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FILHOS QUE SE VÃO sobre a morte e as nuances de vida que ela revela

Paula Quintão | 12 de março de 2017

“A morte não é um mal, mas uma divindade”.
Clarrisa Pínkola. Mulheres Que Correm Com Os Lobos

Já vi minhas avós perdendo seus maridos, enterrando meus avôs. Mas nunca antes havia visto elas enterrando seus filhos. São situações de dor, todas elas. Mas dá pra perceber que são dores diferentes, que apertam em lugares diferentes do coração.

Em dezembro, vi a minha irmã se despedir do seu filhotinho de 6 dias.

E essa semana vi minha avó se despedir do seu filhotinho a completar 60 anos.

Para uma mãe, um filho é sempre um filhote. Um filho é sempre pequeno e precisa de cuidados.

E assim é a natureza dessa relação.

E só de observar minha avó, ela sempre em sua sabedoria tão divina, e minha irmã, em sua força de transformação, há tanto a para se aprender.

Aprender sobre as emoções serem vividas por inteiro… a dor da despedida, das lembranças, o tempo de chorar, a tristeza do luto e a transição da dor para a saudade, para a celebração do que a vida significou e do quanto foi rico tudo o que se viveu, tanto os altos como os baixos.

Aprender sobre o quanto reunir pessoas e falar sobre o que doeu, expressando em palavras as emoções, pode nos fazer bem.

Aprender sobre o quanto de uma situação para a outra uma mesma pessoa pode ser percebida com olhares tão diferentes.

Aprender sobre solidariedade e acolhimento, quando cada um passava pelo velório, abraçava minha avó, escutava o que ela tinha para dizer e entregava tanto amor muitas vezes sem conhecê-la.

Aprender sobre irmãos e suas histórias longas que não são de ontem, são de uma vida inteira, de uma infância de brincadeiras e saudades de um tempo que já não voltaria mais e que com a morte se torna ainda mais distante.

Aprender sobre o mistério da morte e o valor da vida.

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MINHA VIDA DE ESCRITORA uma série de inspiração

Paula Quintão | 5 de março de 2017

Era uma manhã de domingo. Acordei com o amanhecer e sentia, para aquele dia, de preparar meus equipamentos, caminhar pela feira, comprar algumas frutas e seguir para debaixo de uma das árvores da Escola Agrotécnica de Barbacena para contar um pouco sobre minha história com os escritos.

Ao invés das frutas, encontrei alguns sucos bem deliciosos e segui caminhando pela sombra, sentindo as palavras e os recortes do meu passado chegarem ao meu coração.

Quando eu me sentei sob a árvore, ambiente dos que me sinto mais em casa, todos os pontos de luz de minha vida com os escritos foram se iluminando em meu imaginário e contar minha história foi um presente pra mim.

Hoje entrego o quarto e último episódio da série Minha Vida de Escritora e celebro cada palavra partilhada, cada instante narrado, cada lembrança revisitada. E sei que ao ouvir minha história, mais do que me enxergar em profundidade – que sim, é possível graças a esses encontros de alma – você é capaz de enxergar a sua própria e se perguntar como foram para você seus anos de colégio, sua relação com a escrita, sua inspiração, sua forma de abastecer sua bagagem de conhecimentos…

Os pontos de luz da minha história são capazes de iluminar pontos de luz da sua própria e para esse vídeo de encerramento da série meu convite é para essa reflexão e esse olhar.

Clique aqui e assista a série completa Minha Vida de Escrita.

05 de março de 2017

Paula Quintão


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Publicado em Autoconhecimento, Mudança de Vida, Paula Quintão, Realização

O POMAR INABITADO sobre o que recebemos e não percebemos

Paula Quintão | 26 de fevereiro de 2017

Da janela da minha cozinha eu posso avistar e conviver com o pomar do meu vizinho. Não é uma área muito grande, mas é grande o suficiente para ter pés de goiaba, laranja, limão, tem figo, tem chuchu, tem taioba. Há um ano estou a morar nesse endereço e há um ano estou a conviver com os ciclos da natureza que invadem esse pequeno espaço de paraíso.

