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O IMPERATIVO DO “MAS PODERIA SER MELHOR”

Paula Quintão | 14 de junho de 2018

Desde crianças fomos treinados a “melhorar algo”. É um imperativo. É um modo operandis. Principalmente as escolas nos infiltram essa lógica e entendemos que é preciso “buscar melhorias”.

Sua nota foi boa, mas poderia ser melhor.
Seu desempenho foi bom, mas poderia ser melhor.
Sua alimentação está boa, mas poderia ser melhor.
Sua palestra foi ótima, mas poderia ser melhor.
Suas vendas arrasaram, mas poderia ser melhor.
Seu corpo está saudável, mas poderia estar melhor.
Seus cabelos estão lindos, mas poderiam estar melhor.
Seu relacionamento está em paz, mas poderia estar melhor.

O estímulo por “melhorar” sempre nasce de um comparativo. Vejo a realidade do agora, vejo o que poderia ser o “ideal” e faço essa conta que é mais ou menos assim:

Equação: SITUAÇÃO IDEAL MENOS SITUAÇÃO AGORA = O QUE PRECISA MELHORAR

Quando eu monto a equação do que precisa melhorar, eu preciso necessariamente colocar a “situação agora” em comparativo com a “situação ideal” e portanto nunca tenho um resultado positivo.

É lógico que poderia estar melhor. Tudo poderia estar melhor. E aí mora a grande crueldade desse discurso. É como olhar lá na frente, olhar lá no futuro, criar uma idealização do que poderia estar melhor e trazer para o presente – esse presente que não tem como ser diferente, que é como é, que é exatamente como está.

É uma lógica cruel porque desvaloriza o presente, retira a completude do momento AGORA e enxerga a parte que falta (essa que faria da coisa uma coisa melhor) ao invés da parte que há. O estímulo por melhorar, inevitavelmente, não valoriza integralmente o presente e o agora.

A idealização do futuro melhor comparado ao agora só nos tira as forças e nos impede de realmente avançar no próximo passo, porque nos retira o solo onde pisam os nossos pés e de onde nasce o próximo movimento.

Os workshops de constelação familiar do Andrei Moreira me ensinaram sobre o quanto o MAS, numa frase, tem o poder de eliminar tudo o que veio antes dele. E sempre que dizemos “mas poderia ser melhor”, é como se descartássemos (ou diminuíssemos) o valor do que há agora, do que é, do que somos nesse instante.

Sim, um mundo de coisas poderiam estar melhor. Absolutamente tudo poderia estar melhor.

Aqui mora uma solução e uma forma de equilibrar o que realmente queremos ao nos dizer “melhora”. Nossa intenção é DESENVOLVER. Ou seja, se intencionarmos desenvolver adotamos uma postura bem diferente e aí sim fortalecedora.

Porque é muito diferente quando nos alinhamos com o aprimoramento e o desenvolvimento constante. O aprimoramento não nasce do comparativo com a idealização, nasce da valorização do presente, da apropriação completa do agora, do entendimento pleno do lugar que você ocupa e da pergunta pró-ativa, feita ao momento presente, sobre o que é possível fazer AGORA. Daí vem a solução para essa equação. Ao invés de a mente criar um comparativo com o futuro, ela se apropria do PRESENTE e a partir dele eu escolho o próximo passo em direção ao rumo que sinto ser de desenvolvimento para mim a partir daquele instante.

Estamos em constante aprimoramento. Enxergar isso nos fortalece e valoriza. Podemos sempre intencionar nos aprimorar, aprender algo, transformar algo, mergulhar mais profundo em nós mesmos.

O estímulo do “melhorar”, ao contrário de ser fortalecedor para esse aprimoramento, se torna um peso, tira a força, estressa, gera ansiedade, frustração e a constante sensação de não estarmos prontos nem sermos bons o suficiente NUNCA. Enquanto o estímulo do “desenvolver” olha o momento presente, valoriza o lugar do agora e se pergunta “qual é o próximo passo a partir do lugar que estou”.

Por aqui meu cuidado tem sido o de tirar o peso, de liberar essa constante busca por melhorar e me sentir o mais presente possível no que há agora em mim, do que é o hoje e do quanto o que é possível para hoje já é maravilhoso, me perguntando todos os dias quais os meus próximos passos em direção ao que entendo como desenvolvimento para mim.

