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Publicado em Autoconhecimento, Mudança de Vida, Paula Quintão

PATRIARCADO sobre avançar daqui para frente integrando

Paula Quintão | 11 de maio de 2019

Fui a um evento sobre o patriarcado nas organizações. E havia um ponto nos unindo, palco e plateia: a dor diante da história que nos trouxe aqui. Sentimos dor porque chegamos ao limite de operar dentro dos modos que estamos operando. Não cabe mais. Organizações, negócios, sociedade, nós, eu. As verdades que movem nossas escolhas já não podem mais ser as mesmas. Tornou-se insuportável fazer do mesmo jeito porque agora já enxergamos mais, percebemos mais, temos mais clareza.

Sabemos que não é pra ser do jeito que era, mas ainda não existe caminho sob nossos pés. Bem-vindos, isso se chama transição, ou se preferirem, porta de avião antes do salto de paraquedas. Podemos não saber o caminho, e tudo bem.

Mas sei algo que precisou antes se tornar verdade em mim: chorar sobre o leite derramado não faz ajuda, não cria os novos passos, não avança. E pior: tira a nossa força e a força da história que nos trouxe até aqui. Foi como foi. E por ser como foi, hoje estamos sentados olhando para o caminho e os novos passos. Digo o mesmo sobre o marketing: foi como foi, um mar de fórmulas e gatilhos. Diante desse cenário, estamos fartos e escolhemos transitar. Ponto. Só que sentar sobre o que quer que seja e começar a listar as infinitas dinâmicas entre abusador e abusado, sabe… é coisa de criança que espera que um adulto defina quem vai para o castigo e quem vai ganhar o prêmio.

Ainda somos crianças em muitas reações, e também isso precisa transitar. Adulto não está na vida como num jogo de bandido e mocinho, adulto escolhe a partir de suas circunstâncias e banca sua escolha.

O adulto tem condições para a escolha. Foi uma situação abusiva que se repetiu? Sim, foi, mas você escolheu ficar. Foi uma situação que explorou recursos do outro usando o inconsciente? Sim, foi, mas o adulto do outro escolheu comprar. Foi um salário diferente? Sim, foi, mas não estamos deslocados da história. Três movimentos nos fortalecem: (1) Trazer para campo aberto a consciência sobre o que não cabe mais, sem acusação. (2) Apropriar da força da história. (3) Nos abrir para escolhas diferentes: no trabalho, nos relacionamentos, no marketing, na vida.

Adelante, avancemos.

Paula Quintão

11 de maio de 2019

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Publicado em Paula Quintão, Realização

MOMENTO CAOS DA ESFINGE sobre definir o que fazemos

Paula Quintão | 18 de abril de 2019

Os últimos dias trouxeram um “pequeno” caos. Gosto dessa foto da Trilha Inca e com ela ilustrarei o que conto, explico. Vivi dias de reforma sobre as definições do que faço. Sexta passada eu tinha uma inocente entrevista para apresentar meu negócio para participar de um grupo de empresários de São Paulo. Diante de mim, com seu computador e suas perguntas previamente formuladas, estava o Mauro. “Vamos começar com o mais simples: o que você faz?”.

Quanta ironia guardada na expressão “simples”. Mesmo depois de 6 anos frente ao meu negócio e vivendo com alegria minha entrega ao mundo, me vi emaranhada pelos desdobramentos daquela pergunta. Respondi, mas o Mauro não se deu por satisfeito. “Escolha uma expressão: Mentora? Escritora? Fundadora? Criadora? Inventora?”. Lá pelas tantas eu já estava apavorada olhando para o Mauro. “Meu deus! Parece um parto!”. O Mauro só conseguiu dar a palavra amiga de que era apoiador dos partos humanizados. Eu vivia meu fórceps. Adiei a definição, nos despedimos. E assim que o Mauro se foi meu mundo estava desabado. “Que porcaria de definição é essa que até hoje me falta para dizer com clareza o que faço, Paula?“.