Agora tem goiaba caindo no chão, tem taioba aos montes, tem laranjas pequenas esperando para amadurecer.

É um espaço da abundância, da vida em sua germinação, dos frutos em sua magia.

Vez ou outra eu me debruço na janela da cozinha só para observar o que se passa por ali. É um espaço tão vivo.

Os passarinhos são os que mais aproveitam tudo por ali. Salpicam de um galho a outro.

Acontece que nesse um ano inteiro, só vi os vizinhos passarem pelo pomar uma única vez. Era até uma moça em seu avental, foi até lá e colheu algumas laranjas. Nenhuma outra vez além dessa.

As frutas por conta própria amadurecem, caem no chão e por assim é.

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Publicado em Autoconhecimento, Paula Quintão

A SOLITUDE E A ESCRITA sobre o despertar da essência

Paula Quintão | 19 de fevereiro de 2017

Era tempo de colégio, eu em meus 15 anos, quando um despertar aconteceu em mim. O despertar para a beleza da solitude, para a força que eu ganhava com o cultivo da minha própria presença.

Naquele tempo minha filha estava com poucos meses e eu estudava num colégio de freiras. Os corredores eram sempre bem encerados, brilhavam e tinham um cheiro próprio.

Vez ou outra eu caminhava por esses corredores só pra acalmar um pouco o ritmo das aulas ou toda a falação do horário do recreio. E num desses momentos se iluminou pra mim a capela que ficava ao lado da secretaria.

Silêncio. Vazio. Preenchimento. Eu. Minha Presença. A riqueza da solitude experimentada pela primeira vez.

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Publicado em Autoconhecimento, Mudança de Vida, Paula Quintão

OUVIR A PROCRASTINAÇÃO sobre o poder guardado pelos sentimentos

Paula Quintão | 29 de janeiro de 2017

Há alguns meses, numa conversa dessas que nos esquecemos do tempo com minha amiga Elisa, ela me trouxe uma percepção que foi valiosíssima. Na época estava ela lendo um livro que falava sobre a procrastinação e o autor dizia que deveríamos é agradecer à procrastinação porque ela muitas vezes poderia estar nos salvando de algo.

Entendo o tempo como uma riqueza. E por anos e anos entendi a procrastinação, esse deixar para depois o que se pode fazer hoje, como um grande mal. Também a preguiça, essa sensação de total falta de energia diante do que se há para fazer, como uma peça terrível da engrenagem. E de uns anos para cá essa minha percepção foi se transformando, até que com a deixa da Elisa, meu olhar se expandiu.

Fomos tão treinados pela cultura do fazer e da construção, que o procrastinar pode ter se transformado no mal do século. Lado a lado com a preguiça, que passou a ser entendida como tão vergonhosa que até deixamos de falar sobre ela.

Hoje há por aí um tanto de cursos para deixarmos a procrastinação de lado e nos livrarmos dela de uma vez por todas. Acontece que essa procrastinação, ou essa preguiça, ou essa falta de vontade de fazer aquilo que você sabe ser essencial para você, está tentando te contar uma história.

Os sentimentos, todos eles, estão a nos contar alguma história. Ou pelo menos tentando.

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Publicado em Autoconhecimento, Paula Quintão, Viagens de Transformação

SEMENTES QUE VIVEM EM NÓS

Paula Quintão | 24 de dezembro de 2015

Olhar as sementes sempre me encantou. Fico olhando a mágica que está guardada ali dentro e me encanto. Basta um pouco de terra fértil e água, e “voilá!”, a magia se faz.

