Algo em mim gosta do dia dos namorados.

Não é aquela coisa “love is in the air”, sou uma romântica por natureza mas não nesse estilo corações que saem pelas orelhas e serenatas que tocam na varanda.

Algo em mim gosta do dia dos namorados. E não é aquela coisa meio vanguarda estilo “meu amor próprio me basta”, porque sei o quanto é bom ficar em minha companhia e não preciso do dia dos namorados para reafirmar isso.

Algo em mim gosta desse dia que celebra as relações, porque no fundo no fundo bem sei que são os relacionamentos que regem nossas vidas.

E para mim os relacionamentos amorosos foram geradores das forças que me moveram nos maiores processos de mudança e transformação da minha vida.

Aquele que me revelou o que eu realmente compreendo como intimidade.

Aquele que me trouxe forças para ler uns quase 100 livros de filosofia num período curtíssimo de tempo.

Aquele que me levou à montanha. Aquele que me fez voltar à montanha.

Aquele que me inspirou para escrever meu primeiro livro. Ou aquele que me inspirou para escrever meu segundo livro.

Aquele que me trouxe um reencontro com a espiritualidade.

Aquele que me relembrou quem eu era.

Desde os 11 anos eu tenho um coração que ama, que se apaixona, que se conecta ao outro numa atmosfera única de encantamento, despertar e expansão das percepções. Sou encantada com o estado da paixão porque ele é potencialmente criador. Descubro mundos dentro e fora de mim graças a esses estágios que a paixão me traz.

E algo a mais que esses anos de amor trouxeram de presente foi o entendimento do que é intimidade. E do quanto o que eu quero mesmo é intimidade.

Ah, como a intimidade é bonita.

O que não tem a ver com dormir juntos ou fazer sexo a noite toda. Ou ir ao banheiro de porta aberta. Intimidade não tem a ver com morar juntos ou dividir as contas de casa. Essas podem ser as superfícies, mas eu caminho mesmo é nas profundidades. Intimidade, pra mim, tem a ver com se desnudar pela alma, se revelar, tem a ver com se narrar para o outro. Sentar frente a frente e poder soltar o que vem no coração, mergulhando em si e narrando em voz alta ao outro. Inteiro, sem censuras.

Se lá fora já há um mundo que tantas vezes nos atropela e nos apressa, aqui dentro eu quero mais é colo macio, quero escuta amorosa. Mas não quero só olhos que me olham, quero olhos dispostos a partilhar, a sorrir comigo quando for hora de sorrir, a dizer “não gosto disso” quando for assim, a também me revelar medos, segredos mais profundos, amores que nascem pelo meio do caminho.

Quero relacionamento para ser eu mesma, pra não me envergonhar da roupa que uso, da cara amassada pela manhã, do cabelo sem pentear, dos dias sem maquiagem, de chorar sem motivo no meio da conversa, de ficar irritada e nervosa quando for o que sinto. Quero relacionamento para o outro não ter medo de mim. Relacionamento para o outro ser ele mesmo, só isso e nada mais. Relacionamento para que eu possa narrar a Paula que me habita. E para o outro narrar o ser que o habita, inteiro, todo transparência, a história inteira, humano que não tenta ser salvador de nada, nem de mim nem de ninguém. Apenas ser.

Sonhadora que sou, eis aí meu lugar interno sobre os relacionamentos. Lugar que estou construindo dentro de mim todos os dias para que chegue o momento que ele possa nascer no encontro com o outro. E se for pra compartilhar dia dos namorados, aniversário, ano novo, natal, as horas, a vida, quero compartilhar assim.

Paula Quintão
12 de junho de 2018

Autor

Paula Quintão segue a desvendar os mundos internos e externos. É escritora & mentora de escritores, transição de vida e negócios digitais. Doutora em Sustentabilidade, montanhista, paraquedista e mergulhadora. Mãe da Clara. Criadora da Escola de Rumos, do Portal Coragem Para Empreender e da Editora Suban a Los Techos, autora do livro Para Sempre Um Novo EU (2012) e O Caminho Que As Estrelas Me Viram Cruzar (2017). Escreve semanalmente dentro das temáticas autoconhecimento, escrita, transformação de vida e empreendedorismo em paulaquintao.com.br