Pedi ao garçom uma torrada com doce de leite duplo e aquele pedido revelava a alma: eu estava em crise. Digamos que o nome gentil seria “crise”, o nome real seria “surto-emocional-seguido-de-sofá-e-edredon-em-plena-tarde-amparado-por-amendoim-da-casca-açucarada”. Pois bem… as tormentas são bem-vindas, são mesmo a minha natureza, e a verdade é que a vida se torna extremamente generosa nesses momentos. Minha reclamação sobre ter transformado meu negócio no enigma da esfinge, virou logo de ponta cabeça tal qual a carta do tarot do enforcado que vê o mundo por outro ângulo.

“Sabe, Paula, ser esfinge não é tão mal assim, pelo contrário, guarda um grande poder”. No instante em que me admiti esfinge, uma transformação na base das minhas definições e rumos se instalou.

A Paula-Maia de lenço na cabeça, que alguns dos meus mentorandos conhecem e raros amigos, recebe seu lugar, um lugar em que partes importantes de mim têm espaço para ser. Durante a páscoa alinho e logo partilho. Essa foi a introdução. Avancemos.

Paula Quintão

 

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NOTRE DAME EM CHAMAS sobre perceber a vida ser diferente de entender

Paula Quintão | 16 de abril de 2019

foto de @wonguy974

A nossa busca por entender nos impede de ver. Entre tantos movimentos de conexão que vivo há semanas, uma vez mais me vi diante de algo tão maior que me colocar a entender seria um grande desperdício da força que estava posta.

Notre Dame em chamas. Eu estava no meio de uma reunião organizando um evento sobre o feminino em Porto Alegre quando relembrei o episódio do Museu Nacional em chamas brincando que as chamas começaram assim que a palestrante que falava antes de mim num encontro em Gramado pediu às mulheres para sorrirem aos seus maridos mesmo quando não tinham vontade. “Aquela fala dela fez o Museu pegar fogo, certeza”, brinquei.

Nesse instante, uma das participantes da reunião vem com o celular na mão contanto que Notre Dame estava em chamas. Recebi a notícia de Notre Dame ao mencionar o Museu Nacional e o trabalho com o feminino. Mal pude acreditar.

Quanta sincronia há nisso? Em pontos assim da vida entender é um movimento da mente cartesiana que quer transformar os fatos em matemática. E isso diminuiu. Perceber, ao contrário, é um movimento da alma que junta peças, ilumina lugares, destaca conexões, enxerga as sincronias e graças a isso participa da dança da vida. Notre Dame estava plenamente encaixada na minha segunda-feira depois de um final de semana intenso visitando em minhas explorações o Egito, os gregos, os mitos, o feminino sagrado, os templários, o Caminho de Santiago que é um caminho de Isis.

Notre Dame estava encaixada no meu instante de reunião. Notre Dame, e toda a força que representa do feminino de Isis, Maria e Madalana, está em total sintonia com o que a vida tem me mostrado. Não entendo, mas percebo: estou inserida na vida. O fogo de Notre Dame me revelou ser parte. E eu, ao invés de entender, me percebi na vida.

Paula Quintão

16 de abril de 2019

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MARIA MADALENA sobre a liberação que vem da ancestralidade

Paula Quintão | 10 de abril de 2019

Liguei pra minha avó Maria nesse dez de abril. Eu cá com meus processos, nessas horas uma avó sempre tem algo pra te dar.

Ela não atendeu. Pedi pra me ligar.

Quando saí do banho, lá estava ela me chamando.

“Oi, Paula! Eu sei porque você me ligou. Estou há três dias pensando em você o tempo todo”.

“Vó! Que saudade. Vi suas fotos tão lindas no jardim.”.

“Sabe o que é, Paula, não sei se você sabe. Eu falei sobre você com o Ivan que vai casar. Eu disse pra ele pra conversar contigo porque além de ter sabedorias você é muito experiente”. Hahahahaha melhor elogio que se pode receber tinha que vir da minha avó. Nessa manhã de quarta, me sentindo a própria Maria Madalena. 🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹divando. Seguir escrevendo meu livro sobre relacionamentos porque no final do inverno meu “evangelho” estará pronto.

