Atentar para o passar do tempo é uma das ações mais constantes do nosso dia a dia. Olhamos para o relógio e estamos atrasados. Olhamos para o relógio e ainda temos 10 minutos para nos arrumar. Olhamos e ainda está cedo para sair.
O tempo regula nossa rotina, diz quando é hora de partir, hora de chegar. Mestre da nossa vida, o tempo dita a ordem, dita o ritmo. Tem o poder de nos apressar, o poder de nos deixar ansiosos ou de nos fazer suspirar de alívio quando a notícia anunciada pelos números do relógio é a de que podemos ainda dormir mais duas horas inteiras.
Esse tempo, o tempo do relógio, imperou nossa cultura, impregnou nossa vivência, e talvez seja um dos exercícios mais difíceis e mais prazerosos de serem feitos.
Deixo então o relógio guardado quando é final de semana. Esqueço que há hora, que há dia da semana, que há tempo certo ou errado, cedo ou tarde. E então, como um pássaro que saiu da gaiola, eu sinto o vento, sinto a respiração, sinto a sola do pé tocando o chão. Tudo ganha mais movimento, mais cor, brilho, cheiro, tato, porque quando esqueço o passar do tempo, enxergo a vida. Quero ser pássaro sem gaiola todos os dias, para todo o sempre.