Atentar para o passar do tempo é uma das ações mais constantes do nosso dia a dia. Olhamos para o relógio e estamos atrasados. Olhamos para o relógio e ainda temos 10 minutos para nos arrumar. Olhamos e ainda está cedo para sair.

O tempo regula nossa rotina, diz quando é hora de partir, hora de chegar. Mestre da nossa vida, o tempo dita a ordem, dita o ritmo. Tem o poder de nos apressar, o poder de nos deixar ansiosos ou de nos fazer suspirar de alívio quando a notícia anunciada pelos números do relógio é a de que podemos ainda dormir mais duas horas inteiras.

Esse tempo, o tempo do relógio, imperou nossa cultura, impregnou nossa vivência, e talvez seja um dos exercícios mais difíceis e mais prazerosos de serem feitos.

Deixo então o relógio guardado quando é final de semana. Esqueço que há hora, que há dia da semana, que há tempo certo ou errado, cedo ou tarde. E então, como um pássaro que saiu da gaiola, eu sinto o vento, sinto a respiração, sinto a sola do pé tocando o chão. Tudo ganha mais movimento, mais cor, brilho, cheiro, tato, porque quando esqueço o passar do tempo, enxergo a vida. Quero ser pássaro sem gaiola todos os dias, para todo o sempre.

 

 

Autor

Paula Quintão segue a desvendar os mundos internos e externos. É escritora & mentora de escritores, transição de vida e negócios digitais. Doutora em Sustentabilidade, montanhista, paraquedista e mergulhadora. Mãe da Clara. Criadora da Escola de Rumos, do Portal Coragem Para Empreender e da Editora Suban a Los Techos, autora do livro Para Sempre Um Novo EU (2012) e O Caminho Que As Estrelas Me Viram Cruzar (2017). Escreve semanalmente dentro das temáticas autoconhecimento, escrita, transformação de vida e empreendedorismo em paulaquintao.com.br