ótima, mas poderia ser melhor.
Suas vendas arrasaram, mas poderia ser melhor.
Seu corpo está saudável, mas poderia estar melhor.
Seus cabelos estão lindos, mas poderiam estar melhor.
Seu relacionamento está em paz, mas poderia estar melhor.

O estímulo por “melhorar” sempre nasce de um comparativo. Vejo a realidade do agora, vejo o que poderia ser o “ideal” e faço essa conta que é mais ou menos assim:

Equação: SITUAÇÃO IDEAL MENOS SITUAÇÃO AGORA = O QUE PRECISA MELHORAR

Quando eu monto a equação do que precisa melhorar, eu preciso necessariamente colocar a “situação agora” em comparativo com a “situação ideal” e portanto nunca tenho um resultado positivo.

É lógico que poderia estar melhor. Tudo poderia estar melhor. E aí mora a grande crueldade desse discurso. É como olhar lá na frente, olhar lá no futuro, criar uma idealização do que poderia estar melhor e trazer para o presente – esse presente que não tem como ser diferente, que é como é, que é exatamente como está.

É uma lógica cruel porque desvaloriza o presente, retira a completude do momento AGORA e enxerga a parte que falta (essa que faria da coisa uma coisa melhor) ao invés da parte que há. O estímulo por melhorar, inevitavelmente, não valoriza integralmente o presente e o agora.

A idealização do futuro melhor comparado ao agora só nos tira as forças e nos impede de realmente avançar no próximo passo, porque nos retira o solo onde pisam os nossos pés e de onde nasce o próximo movimento.

Os workshops de constelação familiar do Andrei Moreira me ensinaram sobre o quanto o MAS, numa frase, tem o poder de eliminar tudo o que veio antes dele. E sempre que dizemos “mas poderia ser melhor”, é como se descartássemos (ou diminuíssemos) o valor do que há agora, do que é, do que somos nesse instante.

Sim, um mundo de coisas poderiam estar melhor. Absolutamente tudo poderia estar melhor.

Aqui mora uma solução e uma forma de equilibrar o que realmente queremos ao nos dizer “melhora”. Nossa intenção é DESENVOLVER. Ou seja, se intencionarmos desenvolver adotamos uma postura bem diferente e aí sim fortalecedora.

Porque é muito diferente quando nos alinhamos com o aprimoramento e o desenvolvimento constante. O aprimoramento não nasce do comparativo com a idealização, nasce da valorização do presente, da apropriação completa do agora, do entendimento pleno do lugar que você ocupa e da pergunta pró-ativa, feita ao momento presente, sobre o que é possível fazer AGORA. Daí vem a solução para essa equação. Ao invés de a mente criar um comparativo com o futuro, ela se apropria do PRESENTE e a partir dele eu escolho o próximo passo em direção ao rumo que sinto ser de desenvolvimento para mim a partir daquele instante.

Estamos em constante aprimoramento. Enxergar isso nos fortalece e valoriza. Podemos sempre intencionar nos aprimorar, aprender algo, transformar algo, mergulhar mais profundo em nós mesmos.

O estímulo do “melhorar”, ao contrário de ser fortalecedor para esse aprimoramento, se torna um peso, tira a força, estressa, gera ansiedade, frustração e a constante sensação de não estarmos prontos nem sermos bons o suficiente NUNCA. Enquanto o estímulo do “desenvolver” olha o momento presente, valoriza o lugar do agora e se pergunta “qual é o próximo passo a partir do lugar que estou”.

Por aqui meu cuidado tem sido o de tirar o peso, de liberar essa constante busca por melhorar e me sentir o mais presente possível no que há agora em mim, do que é o hoje e do quanto o que é possível para hoje já é maravilhoso, me perguntando todos os dias quais os meus próximos passos em direção ao que entendo como desenvolvimento para mim.

Paula Quintão
14 de junho de 2018

QUERO RELACIONAMENTO PARA SER EU MESMA sobre intimidade

Algo em mim gosta do dia dos namorados.

Não é aquela coisa “love is in the air”, sou uma romântica por natureza mas não nesse estilo corações que saem pelas orelhas e serenatas que tocam na varanda.

