POR SORRISOS QUE QUERO SORRIR. sobre liberar a parte que é feita de plástico.

Ela ensinou as mulheres a sorrirem quando seus maridos esbravejassem com elas. Me disse “faça isso e você vai ver que funciona”. E eu sorri, sorri como um plástico para ela. Sorri para aquela mulher. Sorri e me machuquei um pouco mais. E isso me custou meu estômago nessa manhã de segunda. Revirou minha alma. Me fez sentir tristeza. Me fez chorar um pouco mais do que eu já estava chorando pelo museu nacional que pegou fogo bem enquanto ela dizia isso.

Não quero sorrir para ter que desarmar um homem, não é minha natureza e não vou fazer isso comigo. Me lembrei de quando meu ex-marido disse num email enquanto eu me recolhia em um quarto de hotel buscando forças para continuar aquele relacionamento. “Voltam os sorrisos, voltam as flores”. Chorei aquele dia. Não havia mais como dar um sorriso que não viesse de um lugar sincero da alma.

Cada novo sorrir não sincero tornou-se uma punição à minha alma e ao meu coração. Por todas as mulheres da minha família que precisaram sorrir sem querer, que se sentiram obrigadas a receber entre suas pernas um homem que não era bem-vindo naquele dia, que se puseram a cuidar de tudo invisivelmente creditando tudo de bom a seus maridos, que desistiram de suas vidas em suicídios silenciosos para evitar dizer “basta” quando era impossível manter em seu rosto um sorriso de “concordo com você”…. por elas e por mim, não posso sorrir quando meu coração pede outra coisa diferente de sorrir.

Não quero fazer um sorriso quando minha alma pede “respeite-me”. Em tempos recentes, minha expressão conectou-se ao meu coração. Meu sentir conectou-se às linhas do meu rosto, do meu corpo.

Um sentir e um amar que passa por tudo que sou. E não sou só esse sorriso que concorda e acolhe. Sou inteira e por mim passa a raiva, passam os olhos assustados, as lágrimas derramadas, os abraços espontâneos, os silêncios que pedem calma, o pedido de respeito das palavras pronunciadas e ouvidas, o cuidar de mim para depois cuidar do outro, a humana inteira que sou.
Paula Quintão.
03 de setembro.
Onda do Guerreiro. Kin 208
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E depois desse final de semana eu anuncio que estou em época de lançamento da nova edição do Espírito Selvagem 2018, edição ano 4, agora uma comunidade de mulheres. É tempo. Logo.

Autor

Paula Quintão segue a desvendar os mundos internos e externos. É escritora & mentora de escritores, transição de vida e negócios digitais. Doutora em Sustentabilidade, montanhista, paraquedista e mergulhadora. Mãe da Clara. Criadora da Escola de Rumos, do Portal Coragem Para Empreender e da Editora Suban a Los Techos, autora do livro Para Sempre Um Novo EU (2012) e O Caminho Que As Estrelas Me Viram Cruzar (2017). Escreve semanalmente dentro das temáticas autoconhecimento, escrita, transformação de vida e empreendedorismo em paulaquintao.com.br