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EMBARCANDO EM CANOAS FURADAS sobre as ciladas que são presentes divinos

Paula Quintão | 18 de junho de 2017

Dia dessas uma leitora me escreveu no email, era um comentário ao meu texto sobre os solavancos que a vida traz. Contava dos seus relacionamentos amorosos que chamou de verdadeiras “canoas furadas”. Gostei da expressão que ela escolheu… “canoas furadas”! Esses relacionamentos que parecem promissores à princípio e depois afundam bonito, e dependendo afundamos juntos, damos aquela afogada mesmo em águas rasas.

Trocamos lá nossos olhares e nossas histórias curadas. E na hora em que eu respondia ao email, enquanto ainda rascunhava sobre os meus aprendizados, eu me lembrei da vez que eu mesma estive, literalmente, numa canoa furada.

E só de começar a rememorar o episódio, cai em risadas sozinha. Eu pude rir alto, essas graças que não cabem em silêncio dentro de nós. Era feliz a lembrança, era divertida a história, e agora, depois de 7 anos daquela vivência, quantas nuances a mais eu enxergo.

Eu estava em São Gabriel da Cachoeira, uma viagem que era à trabalho e que era também de exploração constante pra mim.

São Gabriel é um encanto de lugar, fica ao extremo noroeste do Brasil, lá no topo do Amazonas. São Gabriel tem uma paisagem sem igual, nunca estive em terras de beleza e de energia tão linda quanto as que encontrei lá. Eu me sintonizei profundamente, entrei numa frequência muito especial. E aqueles dias de viagem foram um presente pra mim, tudo me encantava. Muitas histórias e muitos aprendizados em uma cidade em que quase toda a sua população é de indígenas.

Aconteceu que no último dia estava marcado um passeio antes de pegarmos nosso voo de volta para Manaus.

O grupo de professores que estava comigo contratou a tal da lancha para navegarmos pelo Rio Negro – uma lancha que definitivamente destoava da paisagem local, que é toda simples, toda artesanal, toda de madeira talhada pelas próprias mãos. E lá estava a lancha… imensa e imponente. Pois bem, vamos de lancha.

Fizemos uns bons passeios. Visitamos algumas comunidades indígenas. Escrevi e escrevi, me encantei e encantei.

Eis que retornando para a cidade, descendo o rio de volta, o combustível da lancha acaba.

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AS CRIANÇAS E O MISTÉRIO DE ANAMÃ sobre ter olhos para perceber

Paula Quintão | 9 de abril de 2017

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Durante o tempo que morei em Manaus um dos projetos vivos era meu blog de escritos Manaus pra Mim e numa altura da coisa criei também uma revista digital que era uma outra forma de produzir conteúdo. Era bem linda a Manaus Pra Mim Em Revista e um dos movimentos que fizemos na época foi uma visita ao município de Anamã, no interior do Amazonas.

Para chegar até lá fomos de barco naquele estilo balança mas não cai que o rio agitado proporciona. Chegamos à bela Anamã e a cidade em poucos minutos ganhou meu coração. Tantas casas coloridas criavam uma atmosfera de um conto de fadas tipicamente amazônico.
E uma das programações que tínhamos era visitar uma comunidade indígena nas redondezas da cidade. Lá vamos nós, dessa vez de voadeira, e avançamos até chegar na comunidade.
Chegar à comunidades indígenas, todas as vezes que pude vivenciar essa experiência, me traz uma sensação de olhos arregalados de curiosidade e ao mesmo tempo um silêncio e um caminhar de respeito.
E enquanto éramos recebidos e nos explicavam como a comunidade se organizava, o que plantavam, como era viver ali, pelo caminho estava um grupo de crianças super entretidas com uma brincadeira.
À medida que fui me aproximando, percebia minuto a minuto o que era a brincadeira.

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CONTROLE, EU ME DESPEÇO sobre deixar o inesperado entrar

Paula Quintão | 7 de fevereiro de 2016

Lá chegamos eu e Clara em Barcelona. Pousamos depois de uma viagem de mais ou menos 15horas. Um tanto cansadas, mas felizes. Eu, Clara, as mochilas e meu papel impresso com o endereço do hotel reservado. No caso, fiz questão de imprimir para a coisa toda ficar bem organizada quando eu chegasse na Espanha e quando tivesse que usar meu “espanholito” no táxi.

