Sim, Agora Dá

Há partes do nosso ser que acabam por ficar esquecidas. Soterradas. Submersas. Perdidas. Ignoradas. Abafadas. Silenciadas. Quando assim acontece, quando partes que importam do nosso ser ficam nesse estado de “agora não dá”, algo em nós adoece. Às vezes descuidamos dessas partes até com boas desculpas pra dizer “não, agora não dá”. Mas a verdade é que algo em nós sabe que não estamos bem, mas por puro adoecimento não conseguimos nos organizar para SER.

As trilhas fazem parte do meu ser, eu amo caminhar pelo mato, amo subir entre pedras soltas, amo colocar minha bota, ver que ela está toda suja de lama quando eu volto para casa, amo colocar minha mochila e ajustá-la ao meu corpo. Essa parte do meu ser é viva desde a infância quando pequena passava as férias no sítio do meus avós brincando com meus primos no meio do mato, fazendo cabana, deslizando no barro, sobrevivendo a idas na represa sem nenhum adulto nos acompanhar, fazendo expedições do sítio até o vilarejo com minha mãe só pra comprar bala – e às vezes ela ligar da central telefônica (com a ajuda da telefonista) para o meu pai. Na infância eu tinha meu embornal feito pela minha avó, ainda hoje sempre que viajo e vejo pelo mundo afora essas bolsas sacolas tipo de mercado eu compro porque parecem os embornais da minha avó – ultimamente tenho ido aos correios assim, meu embornal que comprei em Londres.

Pois é. Final de semana passado fiz uma trilha pela Serra de São José. Seis horas caminhando, nem sei quantos quilômetros. Ao final do dia, depois que me despedi do guia e agradeci, meu estado era de graça.

Eu só dizia a mim mesma num abraço interno “é claro que agora dá, dá sim”. E meu cuidado a cada passo, meu cuidado ao organizar minha agenda da semana, do mês, do ano… é dizer a mim mesma e a todas as minhas partes que importam, tal como uma mãe amorosa faz com seus filhos, “sim, agora dá”. #partes #eusou #ser #autoconhecimento #reflexão #autotransformação #serradesaojose #trilha #tiradentes