Sei que a saudade, essa saudade que nos assola o ser, pode vir de vários modos. Pode vir silenciosa, de repente, no fim da tarde, e nos fazer parar por poucos segundos e suspirar a ausência sentida.  Pode vir devagarzinho, aumentando mais e mais, até se tornar tão intensa que você sente necessidade de arrancá-la como se arranca uma erva daninha do jardim. Pode vir sorrateira e transformar-se em saudade sólida, dessas que nos acompanham dia e noite, noite e dia, e nos fazem olhar para trás a todo instante. Pode vir em forma de angústia, das que apertam o coração, derrubam lágrimas e nos fazem desesperadamente querer repetir o que já passou e não é mais possível. Pode vir como um vento, uma brisa, que percorre todo nosso ser aconchegando-nos em boas lembranças do passado.

Aprecio a saudade, me entrego por completo e me rendo diante dela. Sou toda rendição porque saudade é a mais pura expressão de que o caminho valeu a pena, de que as pessoas que estavam ao nosso lado fizeram nossos dias melhores. Saudade é a mais plena manifestação de que apreciamos o que vivemos e quem nos acompanhou.  Saudade é sinal de que a vida trouxe passos que valeram a pena.

E só queremos tanto “matar a saudade” porque saudade dói.  Saudade deixa rastros em nós e nos cerca onde quer que estejamos. Saudade nos emociona, enche os olhos de lágrimas, aperta o coração e pode incomodar muito. “Matar a saudade…” Um vento pode matar a saudade. Um abraço, silencioso, no meio da madrugada, pode matar a saudade.  Uma viagem. Um reencontro. Uma fotografia. Uma música. Uma mensagem. Um telefonema. Um caminho refeito. Um lugar revisitado. Uma conversa sobre os lugares e as pessoas que nos deixam saudade… nosso coração fica leve, nossa alma fica abastecida, nosso ser fica completo de novo. E então descubro que não quero “matar a saudade”, quero que fique viva em mim para mais uma vez aconchegá-la e ter o prazer de senti-la de novo…e aconchegá-la mais uma vez.

Nesse momento, a saudade encontra-se alimentada, vira decoração em nossa alma, ganha colorido e é celebrada com cantos e festejos. Felicidade poder dizer “saudade de você” e alegria poder reviver pedacinhos de tudo o que nos faz sentir saudade. Nobre saudade, nobre saudade. Felicidade senti-la, felicidade poder aconchegá-la. Que saudade eu sinto…

 

Autor

Paula Quintão segue a desvendar os mundos internos e externos. É escritora & mentora de escritores, transição de vida e negócios digitais. Doutora em Sustentabilidade, montanhista, paraquedista e mergulhadora. Mãe da Clara. Criadora da Escola de Rumos, do Portal Coragem Para Empreender e da Editora Suban a Los Techos, autora do livro Para Sempre Um Novo EU (2012) e O Caminho Que As Estrelas Me Viram Cruzar (2017). Escreve semanalmente dentro das temáticas autoconhecimento, escrita, transformação de vida e empreendedorismo em paulaquintao.com.br