O taxista logo olhou o endereço e me disse algo que entendi como “essa sua reserva não é em Barcelona”. Disse de uma forma pausada e calma para não me causar pânico.

“Hum. Não é em Barcelona?!” Levei um tempo para processar. “Tenho aqui outro papel, devo ter te entregado a reserva errada”.

E ele explicou que o papel era aquele mesmo. “Sua reserva é em Sabadell, uma cidade vizinha que tem cerca de 300 mil habitantes e fica a mais ou menos 30 minutos daqui”.

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SEMENTES QUE VIVEM EM NÓS

Paula Quintão | 24 de dezembro de 2015

Olhar as sementes sempre me encantou. Fico olhando a mágica que está guardada ali dentro e me encanto. Basta um pouco de terra fértil e água, e “voilá!”, a magia se faz.

“Não há fruto sem semente”, era o que Amélia Clark dizia em sua palestra sobre dinheiro e espiritualidade, sobre não haver dúvida de que seremos providos, sobre o universo e sua abundância há alguns dias no Rio de Janeiro.

E estamos em tempo de natal. E o natal é tempo da magia. A magia da partilha, da mesa posta pelo que a terra nos trouxe, do abraço de afeto, do nascimento. O nascimento é o grande centro do natal. O nascimento de Jesus que é um dos maiores representantes da vivência do amor nesse mundo. E  o nascimento nada mais é do que o germinar da semente graças a um processo de muito amor e acolhida – seja da terra, seja do útero, seja do coração. É o despertar. É o florescer. É o vir à vida. O nascimento está a acontecer ao nosso redor a todo o tempo. É uma mágica. Basta ter olhos para ver.

Cada um de nós, a sua maneira, está no natal a celebrar “nascimentos”.

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VOCÊ DESISTIU? SERÁ QUE FOI ISSO MESMO? sobre a desistência e a persistência

Paula Quintão | 20 de dezembro de 2015

Para hoje, me permito trazer como texto de domingo escritos que publiquei há alguns meses no correio para meus leitores e no meu facebook. É um texto pelo qual tenho muito carinho. Naquele momento eu estava seguindo rumo a Santiago de Compostela, a caminhar meus 800km em 36 dias. Foi uma longa jornada e por lá eu descobri que o Caminho de Santiago nada mais é do que uma grande metáfora da vida real: nós com nossas metas (nossos muitos Santiagos), nossos passos dados, nossa intuição, nossa vontade de seguir em frente quando o destino ainda está iluminado.

O que nos faz continuar seguindo rumo a nossos sonhos?

Aprendi muito sobre persistência. Aprendi principalmente que persistir não tem a ver com ir em frente custe o que custar, mas sim ir em frente rumo ao que está iluminado para nós. E que quando essa luz se apaga, por que ficamos insistindo em seguir naquele rumo?! Mudar de rumos não tem a ver com desistir, a vida me ensinou e graças a isso tirou quilos e quilos de peso das minhas costas.

Vamos ao meu texto de 07 de outubro desse 2015.

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IR AO CAMINHO PARA APRENDER A CAMINHAR, sobre a vida trazer os ensinamentos que mais precisamos

Paula Quintão | 22 de novembro de 2015

Caminhava há 10 dias e meu corpo seguia bem. Quando comecei o Caminho de Santiago, mesmo sabendo que diante de mim estavam 800km a percorrer (ou quase 900km, caso eu resolvesse ir até Finesterre), toda essa distância não me deixava preocupada. Aprendi que a vida é mesmo esse um passo depois do outro.

Fui bem consciente de que com o passar dos dias meu corpo se sentiria ainda mais habituado a caminhar, caminhar e caminhar.

“É lá pelo décimo dia que seu corpo entra num estado de aceitação e tudo fica melhor”, um amigo me falou antes mesmo da minha partida.

Acontece que exatamente no décimo dia, uma dor terrível se instalou na minha perna. Talvez por causa da mochila pesada demais, talvez por causa da noite mal dormida… não sei o que houve. Mas de um minuto para o outro eu perdi o movimento de uma das pernas. Dor, dor, dor. Comecei a andar quase me arrastando.

Meu plano ainda era caminhar mais 12km aquele dia. O que se tornou impossível. Completei os 2km que me distanciavam do próximo lugarejo com muita dificuldade, andando muito lentamente, até que finalmente cheguei.

