O DESAFIO DAS 100 COISAS

Fui obrigada a viver um exercício de desapego de quinta para sexta e estou bem feliz com minha reação. Simplesmente perdi meu celular e quem achou optou por não devolvê-lo. O aparelho não me faz muita falta, mas sim as fotos que eu tinha guardado ao longo do ano e por puro descuido não salvei. Um dia antes fiz o mesmo exercício de desapego pois meu HD no qual salvei algumas fotos, dessa vez cuidadosamente, queimou depois de apenas um mês de uso. Bonito isso, não é? Quanto exercício para uma quarta e uma quinta-feira.

Exercícios feitos e concluídos, não estou mais sentindo incômodos pelas fotos perdidas. Mas o momento de tudo isso ocorrer foi bem oportuno. Acabei de fazer aniversário e é ótimo ter algo para nos balançar um pouco. Tenho um plano íntimo de desapego e de viver com menos e há alguns meses não estava me dedicando totalmente a ele. Uma das ações que eu desejava mesmo fazer era não ter mais um smartphone, já que ele só me deixa mais burra – fico clicando compulsivamente nas mesmas coisas várias vezes durante o dia: facebook e e-mails atualizados a cada 5 minutos. Definitivamente isso não resolve meus problemas nem me faz realizar mais coisas que realmente quero realizar.

O universo une tudo e faz as coisas girarem redondas.

Ontem terminei a leitura do segundo livro que leio do Chris Guillebeau, e adoro o jeito como ele vive a sua existência. Está sempre a reunir estratégias e forças para realizar o que ele mais quer. E os caminhos se abrem para que tudo aconteça. E vejam como tudo se conecta.

No seu livro “A arte da não conformidade” entre as tantas filosofias que adoro  (principalmente por eu ter colocado cada uma delas em prática há alguns anos), uma novidade para mim foi o exercício de desapego “das 100 coisas”.

Esse é um exercício feito originalmente por David Bruno, um escrito e empreendedor americano, que inclusive escreveu um livro sobre o assunto “O desafio das 100 coisas”, que lerei, é claro. Seu desafio era se conter a uma vida com 100 coisas apenas. “Meias”, “roupas” e “livros”, por exemplo, eram contadas como uma categoria e viraram um item cada na lista dos 100. As outras coisas não eram categorizadas.

Muitas pessoas já aderiram à onda de David Bruno e fizeram suas próprias adaptações da lista.

Se tudo se transformar em categoria fica fácil, mas não é para fazer isso. Garfos, facas, copos e pratos contam um a um. Comecei hoje mesmo meu inventário e (céus) é muita coisa. Olha que eu sou uma dessas pessoas que já mudou de casa mil vezes  (não mil, mas 10 vezes nos últimos 5 anos, incluindo duas mudanças de cidade)  e a cada uma dessas mudanças me desapego de vários itens. Vou até fazer uma planilha no excel e cortar, feliz, item por item ao longo desse ano. Quero chegar em novembro de 2014 com o desafio concluído. 

Sei que é totalmente possível pois a cada vez que reúno minha bagagem, encho a mochila e vou para a montanha eu não carrego 100 itens e são nesses momentos de trilha, de vida na montanha, que tenho vida plena, que me enxergo por completo e me transformo imensamente.

O objetivo do desapego é carregar menos para poder sentir mais as experiências. O verdadeiro valor da existência não está no que temos, nem no potencial das coisas que temos, nem no uso que fazemos dessas coisas. O verdadeiro valor está no que nos transforma, nos conecta com nosso interior e o mundo ao redor.

 

3 comentários

  1. Jeremias Pereira

    Olá, me deparei com “O desafio das 100 coisas” no livro “O poder dos inquietos”, curti a ideia, ja tenho diminuindo o máximo de coisas em minha vida depois que mudei de cidade. Espero que tenha obtido sucesso em seu desafio.
    (:

    1. Paula Quintão

      Jeremias, descobri mil coisas depois dessa data, desde lá fiz mergulhos profundos nas minhas crenças e um entendimento maior sobre porque eu me sentia tão incomodada a ter tantas coisas. Hoje vivo em harmonia a sensação de só ter e só fazer o que eu realmente preciso, mas sem o rótulo de ser o mínino ou de ser um número estabelecido de coisas. Você já fez algo como o Caminho de Santiago ou alguma expedição só com uma mochila? É uma materialização da sensação de que sim, podemos viver muito bem com poucas coisas. E ao mesmo tempo, voltar para casa é só como estar em mais um lugar de acolhimento no mundo. Boa jornada por aí.

      1. Jeremias Pereira

        Que bacana Paula, vamos que vamos nessa jornada rumo ao menos, assim sobra mais tempo para olhar para dentro. Já acampei duas vezes na serra de Mantiqueira e algumas viagens com minha trilhas e rumos, sim a gente precisa de bem pouco para viver, ainda lembro do som de meu colchão de palha de milho, do lampião e do chuveiro baiano de minha infância no sítio, era uma simplicidade boa. Quero fazer um caminho desses, tenho pensado em fazer o caminho da luz. Obrigado por seus textos maravilhosos, forte abraço.

Deixe um comentário