DIANTE DE UMA TRAIÇÃO, A PARTE QUE CABE A VOCÊ sobre nossa parte na história

Ontem, depois de assistir ao “Lobo de Wall Street“, a sensação mais forte que tive, além de achar Dicaprio um ator merecedor do Oscar, é que as relações baseadas em traição soam extremamente tristes para mim, apesar de essa nem ser a tônica do filme.

As histórias de traição no relacionamento sempre me tocam bastante. E por muitos anos na minha vida o medo de ser traída reinou em mim e meu estado de tensão, digamos assim, era quase constante. Tinha medo que o outro vivesse uma história em paralelo, tinha medo de descobrir que estava sendo traída, tinha medo de ser trocada por outra. Mil maquinações das mais terríveis atravessavam meu espírito constantemente e imersa nessa energia não pude viver muitos dos meus relacionamentos de maneira plena.

Escolhi, num determinado momento da minha vida, confiar nas pessoas e com base no que elas fazem, vou mantendo ou não a confiança. Fiz essa escolha para todas as áreas da minha vida e aplicá-la nos meus relacionamentos afetivos para foi uma das escolhas mais libertadoras que fiz na minha vida.

Depois de anos de reflexão criei minhas próprias formas de lidar com meu medo e pude, pouco a pouco, encontrar modos de pensar que me deixam tranquila e em paz sempre. Não, eu não vivo desconfiada. Não, eu não acho que ser traída é o pior que pode nos acontecer. Sim, eu mudei minha forma de pensar e hoje consigo me libertar desse medo.

Meu raciocínio é que a traição é sempre um ato escolhido pelo outro e não por você, aí está a parte cruel da história. Quando você é traído, a ação é uma escolha do outro e não sua. Você sofre a ação sem escolha, sem chance de dizer “não quero, obrigada”, sem oportunidade de escapar. Você foi traído e ponto. Acontece que há um grande pulo do gato nessa história e que só pude descobrir quando me vi, eu mesma, diante do que eu mais temia.

Depois de descobrir a traição você tem toda e total liberdade de escolher o que vai fazer com o dano emocional que sofreu. É VOCÊ quem escolhe sua reação. Inclusive é você quem escolhe o quanto vai sofrer. Se você vai chorar por uma semana, se você vai fazer suas malas e ir embora sem olhar para trás, se você nunca mais vai atender um telefonema daquela pessoa, se você vai ignorar o fato e simplesmente seguir em frente como se nada tivesse acontecido, se você vai perdoar, se você vai querer falar horas e horas sobre o assunto com deus e o povo ou se você vai para uma excursão na Toscana e ficará por lá mesmo como fez lindamente a personagem de Diane Lane no filme inspirador “Sob o sol de Toscana“. A reação é a parte que cabe a você escolher e aí está sua grande oportunidade de AGIR a seu favor. Quando você percebe que tem total direito à agir conforme seus princípios e seus valores você se sente blindado à traição.

Pensando assim, não há mais medo. O outro pode fazer o que quiser, mas você terá sempre a chance de decidir o que fazer com o dano causado pelo outro. Eu sei, às vezes só queremos que as coisas fiquem como estão. Eu sei, às vezes não queremos nos decepcionar com o outro. Mas não é possível controlar essas variáveis. O outro será sempre o outro e não vamos, nunca, ser responsáveis pelos atos que não são nossos. A escolha por ser fiel e leal dentro de um relacionamento é sempre de cada um.

Por isso mesmo não adianta nada investigar as carteiras, olhar mensagens do celular, vasculhar o facebook ou procurar pistas pelo escritório. Isso não vai impedir a traição de ninguém, isso não vai estimular a lealdade do outro. Ser leal é uma escolha. Assim como trair é uma escolha. Acontece que independente de como o outro agir, você sempre vai ter a chance de escolher fazer com o que fizeram com você, ou como já bem dizia o Jean-Paul Sartre, “não importa o que fizeram com você. O que importa é o que você faz com aquilo que fizeram com você”. Conectado a suas emoções e razões, fiel aos seus princípios, confiante na sua voz interior, você escolhe sua reação e segue em frente, translúcido, como se nada pudesse atingir você por dentro sem a sua permissão… que na verdade não pode mesmo.

 

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4 comentários

  1. Alu Brandão

    Descobri você por meio do evento dos Viajantes Aprendizes…Como me identifiquei, Paula! Gosto muito da forma próxima e simples com que escreve e se posiciona frente à vida…Acaba de ganhar mais uma seguidora! Abç!

  2. Maria Edith Alves Quintão

    Você escreve com a alma Paula Quintão! Seus escritos são de uma sutileza, ah! Não me canso de rele-los. Que venha o próximo livro, minha linda e abençoada sobrinha, comadre, escritora, mentora brilhante!

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