Algo em mim gosta do dia dos namorados. E não é aquela coisa meio vanguarda estilo “meu amor próprio me basta”, porque sei o quanto é bom ficar em minha companhia e não preciso do dia dos namorados para reafirmar isso.

Algo em mim gosta desse dia que celebra as relações, porque no fundo no fundo bem sei que são os relacionamentos que regem nossas vidas.

E para mim os relacionamentos amorosos foram geradores das forças que me moveram nos maiores processos de mudança e transformação da minha vida.

Aquele que me revelou o que eu realmente compreendo como intimidade.

Aquele que me trouxe forças para ler uns quase 100 livros de filosofia num período curtíssimo de tempo.

Aquele que me levou à montanha. Aquele que me fez voltar à montanha.

Aquele que me inspirou para escrever meu primeiro livro. Ou aquele que me inspirou para escrever meu segundo livro.

Aquele que me trouxe um reencontro com a espiritualidade.

Aquele que me relembrou quem eu era.

Desde os 11 anos eu tenho um coração que ama, que se apaixona, que se conecta ao outro numa atmosfera única de encantamento, despertar e expansão das percepções. Sou encantada com o estado da paixão porque ele é potencialmente criador. Descubro mundos dentro e fora de mim graças a esses estágios que a paixão me traz.

E algo a mais que esses anos de amor trouxeram de presente foi o entendimento do que é intimidade. E do quanto o que eu quero mesmo é intimidade.

Ah, como a intimidade é bonita.

O que não tem a ver com dormir juntos ou fazer sexo a noite toda. Ou ir ao banheiro de porta aberta. Intimidade não tem a ver com morar juntos ou dividir as contas de casa. Essas podem ser as superfícies, mas eu caminho mesmo é nas profundidades. Intimidade, pra mim, tem a ver com se desnudar pela alma, se revelar, tem a ver com se narrar para o outro. Sentar frente a frente e poder soltar o que vem no coração, mergulhando em si e narrando em voz alta ao outro. Inteiro, sem censuras.

Se lá fora já há um mundo que tantas vezes nos atropela e nos apressa, aqui dentro eu quero mais é colo macio, quero escuta amorosa. Mas não quero só olhos que me olham, quero olhos dispostos a partilhar, a sorrir comigo quando for hora de sorrir, a dizer “não gosto disso” quando for assim, a também me revelar medos, segredos mais profundos, amores que nascem pelo meio do caminho.

Quero relacionamento para ser eu mesma, pra não me envergonhar da roupa que uso, da cara amassada pela manhã, do cabelo sem pentear, dos dias sem maquiagem, de chorar sem motivo no meio da conversa, de ficar irritada e nervosa quando for o que sinto. Quero relacionamento para o outro não ter medo de mim. Relacionamento para o outro ser ele mesmo, só isso e nada mais. Relacionamento para que eu possa narrar a Paula que me habita. E para o outro narrar o ser que o habita, inteiro, todo transparência, a história inteira, humano que não tenta ser salvador de nada, nem de mim nem de ninguém. Apenas ser.

Sonhadora que sou, eis aí meu lugar interno sobre os relacionamentos. Lugar que estou construindo dentro de mim todos os dias para que chegue o momento que ele possa nascer no encontro com o outro. E se for pra compartilhar dia dos namorados, aniversário, ano novo, natal, as horas, a vida, quero compartilhar assim.

Paula Quintão
12 de junho de 2018

Força Motriz: Inveja. Força Propulsora: Raiva

Esse texto só nasceu graças a uma pergunta que recebi do meu amigo Pedro Céu. Agradeço e retribuo com mergulhos em exploração dentro de mim e escritos que nascem deles.

Há uns dias eu ria de uma postagem que vi no facebook. Dizia que não era o bendito do amor que fazia a gente sair da cama e começar a semana, era raiva, raiva da vida. Achei graça. Vi um fundo de realidade em tantas vezes que a raiva foi o elemento que me fez agir num piscar de olhos e mudar minha vida de um segundo para o outro.

Raiva, bem sei, é força de mudança, de dar um basta, de dizer um não bem completo e bem dito.

