PATRIARCADO sobre avançar daqui para frente integrando

Fui a um evento sobre o patriarcado nas organizações. E havia um ponto nos unindo, palco e plateia: a dor diante da história que nos trouxe aqui. Sentimos dor porque chegamos ao limite de operar dentro dos modos que estamos operando. Não cabe mais. Organizações, negócios, sociedade, nós, eu. As verdades que movem nossas escolhas já não podem mais ser as mesmas. Tornou-se insuportável fazer do mesmo jeito porque agora já enxergamos mais, percebemos mais, temos mais clareza.

Sabemos que não é pra ser do jeito que era, mas ainda não existe caminho sob nossos pés. Bem-vindos, isso se chama transição, ou se preferirem, porta de avião antes do salto de paraquedas. Podemos não saber o caminho, e tudo bem.

Mas sei algo que precisou antes se tornar verdade em mim: chorar sobre o leite derramado não faz ajuda, não cria os novos passos, não avança. E pior: tira a nossa força e a força da história que nos trouxe até aqui. Foi como foi. E por ser como foi, hoje estamos sentados olhando para o caminho e os novos passos. Digo o mesmo sobre o marketing: foi como foi, um mar de fórmulas e gatilhos. Diante desse cenário, estamos fartos e escolhemos transitar. Ponto. Só que sentar sobre o que quer que seja e começar a listar as infinitas dinâmicas entre abusador e abusado, sabe… é coisa de criança que espera que um adulto defina quem vai para o castigo e quem vai ganhar o prêmio.

Ainda somos crianças em muitas reações, e também isso precisa transitar. Adulto não está na vida como num jogo de bandido e mocinho, adulto escolhe a partir de suas circunstâncias e banca sua escolha.

O adulto tem condições para a escolha. Foi uma situação abusiva que se repetiu? Sim, foi, mas você escolheu ficar. Foi uma situação que explorou recursos do outro usando o inconsciente? Sim, foi, mas o adulto do outro escolheu comprar. Foi um salário diferente? Sim, foi, mas não estamos deslocados da história. Três movimentos nos fortalecem: (1) Trazer para campo aberto a consciência sobre o que não cabe mais, sem acusação. (2) Apropriar da força da história. (3) Nos abrir para escolhas diferentes: no trabalho, nos relacionamentos, no marketing, na vida.

Adelante, avancemos.

Paula Quintão

11 de maio de 2019

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