“Definitivamente ela não é bonita”, foi o que meu pensamento formulou. Eu já tinha visto uma ou outra foto dela antes de encontrá-la pessoalmente e pude concluir que minha impressão sobre sua pouca beleza não estava errada. Sua branqueleza, seu cabelo confuso, seu rosto ainda mais confuso que os cabelos, seu sorriso sem cor e seus olhos pouco expressivos faziam dela uma mulher comum, ou para ser menos eufêmica, uma mulher feia.

Logo no primeiro dia que nos encontramos passei pouco tempo em sua companhia.

Talvez vinte ou trinta minutos antes de sair para alguns compromissos. Meus programas para os próximos dias possivelmente coincidiriam sem muita intenção com os dela e minha agenda não programava a presença dela porque apesar de eu estar hospedada em sua casa, era com seus irmãos que eu passaria grande parte do meu tempo.

E então, entre um programa e outro, ela surgia para fazer um chamego em sua família. Entre um programa e outro ela surgia para completar um comentário e fazer uma piada. Entre um programa e outro estávamos sentados à mesa e ela compunha a conversa contando suas aventuras com as amigas e as graças do passado em família. Entre um programa e outro lá estava ela sentada em um banquinho tocando violão e cantando músicas que eu tanto gostava. Entre um novo programa e outro ela mostrava suas pinturas, pendurava um quadro na parede, abria o livro de desenhos na imagem feita a lápis. Eu adorava sua presença e tudo o que ela trazia para mostrar eu adorava ver, a música que tocava eu adorava ouvir, os comentários que fazia eu adorava escutar. E como mágica, seus cabelos confusos ganharam contorno e brilho, seus olhos sem expressão sorriam antes dela sorrir, sua branqueleza era pele alva, lisa e brilhante, seu sorriso sem cor enchia o ambiente de alegria. Ela era linda e sua beleza resplandecia. Ah, os olhos… os olhos, guiados pela emoção, podem enxergar poesia para onde quer que olhe, podem enxergar beleza para quem quer que olhe. Belos olhos esses, olhos que obedecem a alma. Linda alma a nossa, alma que se resplandece através dos olhos.

Autor

Paula Quintão segue a desvendar os mundos internos e externos. É escritora & mentora de escritores, transição de vida e negócios digitais. Doutora em Sustentabilidade, montanhista, paraquedista e mergulhadora. Mãe da Clara. Criadora da Escola de Rumos, do Portal Coragem Para Empreender e da Editora Suban a Los Techos, autora do livro Para Sempre Um Novo EU (2012) e O Caminho Que As Estrelas Me Viram Cruzar (2017). Escreve semanalmente dentro das temáticas autoconhecimento, escrita, transformação de vida e empreendedorismo em paulaquintao.com.br