Entro lá no instagram do outro. Nem sigo que é pra ser invisível e não dar audiência. Nem curto nada. O stories eu só veria do perfil fake, que é pra não dar o braço a torcer que estou acompanhando alguma coisa. O olhar vasculha a timeline em busca de algum defeito, alguma crítica que merece ser feita, alguma revelação que demonstre que o outro não é assim tão bom quanto narram suas legendas e suas fotos.

Lembro de quando meu segundo divórcio estava recente (ou nem tão recente assim) e meu ex-marido postou vídeo com a atual mulher. Assisti umas 50 vezes buscando alguma pista de que a coisa não ia assim tão bem quanto parecia. Encontrei, lógico. O sorriso largo dela deu uma pestanejada e eu logo entendi que a coisa não estava tão às mil maravilhas assim. É a inveja, irmã da raiva, fazendo as coisas acontecerem, fazermos ter motivos para esperar pelo amanhã, pelas cenas dos próximos capítulos.

As redes sociais se tornaram engrenagens poderosas da grande força motriz que roda a sociedade: a inveja e junto dela propulsora raiva. Uma inveja que compara, que busca o pior e o melhor no outro, nas escolhas do outro, na criação do outro. Junta e envelopada por uma raiva do outro que é comissão abre alas e vem puxando o desfile da inveja e por uma raiva de nós mesmos que encerra a passagem pela avenida do samba e abre dentro de nós passagem para o submundo da culpa, da vergonha, da autocrítica. Um mar de sombras sentidas e dores que nascem da comparação onde estamos em posição de inferioridade (e que criam uma sociedade dependente dos antidepressivos, logicamente).

Acontece que esse desfile da inveja pode não ser encerrado dessa maneira que coloca a raiva por nós mesmos em primeiro plano, ele pode ser encerrado colocando também a raiva do outro em destaque e aí é a hora que arregaçamos a manga e vamos criar algo, criar mudanças de cenário, construir cidades, negócios, empresas… até que um dia até uma mudança interna acontece e você ama tudo aquilo que criou e faz no seu dia a dia – nunca eliminando as sombras, e sim caminhando e gestando nas sombras para ter estímulos para criar na luz.  Assim a raiva junto com a inveja viram forças motrizes para acontecer uma mudança que vai nos fazer sair do lugar que estamos.

Por enquanto somos mais sombras que luzes. Todos nós. Sem exceção. Somos mais sombra que luz porque esse mundo para ter a densidade que tem na matéria precisa ser composto por mais sombra que luz. É pura física. 

Então o jeito é nos reconciliar logo com a sombra.  Estamos tentando pular essa etapa há muito tempo e a comunicação de massa e agora as redes sociais estrelaram um movimento de apego à luz, à vida perfeita, ao amor em primeiro lugar, à tudo lindo e florido. Sorrisos, frases inspiradoras, tudo lindo e maravilhoso, como se fôssemos todos essa felicidade sem fim. Devo dizer que é uma narração incompleta a que todos nós estamos fazendo – mas é incompleta porque também nós não damos audiência à sombra do outro. Perfis bad vibes, se não usam um mínimo de humor para elevar a frequência não têm audiência. E não têm audiência simplesmente porque não gera em nós nenhum estímulo da raiva, da inveja ou de apego à luz do outro como fonte de inspiração para nossas próprias vidas.

Por enquanto estamos longe de sermos toda a luz que narramos ser porque somos densos em sombras. Essa é nossa condição. O perigo está em nos enganarmos com a ideia de que o outro é pura luz, movido pelo amor todo o tempo, coração imenso e aberto que só tem pensamentos lindos, vai nos fazer entrar em lugares de frustração quando você não é todo paz e amor, ou vai nos anestesiar para a real mudança como se fôssemos bonecos de cera neutros que não reagem ao mundo. O outro não é essa luz toda. Ele narra parte da luz que passa por ele – ou talvez nem passe, seja só um lampejo mesmo.

O que reage em nós ainda muito da raiva. Ainda é inveja. E essas são nossas grandes forças motrizes retroalimentadas pelo todo.

