NOTRE DAME EM CHAMAS sobre perceber a vida ser diferente de entender

foto de @wonguy974

A nossa busca por entender nos impede de ver. Entre tantos movimentos de conexão que vivo há semanas, uma vez mais me vi diante de algo tão maior que me colocar a entender seria um grande desperdício da força que estava posta.

Notre Dame em chamas. Eu estava no meio de uma reunião organizando um evento sobre o feminino em Porto Alegre quando relembrei o episódio do Museu Nacional em chamas brincando que as chamas começaram assim que a palestrante que falava antes de mim num encontro em Gramado pediu às mulheres para sorrirem aos seus maridos mesmo quando não tinham vontade. “Aquela fala dela fez o Museu pegar fogo, certeza”, brinquei.

Nesse instante, uma das participantes da reunião vem com o celular na mão contanto que Notre Dame estava em chamas. Recebi a notícia de Notre Dame ao mencionar o Museu Nacional e o trabalho com o feminino. Mal pude acreditar.

Quanta sincronia há nisso? Em pontos assim da vida entender é um movimento da mente cartesiana que quer transformar os fatos em matemática. E isso diminuiu. Perceber, ao contrário, é um movimento da alma que junta peças, ilumina lugares, destaca conexões, enxerga as sincronias e graças a isso participa da dança da vida. Notre Dame estava plenamente encaixada na minha segunda-feira depois de um final de semana intenso visitando em minhas explorações o Egito, os gregos, os mitos, o feminino sagrado, os templários, o Caminho de Santiago que é um caminho de Isis.

Notre Dame estava encaixada no meu instante de reunião. Notre Dame, e toda a força que representa do feminino de Isis, Maria e Madalana, está em total sintonia com o que a vida tem me mostrado. Não entendo, mas percebo: estou inserida na vida. O fogo de Notre Dame me revelou ser parte. E eu, ao invés de entender, me percebi na vida.

Paula Quintão

16 de abril de 2019

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