Paula Quintão
14 de junho de 2018

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Publicado em Autoconhecimento, Paula Quintão, Viagens de Transformação

VOCÊ DESISTIU? SERÁ QUE FOI ISSO MESMO? sobre a desistência e a persistência

Paula Quintão | 20 de dezembro de 2015

Para hoje, me permito trazer como texto de domingo escritos que publiquei há alguns meses no correio para meus leitores e no meu facebook. É um texto pelo qual tenho muito carinho. Naquele momento eu estava seguindo rumo a Santiago de Compostela, a caminhar meus 800km em 36 dias. Foi uma longa jornada e por lá eu descobri que o Caminho de Santiago nada mais é do que uma grande metáfora da vida real: nós com nossas metas (nossos muitos Santiagos), nossos passos dados, nossa intuição, nossa vontade de seguir em frente quando o destino ainda está iluminado.

O que nos faz continuar seguindo rumo a nossos sonhos?

Aprendi muito sobre persistência. Aprendi principalmente que persistir não tem a ver com ir em frente custe o que custar, mas sim ir em frente rumo ao que está iluminado para nós. E que quando essa luz se apaga, por que ficamos insistindo em seguir naquele rumo?! Mudar de rumos não tem a ver com desistir, a vida me ensinou e graças a isso tirou quilos e quilos de peso das minhas costas.

Vamos ao meu texto de 07 de outubro desse 2015.

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POR QUE EU ESCOLHO QUEM, QUANDO E COMO VOU AMAR? Sobre o amor e suas condições

Paula Quintão | 6 de dezembro de 2015

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Não foi a primeira vez. E não se passou só comigo. Um relacionamento amoroso termina e todo o amor anunciado e partilhado se transforma em raiva ou em desprezo. Não foram todos os meus relacionamentos que tiveram esse desfecho, mas a maioria deles sim. Eu me vi diante de homens – e às vezes seus familiares ou amigos – que me amavam num momento da história e depois queriam que eu desaparecesse da face da terra.

Por que fazemos isso?

Hoje escrevo sobre o amor e suas condições. Sobre nossa necessidade de escolher quem amo, quando amo, porque amo, quanto amo e como eu amo.

Há uns três ou quatro anos eu estava num relacionamento curto, mas muito profundo. Foram poucos meses que estivemos juntos, mas nesse período estávamos realmente no céu. Em três meses de relacionamento eu devorei quase uma centena de livros de filosofia, tudo o que ele me indicava eu lia, e nós dois vivíamos nossas horas numa rendição plena.

Mas por mérito dos caminhos nosso relacionamento acabou e o contexto impedia que ficássemos juntos. Foi bem difícil para nós dois aquele rompimento. E a reação dele foi iniciar no ambiente de trabalho uma perseguição tão intensa de tudo o que eu fazia. O seu objetivo em todas as reuniões era me desmerecer. Todos os projetos que eu apresentava estavam horríveis. Tudo o que eu dizia era péssimo e estava errado. Todas as oportunidades que ele tinha para criticar meu trabalho eram super bem aproveitadas, numa fúria calculada. Minhas ideias que antes eram ótimas, brilhantes e fantásticas, haviam se transformado em ideias horríveis, inapropriadas e toscas.

E eu, diante daquele homem tão obcecado na destruição, que tudo o que eu via era o monstro do lago ness diante de mim. Nenhuma faísca do amor cintilante rondava no meu coração mais, eu tinha quase pânico dele.

Por que agimos assim… amando tanto aquele que é e faz o que queremos… e rejeitando tanto quem não quer estar mais ao nosso lado?

Foram necessários muitos meses para eu entender o quão fortalecedor aquele relacionamento e aquele desfecho foi. O tempo me deu clareza sobre o quanto aquele homem e aquela reação depois do nosso rompimento tinha trazido transformações profundas para a minha vida.

E a principal delas é sobre o quanto condicionamos nosso amor. Quando falo de amor incondicional não estou falando em amor romântico e em viver relacionamentos a dois custe o que custar, estou falando em estar sintonizado com o sentimento de amor, com o sentimento de afeto, com o sentimento de gratidão – ao invés de nos sintonizar com a raiva, com a culpa, com o medo, com o ressentimento, com do desprezo e com o sofrimento.