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CELEBRANDO SANTIAGO. OS CAMINHOS NÃO SÃO FEITOS DE QUILÔMETROS

Paula Quintão | 18 de outubro de 2015

 

Quando desci a montanha enxergando Santiago de Compostela em meu horizonte meus olhos mal podiam acreditar no que estava bem diante de mim. “Eu estou aqui, não acredito!”. A história toda merece um livro. As últimas 24 horas merecem uma crônica especial e nos próximos dias escreverei e escreverei.

Mas hoje, enquanto todas as emoções vão encontrando espaço e um canto dentro de mim, quero falar sobre nossa caminhada de vida. O Caminho de Santiago nada mais é que uma grande metáfora de nossas vidas cotidianas. Somos todos peregrinos. Cada um com suas escolhas, fazendo o seu melhor a cada dia, na medida do que é possível para nós.

Um caminho que não tem certo ou errado, que não tem bom ou ruim, que não tem bonito ou feio. O que há é um constante escolher e seguir, seguir e escolher, escolher e seguir, seguir e escolher. Assim é a vida.

Centenas e centenas de quilômetros, dezenas de dias, horas e horas sob o sol e sob a chuva, noites bem dormidas e noites muito mal dormidas, banhos frios e banhos quentes, comidas acolhedoras, muita água e um passo após o outro.

Eu estava em Santiago. E então estava em Finesterre. E então estou aqui. A jornada não tem fim. Tudo é passagem. Escolhemos um marco ou outro sobre onde queremos estar, e quando estamos lá podemos nos sentar por um instante, respirar fundo, mas só nos resta seguir. A vida é um constante seguir. Os topos da vida, aqueles pontos de conquista, não são moradas para permanecermos neles. Assim como os grandes momentos de fundo do poço são só de passagem. Tudo é passagem.

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O caminho não é feito de quantos passos damos. Ou de quantos quilômetros percorremos. Ou de quanto tempo levamos para chegar. O caminho não é feito pela nossa idade, pelos nossos anos vividos, por quanto temos, por quanto gastamos, por quanto ganhamos.

O caminho é feito pelas experiências, pelos encontros e aprendizados, pelas trocas e partilhas, pelo que acumulamos internamente, pelas memórias e lembranças que cultivamos, pelo que deixamos para trás, pelo que colhemos e nos transformou.

O caminho de Santiago, assim como o caminho da vida, é um seguir em frente constante, é um refazer as malas todos os dias, é estar só com o que é essencial e deixar para trás o que não precisamos mais, é um estar aqui e agora, é encontrar pessoas lindas, únicas e especiais, viver com elas o mais profundo encontro de almas e nos despedirmos sem sequer saber o nome. Nessas horas em que as pessoas seguem seus caminhos, coração aperta, mas lembramos que a vida é um deixar ir.

Hoje sou só emoção. Mas uma emoção não por ter chegado em Santiago apenas, não só por ter concluído essa jornada. É um belo momento e daqui, por dentro, estou em celebração. Mas minha emoção e meu profundo estado de sensibilidade é pela beleza que é essa nossa existência humana, tão finita que é, tão passageira que é… a beleza de cada dia que temos para viver exatamente como queremos, para sermos nossa verdade, para fazermos nossas escolhas e para termos a oportunidade de partilhar com um e outro pequenos momentos.

Seguimos.

Paula Quintão.

18 de outubro de 2015

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A TRANSCORRER VIAGEM

Paula Quintão | 1 de setembro de 2015

Independente de qual seja a nossa crença, algo é certo: somos seres finitos a percorrer essa vida, tal como ela é, por um breve intervalo no tempo. Um intervalo que começa no momento em que nascemos e termina ao nos despedirmos dessa existência

Seguir a vida é transcorrer viagem. A transcorrer viagem vamos aprendendo com cada experiência, despertando com cada desafio, modificando o que sentimos e descobrindo a essência de quem somos. As viagens e peregrinações nada mais são do que uma grande metáfora da vida.