Paula Quintão

10 de abril de 2019

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DESCANSAR EM PAZ? sobre a pulsão de morte

Paula Quintão | 26 de março de 2019

“Que bom que está chegando o final de semana pra eu ‘descansar em paz’, que bom que está chegando a aposentadoria, que bom que estão chegando as férias”… é comum ouvirmos esse discurso, ele está presente nas nossas veias. A ideia de recompensa no final do caminho é a cultura que molda muitas das nossas ações e escolhas no dia a dia.

E o que tenho pra te dizer é que pautar ação no presente por uma recompensa no futuro não é algo que vai cair bem no longo prazo. Bem, desde a live de ontem sobre empreender nossas vidas essa foi a mensagem típica que eu mais recebi “mas, Paula, qual o problema de eu esperar pela minha aposentadoria ou torcer para chegarem minhas férias?”.

Minha gente! Não tem problema aparente nenhum, só que você tem que observar o seguinte no seu desejo por férias, ou final de semana, ou aposentadoria: eles são suas recompensas por ter feito o caminho que escolheu fazer? Você está se sentindo vivo e recompensado durante o seu caminho que é feito no dia a dia, passo após o outro? Você está vivendo sua vida esperando o momento que vai poder descansar, finalmente?!

Você só faz o que faz porque depois vai ser recompensado com não movimento? Essas questões ajudam a perceber se você está se mantendo vivo no caminho, se você está presente no hoje e nas trocas e servir que estão ativos a todo instante ou se está fora da vida: ou num movimento de pulsão de morte, que é muito parecido desejar “descansar em paz”, ficar em paz, ter a vida ganha. Ou num estado de total ausência do que vive no instante presente.

Com essas pistas você pode explorar sua postura diante do agora, que é de fato o único momento em que podemos escolher estar vivos.

Paula Quintão

26 de março de 2019

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EMPREENDA SUA VERDADE sobre os negócios não nascerem de um lugar aleatório

Paula Quintão | 21 de março de 2019

Nossos negócios não nascem de um lugar aleatório – nem devem nascer se queremos que eles prosperem e se fortaleçam. Nossos negócios nascem do que somos, da bagagem que acumulamos, dos valores que carregamos, das verdades que nos constituem.

Fazer o negócio extensão da própria vida é tornar o dia a dia, tornar a entrega e o servir, o criar e o partilhar, um movimento natural capaz de fazer de nós seres humanos mais realizados e desenvolvidos – seres em expansão graças ao fato de estarmos em pleno exercício das nossas habilidades, competências e virtudes. Avancemos, portanto, nessa direção: empreenda sua verdade.

São 6 anos de negócio, ontem fui tomar um café, escrever sobre a vida, refletir um pouco. São durante os momentos que me fazem bem que me coloco a escrever sobre pontos da minha vida. Desde 2013 a aventura – externa e interna – do empreender permeia toda a minha vida e me faz perceber, cada dia mais, o quanto nascemos todos com o potencial empreendedor que se fortalece quando estamos juntos.

Há em nós um grande poder quando acordamos todos os dias e nos perguntamos “Por que eu faço o que faço? Pra quem? Por quem?”. Meu coração só sossegou numa direção quando essas perguntas foram respondidas. E só foi possível respondê-las quando me coloquei diante do meu negócio e da minha verdade.

Graças a isso sinto guiança e presença em minhas entregas como mentora, como palestrante, como professora, como escritora, como criadora. Graças a isso tenho forças para guiar a Escola de Rumos, o Coragem Para Empreender, a Editora Suban!. Tudo o que eu faço nasce de um norte interno que me leva em direção ao meu oceano.

E nesse caminho é uma honra – e uma força – ter ao meu lado pessoas como você, como meus clientes, como meus companheiros de empreenderismo, como meus leitores. De um domingo, escrevo agradecida.