A mensagem que a condição nos traz é “eu te amo se….”

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O QUE VÃO PENSAR SOBRE MIM? Sobre a grande polícia do julgamento que governa nossas vidas

Paula Quintão | 29 de novembro de 2015

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Quantas e quantas vezes não tivemos grandes vontades de fazer algo em nossas vidas e deixamos de fazer com medo do que vão pensar de nós? Fazer escolhas é necessariamente lidar com a reação das outras pessoas. Reações de contentamento, em que você ganha um tapinha nas costas e um parabéns. Ou reações de descontentamento, em que você ganha um lugar especial nas rodas de conversa e uma crítica, geralmente velada.

As duas possibilidades estão sempre no horizonte.

Mesmo velada, a crítica que vem do outro e o medo de virar tema em alguma roda de conversa nos apavora dia e noite. Não queremos que falem mal de nós. E na busca por evitar que falem mal de nós, sequer percebemos que estamos entrando na maior de todas as prisões de nossas vidas.

Foi com o Gaiarsa, em seus livros de psiquiatria, que aprendi sobre o tratado geral da fofoca. Ele diz que a maior polícia que existe no mundo é o olho do vizinho, é o julgamento do outro sobre você. Em tempos de redes sociais, o “vizinho” é vizinho em qualquer lugar do mundo. E é mesmo fantástica essa conclusão. O questionamento “o que vão pensar sobre mim?” e suas variáveis… “o que vão falar sobre mim?” ou “o que vão achar disso?” ou “vão pensar que estou louca” rege nossas vidas com mais força do que gostaríamos de admitir.

É fácil perceber esse nosso medo… Olhe para sua vida agora e dê uma boa analisada… tem aí algum sonho ou vontade que você não realizou por causa do que os outros vão pensar?

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IR AO CAMINHO PARA APRENDER A CAMINHAR, sobre a vida trazer os ensinamentos que mais precisamos

Paula Quintão | 22 de novembro de 2015

Caminhava há 10 dias e meu corpo seguia bem. Quando comecei o Caminho de Santiago, mesmo sabendo que diante de mim estavam 800km a percorrer (ou quase 900km, caso eu resolvesse ir até Finesterre), toda essa distância não me deixava preocupada. Aprendi que a vida é mesmo esse um passo depois do outro.

Fui bem consciente de que com o passar dos dias meu corpo se sentiria ainda mais habituado a caminhar, caminhar e caminhar.

“É lá pelo décimo dia que seu corpo entra num estado de aceitação e tudo fica melhor”, um amigo me falou antes mesmo da minha partida.

Acontece que exatamente no décimo dia, uma dor terrível se instalou na minha perna. Talvez por causa da mochila pesada demais, talvez por causa da noite mal dormida… não sei o que houve. Mas de um minuto para o outro eu perdi o movimento de uma das pernas. Dor, dor, dor. Comecei a andar quase me arrastando.

Meu plano ainda era caminhar mais 12km aquele dia. O que se tornou impossível. Completei os 2km que me distanciavam do próximo lugarejo com muita dificuldade, andando muito lentamente, até que finalmente cheguei.

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A REAÇÃO DO OUTRO E O LIMITE DE FAZER O MEU MELHOR: sobre estarmos determinados a levar nossa luz

Paula Quintão | 15 de novembro de 2015

A sabedoria tolteca trouxe para minha vida dois princípios básicos, duas linhas guias que todos os dias estão na minha mente limpando e curando padrões de pensamento e crenças. Uma delas é não levar nada para o pessoal. Eu exercito, dia após dia, o entendimento de que a reação do outro é a reação do outro, e que ela é parte da história do outro e não da minha história. Meu exercício é entender que o outro pode me aprovar ou me reprovar não por causa do meu comportamento em si, não por causa do que sou, não por causa do que faço, mas por causa da história que o outro carregou até aquele momento de sua vida.  Uma mesma ação minha pode causar aprovação ou reprovação, nunca vou conseguir controlar como o outro se sente.

A outra sabedoria tolteca é a de fazer o meu melhor sempre. Sou paciente com meus limites, mas estou sempre a fazer meu melhor e dessa forma eu posso olhar para trás sem arrependimentos, sem peso, sem culpa. Eu fiz o meu melhor naquele momento. Fui até os limites do que pude.