“Não há fruto sem semente”, era o que Amélia Clark dizia em sua palestra sobre dinheiro e espiritualidade, sobre não haver dúvida de que seremos providos, sobre o universo e sua abundância há alguns dias no Rio de Janeiro.

E estamos em tempo de natal. E o natal é tempo da magia. A magia da partilha, da mesa posta pelo que a terra nos trouxe, do abraço de afeto, do nascimento. O nascimento é o grande centro do natal. O nascimento de Jesus que é um dos maiores representantes da vivência do amor nesse mundo. E  o nascimento nada mais é do que o germinar da semente graças a um processo de muito amor e acolhida – seja da terra, seja do útero, seja do coração. É o despertar. É o florescer. É o vir à vida. O nascimento está a acontecer ao nosso redor a todo o tempo. É uma mágica. Basta ter olhos para ver.

Cada um de nós, a sua maneira, está no natal a celebrar “nascimentos”.

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Publicado em Autoconhecimento, Paula Quintão, Viagens de Transformação

VOCÊ DESISTIU? SERÁ QUE FOI ISSO MESMO? sobre a desistência e a persistência

Paula Quintão | 20 de dezembro de 2015

Para hoje, me permito trazer como texto de domingo escritos que publiquei há alguns meses no correio para meus leitores e no meu facebook. É um texto pelo qual tenho muito carinho. Naquele momento eu estava seguindo rumo a Santiago de Compostela, a caminhar meus 800km em 36 dias. Foi uma longa jornada e por lá eu descobri que o Caminho de Santiago nada mais é do que uma grande metáfora da vida real: nós com nossas metas (nossos muitos Santiagos), nossos passos dados, nossa intuição, nossa vontade de seguir em frente quando o destino ainda está iluminado.

O que nos faz continuar seguindo rumo a nossos sonhos?

Aprendi muito sobre persistência. Aprendi principalmente que persistir não tem a ver com ir em frente custe o que custar, mas sim ir em frente rumo ao que está iluminado para nós. E que quando essa luz se apaga, por que ficamos insistindo em seguir naquele rumo?! Mudar de rumos não tem a ver com desistir, a vida me ensinou e graças a isso tirou quilos e quilos de peso das minhas costas.

Vamos ao meu texto de 07 de outubro desse 2015.

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CORAGEM É ESSE AGIR COM O CORAÇÃO

Paula Quintão | 13 de dezembro de 2015

Em 2011 percorri em 11horas de viagem o trecho que me levava de Manaus a Boa Vista. Éramos eu e a Clara, ela, como uma boa adolescente, no limite da falta de paciência com a mãe. Na época a estrada estava tão ruim que não havia mão nem contramão, os buracos tomavam conta da pista e os caminhoneiros faziam greve.

Foi uma viagem épica.

Borracha, o assistente do guia do Monte Roraima, a mais engraçada e querida de todas as criaturas, me recebeu quando finalmente cheguei e rimos muito quando eu contava sobre a estrada em caos em que eu podia parar no meio da pista para tirar quantas fotos eu quisesse.

“Você é muito corajosa, Paula”.

Eu não me achava corajosa. Coragem parecia um desses adjetivos que damos aos heróis depois de conquistarem seus grandes feitos.

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POR QUE EU ESCOLHO QUEM, QUANDO E COMO VOU AMAR? Sobre o amor e suas condições

Paula Quintão | 6 de dezembro de 2015

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Não foi a primeira vez. E não se passou só comigo. Um relacionamento amoroso termina e todo o amor anunciado e partilhado se transforma em raiva ou em desprezo. Não foram todos os meus relacionamentos que tiveram esse desfecho, mas a maioria deles sim. Eu me vi diante de homens – e às vezes seus familiares ou amigos – que me amavam num momento da história e depois queriam que eu desaparecesse da face da terra.

Por que fazemos isso?

Hoje escrevo sobre o amor e suas condições. Sobre nossa necessidade de escolher quem amo, quando amo, porque amo, quanto amo e como eu amo.