Paula Quintão

21 de março de 2019

 

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O FEITO É SOBERANO sobre avançar no passo a passo

Paula Quintão | 19 de março de 2019

Uma foto que tenho guardada de Minas Gerais porque estou com saudade da minha terra e da casa dos meus pais esses dias.

Mas quero mesmo é contar e refletir sobre uma história que se passou não em Minas, mas nas trilhas que levam ao Monte Roraima. Naquele dia a caminhada era longa sob o sol quente, imagino que uns 9km de subidas intercaladas por descidas – diferente de se caminhar pela cidade, você pode imaginar.

E lá pelas tantas já estávamos todos do grupo cansados. O Teodoro, que é o líder dos indígenas que acompanham o grupo, estava ao meu lado e um dos colegas perguntou: “falta quanto tempo pra chegar, Teodoro?”. Ele levou uns segundos de silêncio. “Meia hora”. Andamos mais. E mais. E mais. “Quanto tempo pra chegar, Teodoro?”, de novo perguntaram. E ele igualmente depois de instantes em silêncio: “meia hora”. =)) Hahahahah é genial!

Simplesmente amo essa história, ela me ensina todos os dias a lembrar que a vida acontece no processo, não nos tempos cronometrados – porque sou a rainha do timer. Hoje durante uma sessão de mentoria falávamos sobre a rotina e a lista de afazeres, também sobre a angústia de ver o tempo escorrer entre os dedos. Organizar, planejar, colocar no papel… tudo isso tem seu valor. Deixa mesmo a coisa mais focada. Mas não se pode perder de vista, por causa de toda essa parafernália, a vida que acontece naquele instante, a construção do dia a dia, a execução do seu plano, a pessoa diante de você que precisa de atenção, o estar inteiro e presente no agora seguindo em direção ao caminho que se propôs.

E aí pouco interessa se falta meia hora, uma hora, mil horas. Tanto faz. Na sua caminhada do dia a dia, diante do seu negócio ou de qualquer ato empreendedor, interessa que no intervalo de tempo em que você está ali para se dedicar ao que é para ser feito, você esteja totalmente presente e o faça. As confabulações que criamos ao planejar não vão nem de perto se comparar ao que está feito, ao percurso caminhado. E uma vez caminhado, pouco interessa o tempo que aquele trajeto levou. Avancemos.

Paula Quintão

19 de março de 2019

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A RAINHA DA HOSPITALIDADE. sobre aprender a receber o outro.

Paula Quintão | 27 de novembro de 2018

Era naquele airbnb que eu ficaria durante a estada em Belo Horizonte em dias de Escape. Um quarto no apartamento da Niusa.

Cheguei. Uma baiana.

“Oi, Paula, deixa eu abraçar você. E veja aqui, que bom te receber”.

Foi me mostrando tudo, primeiro a cozinha, e dentro da geladeira.

Quando as pessoas nos recebem abrindo a geladeira me encanto, me lembro da minha avó Selma, ela e sua acolhida, ela e sua alma abundante que tem tudo a oferecer, ela e sua generosidade de um ato que diz “aqui você também é bem-vinda”.

E lá dentro da geladeira da Niusa, entre potes bem organizados,  estava o iogurte que ela mesma faz e serve no café da manhã. “Raridade”, pontuava a plataforma do airbnb. Admiro quem faz o próprio iogurte. E quem faz o próprio pão. E a geléia. E a pasta de amendoim. Há algo na alma dessas pessoas que anuncia autocuidado, autoamor. E meu coração se abastece só de ver, lembrando de se amar também.

“Você vai ficar no meu quarto porque tem aqui um músico cego que me pediu para ficar mais uns dias”.

O quarto todo cuidado.

E a chave.

E a porta.

E a sensação de casa.

Ela me contou da sua história. Da dor de perder seu filho com 12 anos. Da depressão tão severa que viveu. Dos anos morando no mosteiro budista. Do seu pai quando partiu. E eu saí de lá em encantamento. Com o peito cheio por ver como é bonito quem recebe bem, como é bonito ser gentil com as pessoas e com a gente mesmo, como é afetuoso sorrir e abraçar, como um sorriso quando a gente chega faz diferença.

