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A SOLITUDE E A ESCRITA sobre o despertar da essência

Era tempo de colégio, eu em meus 15 anos, quando um despertar aconteceu em mim. O despertar para a beleza da solitude, para a força que eu ganhava com o cultivo da minha própria presença.

Naquele tempo minha filha estava com poucos meses e eu estudava num colégio de freiras. Os corredores eram sempre bem encerados, brilhavam e tinham um cheiro próprio.

Vez ou outra eu caminhava por esses corredores só pra acalmar um pouco o ritmo das aulas ou toda a falação do horário do recreio. E num desses momentos se iluminou pra mim a capela que ficava ao lado da secretaria.

Silêncio. Vazio. Preenchimento. Eu. Minha Presença. A riqueza da solitude experimentada pela primeira vez.

OUVIR A PROCRASTINAÇÃO sobre o poder guardado pelos sentimentos

Há alguns meses, numa conversa dessas que nos esquecemos do tempo com minha amiga Elisa, ela me trouxe uma percepção que foi valiosíssima. Na época estava ela lendo um livro que falava sobre a procrastinação e o autor dizia que deveríamos é agradecer à procrastinação porque ela muitas vezes poderia estar nos salvando de algo.

Entendo o tempo como uma riqueza. E por anos e anos entendi a procrastinação, esse deixar para depois o que se pode fazer hoje, como um grande mal. Também a preguiça, essa sensação de total falta de energia diante do que se há para fazer, como uma peça terrível da engrenagem. E de uns anos para cá essa minha percepção foi se transformando, até que com a deixa da Elisa, meu olhar se expandiu.

Fomos tão treinados pela cultura do fazer e da construção, que o procrastinar pode ter se transformado no mal do século. Lado a lado com a preguiça, que passou a ser entendida como tão vergonhosa que até deixamos de falar sobre ela.

Hoje há por aí um tanto de cursos para deixarmos a procrastinação de lado e nos livrarmos dela de uma vez por todas. Acontece que essa procrastinação, ou essa preguiça, ou essa falta de vontade de fazer aquilo que você sabe ser essencial para você, está tentando te contar uma história.

Os sentimentos, todos eles, estão a nos contar alguma história. Ou pelo menos tentando.

SEMENTES QUE VIVEM EM NÓS

Olhar as sementes sempre me encantou. Fico olhando a mágica que está guardada ali dentro e me encanto. Basta um pouco de terra fértil e água, e “voilá!”, a magia se faz.

“Não há fruto sem semente”, era o que Amélia Clark dizia em sua palestra sobre dinheiro e espiritualidade, sobre não haver dúvida de que seremos providos, sobre o universo e sua abundância há alguns dias no Rio de Janeiro.

E estamos em tempo de natal. E o natal é tempo da magia. A magia da partilha, da mesa posta pelo que a terra nos trouxe, do abraço de afeto, do nascimento. O nascimento é o grande centro do natal. O nascimento de Jesus que é um dos maiores representantes da vivência do amor nesse mundo. E  o nascimento nada mais é do que o germinar da semente graças a um processo de muito amor e acolhida – seja da terra, seja do útero, seja do coração. É o despertar. É o florescer. É o vir à vida. O nascimento está a acontecer ao nosso redor a todo o tempo. É uma mágica. Basta ter olhos para ver.

Cada um de nós, a sua maneira, está no natal a celebrar “nascimentos”.

VOCÊ DESISTIU? SERÁ QUE FOI ISSO MESMO? sobre a desistência e a persistência

Para hoje, me permito trazer como texto de domingo escritos que publiquei há alguns meses no correio para meus leitores e no meu facebook. É um texto pelo qual tenho muito carinho. Naquele momento eu estava seguindo rumo a Santiago de Compostela, a caminhar meus 800km em 36 dias. Foi uma longa jornada e por lá eu descobri que o Caminho de Santiago nada mais é do que uma grande metáfora da vida real: nós com nossas metas (nossos muitos Santiagos), nossos passos dados, nossa intuição, nossa vontade de seguir em frente quando o destino ainda está iluminado.

O que nos faz continuar seguindo rumo a nossos sonhos?

Aprendi muito sobre persistência. Aprendi principalmente que persistir não tem a ver com ir em frente custe o que custar, mas sim ir em frente rumo ao que está iluminado para nós. E que quando essa luz se apaga, por que ficamos insistindo em seguir naquele rumo?! Mudar de rumos não tem a ver com desistir, a vida me ensinou e graças a isso tirou quilos e quilos de peso das minhas costas.

Vamos ao meu texto de 07 de outubro desse 2015.

CORAGEM É ESSE AGIR COM O CORAÇÃO

Em 2011 percorri em 11horas de viagem o trecho que me levava de Manaus a Boa Vista. Éramos eu e a Clara, ela, como uma boa adolescente, no limite da falta de paciência com a mãe. Na época a estrada estava tão ruim que não havia mão nem contramão, os buracos tomavam conta da pista e os caminhoneiros faziam greve.

Foi uma viagem épica.

Borracha, o assistente do guia do Monte Roraima, a mais engraçada e querida de todas as criaturas, me recebeu quando finalmente cheguei e rimos muito quando eu contava sobre a estrada em caos em que eu podia parar no meio da pista para tirar quantas fotos eu quisesse.

“Você é muito corajosa, Paula”.

Eu não me achava corajosa. Coragem parecia um desses adjetivos que damos aos heróis depois de conquistarem seus grandes feitos.