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AS CRIANÇAS E O MISTÉRIO DE ANAMÃ sobre ter olhos para perceber

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Durante o tempo que morei em Manaus um dos projetos vivos era meu blog de escritos Manaus pra Mim e numa altura da coisa criei também uma revista digital que era uma outra forma de produzir conteúdo. Era bem linda a Manaus Pra Mim Em Revista e um dos movimentos que fizemos na época foi uma visita ao município de Anamã, no interior do Amazonas.

Para chegar até lá fomos de barco naquele estilo balança mas não cai que o rio agitado proporciona. Chegamos à bela Anamã e a cidade em poucos minutos ganhou meu coração. Tantas casas coloridas criavam uma atmosfera de um conto de fadas tipicamente amazônico.
E uma das programações que tínhamos era visitar uma comunidade indígena nas redondezas da cidade. Lá vamos nós, dessa vez de voadeira, e avançamos até chegar na comunidade.
Chegar à comunidades indígenas, todas as vezes que pude vivenciar essa experiência, me traz uma sensação de olhos arregalados de curiosidade e ao mesmo tempo um silêncio e um caminhar de respeito.
E enquanto éramos recebidos e nos explicavam como a comunidade se organizava, o que plantavam, como era viver ali, pelo caminho estava um grupo de crianças super entretidas com uma brincadeira.
À medida que fui me aproximando, percebia minuto a minuto o que era a brincadeira.

QUANDO TERMINEI O DOUTORADO sobre partes do caminho não tão animadoras

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No final de 2014 eu estava quase a completar quatro anos de período de doutorado. Iniciei em 2011 na Universidade do Amazonas e meu prazo era até o início de 2015. Acontece que minha filha vivia um momento de depressão e eu sentia que precisava fazer

FILHOS QUE SE VÃO sobre a morte e as nuances de vida que ela revela

“A morte não é um mal, mas uma divindade”.
Clarrisa Pínkola. Mulheres Que Correm Com Os Lobos

Já vi minhas avós perdendo seus maridos, enterrando meus avôs. Mas nunca antes havia visto elas enterrando seus filhos. São situações de dor, todas elas. Mas dá pra perceber que são dores diferentes, que apertam em lugares diferentes do coração.

Em dezembro, vi a minha irmã se despedir do seu filhotinho de 6 dias.

E essa semana vi minha avó se despedir do seu filhotinho a completar 60 anos.

Para uma mãe, um filho é sempre um filhote. Um filho é sempre pequeno e precisa de cuidados.

E assim é a natureza dessa relação.

E só de observar minha avó, ela sempre em sua sabedoria tão divina, e minha irmã, em sua força de transformação, há tanto a para se aprender.

Aprender sobre as emoções serem vividas por inteiro… a dor da despedida, das lembranças, o tempo de chorar, a tristeza do luto e a transição da dor para a saudade, para a celebração do que a vida significou e do quanto foi rico tudo o que se viveu, tanto os altos como os baixos.

Aprender sobre o quanto reunir pessoas e falar sobre o que doeu, expressando em palavras as emoções, pode nos fazer bem.

Aprender sobre o quanto de uma situação para a outra uma mesma pessoa pode ser percebida com olhares tão diferentes.

Aprender sobre solidariedade e acolhimento, quando cada um passava pelo velório, abraçava minha avó, escutava o que ela tinha para dizer e entregava tanto amor muitas vezes sem conhecê-la.

Aprender sobre irmãos e suas histórias longas que não são de ontem, são de uma vida inteira, de uma infância de brincadeiras e saudades de um tempo que já não voltaria mais e que com a morte se torna ainda mais distante.

Aprender sobre o mistério da morte e o valor da vida.

MINHA VIDA DE ESCRITORA uma série de inspiração

Era uma manhã de domingo. Acordei com o amanhecer e sentia, para aquele dia, de preparar meus equipamentos, caminhar pela feira, comprar algumas frutas e seguir para debaixo de uma das árvores da Escola Agrotécnica de Barbacena para contar um pouco sobre minha história com os escritos.

Ao invés das frutas, encontrei alguns sucos bem deliciosos e segui caminhando pela sombra, sentindo as palavras e os recortes do meu passado chegarem ao meu coração.

Quando eu me sentei sob a árvore, ambiente dos que me sinto mais em casa, todos os pontos de luz de minha vida com os escritos foram se iluminando em meu imaginário e contar minha história foi um presente pra mim.

Hoje entrego o quarto e último episódio da série Minha Vida de Escritora e celebro cada palavra partilhada, cada instante narrado, cada lembrança revisitada. E sei que ao ouvir minha história, mais do que me enxergar em profundidade – que sim, é possível graças a esses encontros de alma – você é capaz de enxergar a sua própria e se perguntar como foram para você seus anos de colégio, sua relação com a escrita, sua inspiração, sua forma de abastecer sua bagagem de conhecimentos…

Os pontos de luz da minha história são capazes de iluminar pontos de luz da sua própria e para esse vídeo de encerramento da série meu convite é para essa reflexão e esse olhar.

Clique aqui e assista a série completa Minha Vida de Escrita.

05 de março de 2017

Paula Quintão


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O POMAR INABITADO sobre o que recebemos e não percebemos

Da janela da minha cozinha eu posso avistar e conviver com o pomar do meu vizinho. Não é uma área muito grande, mas é grande o suficiente para ter pés de goiaba, laranja, limão, tem figo, tem chuchu, tem taioba. Há um ano estou a morar nesse endereço e há um ano estou a conviver com os ciclos da natureza que invadem esse pequeno espaço de paraíso.

Agora tem goiaba caindo no chão, tem taioba aos montes, tem laranjas pequenas esperando para amadurecer.

É um espaço da abundância, da vida em sua germinação, dos frutos em sua magia.

Vez ou outra eu me debruço na janela da cozinha só para observar o que se passa por ali. É um espaço tão vivo.

Os passarinhos são os que mais aproveitam tudo por ali. Salpicam de um galho a outro.

Acontece que nesse um ano inteiro, só vi os vizinhos passarem pelo pomar uma única vez. Era até uma moça em seu avental, foi até lá e colheu algumas laranjas. Nenhuma outra vez além dessa.

As frutas por conta própria amadurecem, caem no chão e por assim é.