E eu só pude enxergar toda essa beleza porque a vida vai me dando as pistas e os símbolos para que eu aprenda também a ser assim, a abrir mais meus braços, a sorrir mais com o coração, a receber quem chega na minha vida com carinho.

E à Niusa agradeço as lições, a sábia presença que me ensinou tanto.

27 de novembro de 2018

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DNA ATUALIZADO sobre sobreviver ao voo mais turbulento atingido por um raio

Paula Quintão | 25 de novembro de 2018

Status atualizado: sobrevivente a voo atingido por raio e o mais turbulento da história da minha vida.
 
Na minha frente uma freira. Na fileira do lado um cara que voava pela primeira vez. Do meu lado um piloto de avião. Lá na cabine o piloto Latam anunciando manutenção de imprevisto no voo. “Nós da tripulação desse voo não aceitaremos voar se não estivermos com garantia de 110% de segurança”.
 
É, faça-me o favor e realmente não aceitem, agradeço. Uma hora arrumando lá fora. Os 201 passageiros lá dentro com seus 80 volumes de bagagem esperando – tinham feito as contas antes na fila de embarque.
 
Voamos. “O céu está muito encoberto até São Paulo, vamos precisar criar alguns desvios de rota, tudo está muito carregado”, entrou o piloto 110% da Latam falando no alto falante.
 
O piloto ao meu lado tinha um ex-medo de avião. Liberou fazendo curso e aprendendo a voar. “Tirei nota 10 em aerodinâmica”, além dos detalhes sobre o avião e seus voos, tinha umas histórias engraçadas sobre sua câmera de celular que produzia fotos borradas até que percebeu depois de um tempão que não tinha retirado a película protetora. Balançava e eu ria. Enquanto meu voo ameaçava cair, com ele aprendi sobre as asas que podem se dobrar, sobre a calda que vira sei lá como, sobre os pontos mais seguros, só não aprendi sobre os raios e trovões.
 
No mapa dava pra ver o piloto Latam zigzagueando entre Belo Horizonte e São Paulo buscando um espaço entre as nuvens para chegar em Guarulhos. Balança, balança, balança. “Nunca vi relato de avião cair por causa de turbulência”, anunciou o ex-medo ao meu lado.
 
Só que sexta teve evento do Escape e eu saí de lá com meu novo amigo de infância Ricardo Trajano e sua palestra sobre sua história de ser o único sobrevivente em um voo da Varig que caiu há uns bons anos. Admiração por ele, empatia à flor da pele, e ali meu voo balançando de um jeito que nunca vi antes. “Meu deus, que a vida também venha me abraçar como veio para salvar o Ricardo”.
 
E então… “Buuuum!”, um estouro imenso. Um raio na asa direita do avião. As luzes da aeronave oscilam. Uns gritam, uns ficam mudos. Meu-deus-do-céu!
 
Silêncio.
 
“Isso eu nunca vi”, o ex-medo anunciou ao meu lado. Eu no medo.
“Senhoras e senhores. Mantenham os cintos afivelados. Nosso procedimento de pouso será em condições turbulentas”.
 
E dá-lhe turbulência.
E a freira. E o moço de primeira vez na fileira ao lado. E o piloto ex-medo. E eu. E as histórias da palestra do Ricardo.
Era tudo um rezo só.
 
Turbulento. Turbulento. Turbulento.
Pousa.
 
Nunca vi passageiros vibrarem e gritarem tanto de alegria num pouso. O piloto 110% Latam foi promovido a piloto 1000% da vida.
 