Só sobrevivemos quando criamos algo, quando movemos algo. A vida (e o próprio amor em essência) é criação. E para criar, algo em nós precisa se mover da cama a cada manhã. Se não há estímulo nenhum, a roda não gira, a vida não acontece. Ainda nos impulsionam tantas vezes a raiva do outro, a inveja e também o dinheiro. Ter que pagar as contas é o que faz milhares de pessoas acordarem segunda-feira e irem para seus trabalhos.  Se quisermos viver sem dinheiro vamos para a floresta e acabou o problema. Mas até na relação que criamos com o que compramos e com as contas a pagar têm também a inveja definindo o que consumir e o padrão de vida a criar. (Entenda que até minimalista, aquele que consome o mínimo, é invejado, é também um exemplo de parte estrutural da narrativa da luz que somos, um bom mote também para a mídia da luz).

Somos domesticados e treinados para desenvolver um senso cada vez mais apurado de inveja. E isso não é à toa, é que sabemos inconscientemente que graças à inveja é que muitas vezes vidas aconteceão, histórias serão escritas, filmes serão criados, narrativas serão feitas, impérios serão construídos.

A inveja gera energia para a construção, para a mudança, para a ação baseada no querer – mas não exatamente a um querer conectado ao que é próprio do seu caminho, mas ao que é próprio do caminho do outro, e por intermédio do outro ativa aquilo que é próprio do seu caminho.

Vejo ali aquela grama tão verdinha e “maldita grama verdinha”, e bato no peito para dizer que eu vou ter uma mais verde ainda, me aguarde. Esse decreto nasce da inveja e gera uma ação de construção. No mínimo a frente da sua casa ganhou uma grama e ficou mesmo melhor que antes toda banhada de concreto.

As redes sociais e a mídia de comunicação de massa sabem bem disso e trabalha a luz que há em tudo: o brilho do cabelo, a decoração perfeita, o senso impecável de organização, o carro mais incrível, a viagem inesquecível, a mulher mais linda, o homem mais gato e mais rico. A mídia e a sociedade se apegam à luz porque somos todos apegados e estimulados pela luz. Agora o veganismo, o minimalismo, o despertar da consciência. Tudo é mídia apega à luz. Mas o que garante a manutenção da luz como objetivo de todos é o jogo que se faz na sombra: e a inveja, a raiva, a vergonha, a culpa… são as sombras que mantém a propulsão das luzes no ar, ao vivo, direto na sua timeline. E claro, como a força centro de tudo.

O sistema educacional segue a mesma pauta (ou posso até dizer que ele dá corpo e forma à essas forças) nos ensinando que nota boa mesmo é o 10, tirando os méritos de quem tirou um 5 e não se dedicou tanto assim. Notas boas, responsabilidade, disciplina, prestar atenção na aula, ser estudioso… a escola é mantenedora das engrenagens que nos fazem seguir em direção à luz mas graças à força que existe no comparar, no concorrer – um comparar e um concorrer que só é possível se são estimuladas a inveja e a raiva.

É a sombra que vai criar o movimento, que portanto vai fazer a vida criar engrenagens de ação. É a sombra que vai nos fazer ficar atentos ao próximo movimento para então desejarmos nos mover também.

Agora não precisamos mais da mídia de massa para nos ditar os padrões da luz. Agora nós usamos as redes sociais e fazemos esse discurso juntos: apegados à luz como somos (afinal é pra lá mesmo que vamos e somos), começamos por conta própria a narrar nossas vidas iluminadas e continuamos a retroalimentar a força da inveja e da raiva. Não é mais o carro do ano, é a viagem à Austrália. Não é mais o apartamento chiquérrimo, é ser minimalista vegano. Tudo em essência o mesmo: narrativa da luz que enche nossos olhos de “é isso!”, um “é isso!” movido nem tanto pela inspiração e reação ao que vem do outro.

Inveja e raiva, muito diferente de serem um problema, estão à serviço da manutenção da vida, estão todos os dias evitando um suicídio em massa pela total ausência de sentido encontrada na vida. Inveja e raiva estão fazendo a engrenagem da vida girar e criando novos cenários de mudança e construções que nascem das sombras e nos levam, sim, de fato, para a luz.

Ainda estou construindo….

Paula Quintão. 20.05.2018