As vivências vão se tornando aprendizados que carregamos na mochila. Por aqui, dentro da minha mochila, tenho minha filha e todos os crescimentos que vieram da maternidade, tenho minhas andanças pelo mundo, tenho os anos que vivi em Manaus, tenho meus dois casamentos, cada qual com suas belezas, com seus inícios, meios e fins, tenho meus passos pelas trilhas, tenho as linhas que escrevo, tenho o mestrado e o doutorado, tenho as pessoas que passam para deixar algo e para me entregar algo também. A vida é um eterno encher e esvaziar a mochila.

Cada experiência vai trazendo um novo aprendizado para ser guardado por nós. A mochila que se enche de experiências e aprendizados não pesa. Pelo contrário. A medida que enche, mais leve fica, porque quanto mais aprendemos, mais nos conhecemos, mais nos transformamos, mais nos curamos e mais nos libertamos do ter para o ser.

E pelos próximos 40 dias vou acrescentar à minha mochila cada um dos meus passos pelos 900km do Caminho de Santiago de Compostela, saindo da França e chegando a Finesterre, onde a Espanha vira mar. Se o divino permitir, assim será. Aprendizados que viram partilhas nessa minha jornada de entregas.

Paula Quintão. Barbacena, 01 de setembro de 2015.

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FEIRA DE HISTÓRIAS

Paula Quintão | 26 de julho de 2015

Domingo é dia de feira. Faça chuva ou faça sol, lá estão os produtores montando suas bancas de bananas, tomates, cebolas e abobrinhas.

Começam bem cedinho e vêm dos mais arredores da cidade. Alguns vêm de kombi, outros de caminhonete, todos com suas caixas cheias.

Ir à feira é viver uma verdadeira aventura de exploração da existência humana. Uma riqueza de experiências e detalhes dignos dos melhores filmes de cinema.

E tem a senhora que foi acompanhada com seu cachorrinho, ela só com uma sacola, mais interessada em olhar os preços do que comprar, ele com seu focinho farejador, mais interessado em explorar do que em seguir com a dona.

O senhor que prepara os churrasquinhos fazendo o cheiro de carne espalhar pelo ar, tipo nos desenhos do Tom e Jerry, e hipnotiza homens e mulheres que fazem fila às 8h da manhã.

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Tem as filosofias sobre relacionamento e sobre as mulheres… sobre ser um homem casado “direito” que fica em casa bebendo cachaça tranquilo, tranquilo… “melhor assim, sô, que não dá problema com a patroa”.

O senhor que vai de mãos dadas com o seu netinho, ele com seus 8 anos ainda não tem dimensão do que é uma feira, mas acompanha com seus olhos atentos cada movimento e cada instrução do seu avô, que conta as pratinhas e entrega na mão do neto para ele pagar o que compraram.

A comadre encontra a comadre, abraços abraços, e tricotam sobre os filhos, os maridos e os trabalhos de casa.

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PIRACANGA NOS ENSINA A VER

Paula Quintão | 9 de julho de 2015

Há três anos uma grande amiga que as trilhas do Monte Roraima trouxe para minha vida me escreveu um e-mail para contar que tinha conhecido Piracanga. Em poucas linhas descreveu a magia do lugar e se despediu com uma ordem muito simples “você TEM que ir lá, vai escrever outro livro”.

Acreditei na Flávia na mesma hora e desejei, a partir daquele instante, que os ventos me levassem a Piracanga. E ao longo dos últimos três anos, entre idas e vindas, aquele pontinho no mapa, ao sul da Bahia, banhado pelo mar e entrecortado pelo rio, ficou no meu horizonte, esperando, pacientemente, o momento de se tornar realidade.

Pois o momento chegou. Junho de 2015. Marquei no calendário, entrei no site dezenas e dezenas de vezes conferindo a programação, reservei orçamento, ajeitei passagem e me liberei por 12 dias dos meus movimentos para ir ao retiro de leitura de aura.

“Piracanga tem rio, tem mar, tem floresta”, era o que eu repetia para mim mesma e para quem me perguntava onde eu estava indo. Minha única expectativa era estar em Piracanga, nada mais, só estar… o que quer que estivesse reservado para esses dias se revelaria.

 

E assim eu fui. E ao chegar a Piracanga, tudo o que eu dizia era… “estou impressionada”, porque não havia palavras ou frases longas para sintetizar o que eu vivia naquela ecovila de simplicidade única.

A dimensão de beleza de tudo o que se passa naquelas terras e águas nos toca profundamente e nos faz olhar para vida enxergando outras cores, outros sons, outros brilhos.

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