Há uns três ou quatro anos eu estava num relacionamento curto, mas muito profundo. Foram poucos meses que estivemos juntos, mas nesse período estávamos realmente no céu. Em três meses de relacionamento eu devorei quase uma centena de livros de filosofia, tudo o que ele me indicava eu lia, e nós dois vivíamos nossas horas numa rendição plena.

Mas por mérito dos caminhos nosso relacionamento acabou e o contexto impedia que ficássemos juntos. Foi bem difícil para nós dois aquele rompimento. E a reação dele foi iniciar no ambiente de trabalho uma perseguição tão intensa de tudo o que eu fazia. O seu objetivo em todas as reuniões era me desmerecer. Todos os projetos que eu apresentava estavam horríveis. Tudo o que eu dizia era péssimo e estava errado. Todas as oportunidades que ele tinha para criticar meu trabalho eram super bem aproveitadas, numa fúria calculada. Minhas ideias que antes eram ótimas, brilhantes e fantásticas, haviam se transformado em ideias horríveis, inapropriadas e toscas.

E eu, diante daquele homem tão obcecado na destruição, que tudo o que eu via era o monstro do lago ness diante de mim. Nenhuma faísca do amor cintilante rondava no meu coração mais, eu tinha quase pânico dele.

Por que agimos assim… amando tanto aquele que é e faz o que queremos… e rejeitando tanto quem não quer estar mais ao nosso lado?

Foram necessários muitos meses para eu entender o quão fortalecedor aquele relacionamento e aquele desfecho foi. O tempo me deu clareza sobre o quanto aquele homem e aquela reação depois do nosso rompimento tinha trazido transformações profundas para a minha vida.

E a principal delas é sobre o quanto condicionamos nosso amor. Quando falo de amor incondicional não estou falando em amor romântico e em viver relacionamentos a dois custe o que custar, estou falando em estar sintonizado com o sentimento de amor, com o sentimento de afeto, com o sentimento de gratidão – ao invés de nos sintonizar com a raiva, com a culpa, com o medo, com o ressentimento, com do desprezo e com o sofrimento.

A mensagem que a condição nos traz é “eu te amo se….”

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O QUE VÃO PENSAR SOBRE MIM? Sobre a grande polícia do julgamento que governa nossas vidas

Paula Quintão | 29 de novembro de 2015

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Quantas e quantas vezes não tivemos grandes vontades de fazer algo em nossas vidas e deixamos de fazer com medo do que vão pensar de nós? Fazer escolhas é necessariamente lidar com a reação das outras pessoas. Reações de contentamento, em que você ganha um tapinha nas costas e um parabéns. Ou reações de descontentamento, em que você ganha um lugar especial nas rodas de conversa e uma crítica, geralmente velada.

As duas possibilidades estão sempre no horizonte.

Mesmo velada, a crítica que vem do outro e o medo de virar tema em alguma roda de conversa nos apavora dia e noite. Não queremos que falem mal de nós. E na busca por evitar que falem mal de nós, sequer percebemos que estamos entrando na maior de todas as prisões de nossas vidas.

Foi com o Gaiarsa, em seus livros de psiquiatria, que aprendi sobre o tratado geral da fofoca. Ele diz que a maior polícia que existe no mundo é o olho do vizinho, é o julgamento do outro sobre você. Em tempos de redes sociais, o “vizinho” é vizinho em qualquer lugar do mundo. E é mesmo fantástica essa conclusão. O questionamento “o que vão pensar sobre mim?” e suas variáveis… “o que vão falar sobre mim?” ou “o que vão achar disso?” ou “vão pensar que estou louca” rege nossas vidas com mais força do que gostaríamos de admitir.

É fácil perceber esse nosso medo… Olhe para sua vida agora e dê uma boa analisada… tem aí algum sonho ou vontade que você não realizou por causa do que os outros vão pensar?

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