“Aqui, como é seu nome moço da primeira vez que está voando?!”, perguntei que era pra garantir, provavelmente foi a vida me abraçando. “É, Breno!”. Breno. Anotei. “Breno, meu filho, eu vou checar toda vez que for voar se tem Breno na lista de passageiros que é pra eu decidir se corro esse risco ou não”. Rimos com a aeromoça que passou por nós com sorriso Latam, “Foi um voo tão tranquilo e suave”. O Breno já estava decidido que a volta era de carro. E eu já estava dali vendo minha vida que amo, a Clara, o Alexandre, meus pais, minha irmã, meus amigos. E nós saímos rindo, um alívio. Prontos pra recomeçar sobreviventes.
Paula Quintão, 24 de novembro de 2018
 
…….
DNA atualizado com sucesso. Pactos de vida refeitos para meu novo setênio.
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CADA VENTO NO ROSTO GUARDA UMA MENSAGEM sobre aprender pela dor ou pelo amor

Paula Quintão | 21 de novembro de 2018

Existe algo que aprendi. Uma sabedoria maior que a sabedoria que eu tinha.

E quando há uma sabedoria maior, é sábio também que a gente abandone o que acreditava antes.

É assim que as coisas avançam no mundo de dentro. E no mundo de fora.

E esse algo tem a ver com os modos de se aprender.

Pode se aprender pelo amor ou pela dor. Dois caminhos. Mesmo objetivo: ampliar a consciência, ampliar o poder da vida.

Quanto mais consciente estamos, mais em contato com nossa real natureza e real poder.

Pela dor já se sabe como aprendemos. Dói no corpo, dói na alma. E aí nada mais pode ser cuidado a não ser a própria dor. A dor se sobressai a tudo. É preciso olhar. Ela chama atenção. Ela tira as distrações. Pode ser uma dor física. Pode ser uma dor da alma. Não interessa, tudo o que a dor pede é “pare, por favor, e olhe. E sinta. E perceba. E compreenda.”.

Ao compreender a fala da dor, um aprendizado se desprende dela. E uma vez integrando esse aprendizado, é possível ampliar sua consciência, ampliar o poder da vida.

Você também pode tentar umas outras anestesias para a dor. Não adianta. A dor é como água que escorre, é como o amor… “passa por debaixo da porta”, bem diz meu amigo Silas. E você é livre para escolher o seu tempo de aprender. A vida te libera a escolha, mas não te libera da vida: é preciso ampliar a consciência, nascer da noite para o dia, da barriga de nossa mãe para o mundo. E como canta o Arnaldo Antunes, “é preciso não ter cabimento para crescer”. Só crescemos ampliando a visão.

Mas há também outro modo de aprender. Um modo que muito me interessa. Aprender pelo amor.

O amor se apresenta de maneira mais sutil. Mais invisível. O amor é aquela brisa que venta de leve no nosso rosto. Quase imperceptível, quase ignorável.

Dá para ignorar uma brisa. Mas não dá para ignorar um atropelamento. Pelo amor o aprendizado vem em símbolos, vem macio. Pela dor o aprendizado vem assim, como um caminhão que nos acerta na calçada.

O amor se comunica em símbolos. E dentro da dinâmica da ampliação da consciência, não existe evento pequeno ou evento grande. Não existe grandes feitos e insignificâncias. Sábio era o Manoel de Barros que prezava mais insetos que aviões. Ele aprendia bem pelo amor. O amor se comunica pelos símbolos. E o simbólico se repete aqui numa conversa com o seu amigo, ali na padaria do bairro, ali no seu relacionamento amoroso. O simbólico se repete na sua dificuldade de empreender, nas situações que você passa no trânsito. O mesmo símbolo. Sutil e macio. Leve e como brisa. Buscando revelar algum aprendizado que você pode ignorar… até um dia, adivinha?!, se transforma em dor.

A dor é todo o amor que se acumulou pedindo “por favor, será que você poderia parar um instante e olhar para mim agora?”.

Eu valorizo os símbolos. Isso pode parecer bobagem. Mas pra mim importa receber o que o amor traz de mensagens para que a dor só venha quando realmente for necessária. Há muito tempo eu já não desperdiço nenhuma dor, aprendo e mergulho em todas. E também há muito tempo eu venho me dedicando a aprender a me abrir para as mensagens que o amor traz. Na brisa suave. No vento macio. Nas insignificâncias do dia a dia. Nos símbolos de tudo o que vivo.

Paula Quintão

21 de novembro de 2018

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