E na última semana o curso de mergulho me trouxe lições muito valiosas e lindas, de encher os olhos d’agua, de vivência plena desses dois ensinamentos tolteca.

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VIDA FINITA, EU TE HONRO. Sobre dias de aniversário, arco-íris, águas e encantamento

Paula Quintão | 8 de novembro de 2015

Escolhi uma paisagem para meu dia de aniversário. E hoje eu olho o mar. Não da praia, mas da embarcação, de onde, daqui a alguns minutos, me lançarei nas águas para terminar meu treinamento de mergulhos.

Há quase um mês, sentada nas margens do Rio Iso, um dia antes de chegar a Santiago de Compostela, um verdadeiro anjo se sentou ao meu lado e começamos a conversar. Naquele momento eu não sabia que ele era um grande anjo na minha vida, mas 24 horas depois eu saberia. Ele de Portugal, da cidade do Porto, ganhou toda a minha atenção quando negou o chocolate que eu ofereci dizendo que estava a caminhar sem comer doces, sem se intoxicar com açúcar, álcool, internet, músicas ou cigarro. “Estou limpo”. Ele falou as palavras que eu adoraria dizer naquele momento, as palavras que eu quero dizer nessa vida. “Estou limpa de tudo que é tóxico para mim… pensamentos, emoções, sentimentos, reações, escolhas, alimentações”. É o que estou a buscar e viver como posso dia após dia: limpezas profundas.

Aquela conversa mágica me deu forças para caminhar os 40km que me levaram a Santiago no dia seguinte. 40km que eu nunca havia caminhado antes, uma distância inconcebível considerando-se o meu histórico de 35 dias de caminhada. E entre tantas profundidades que conversamos às margens do rio, fiquei com muitas palavras do Tomás percorrendo a minha mente tais como luzes e uma delas foi “faça um curso de mergulho, Paula, você vai ganhar um novo mundo”.

E aqui estou eu. Vendo o mar balançar e me esperar com meu colete, com meu cilindro, com minha máscara e minhas nadadeiras.

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O ESPÍRITO SELVAGEM EM NÓS

Paula Quintão | 3 de novembro de 2015


Há alguns anos, sentada atrás da minha mesa de trabalho, eu sonhava com os dias de férias para poder estar na montanha, fazendo minhas trilhas, carregando minha mochila, vendo minha bota se encher de lama de propósito.

Era bom sonhar com esses dias e era bom partilhar sobre como foram os caminhos, as aventuras, as idas ao banheiro no meio do mato, as descobertas de um mundo novo para mim. Eu amava contar as histórias para meus companheiros de trabalho porque ao contar eu me sentia menos presa, me sentia viajando pelas lembranças.

A vida das trilhas e das montanhas era a vida que eu queria viver na cidade. Não com os pés de lama, nem com o banheiro no mato, mas com a liberdade que lá havia, com a simplicidade que bastava, com a libertação do tempo, com o amor querido entre as pessoas, com as mãos estendidas todo o tempo. Eu sabia que era possível, só não sabia como. Vivia meus dias buscando um modo, quase obsessivo, de fazer minha vida urbana se aproximar mais da vida das trilhas e montanhas.

Ganhei um apelido por um amigo de trabalho, Heitor Filho.

“Paula, você tem doçura e bravura ao mesmo tempo. Da mesma forma que é frágil e toda delicada, é de uma força enorme. Eu sei um apelido para você… Espírito Selvagem”.

E eu me encantei.

Ele me enxergou profundamente. Enxergou com clareza o que eu queria, o que eu sentia, e hoje, anos depois, vendo que consegui transformar minha vida para que ela fosse uma extensão do que vivo nas trilhas e nas montanhas, não posso agradecer de outro jeito o apelido que ganhei. Transformei meu apelido em título do meu primeiro curso só para mulheres, um curso para celebrar nossa força e nossa delicadeza. “Espírito Selvagem: empreendedorismo para mulheres”.

É nosso espírito selvagem que nos ajuda a entender que o mundo nos oferece tudo o que precisamos para ir em direção aos nossos sonhos.

É nosso espírito selvagem que nos permite viver nossos sonhos por inteiro, sermos inquietas por dentro quando percebemos que algo precisa ser transformado.

É nosso espírito selvagem que nos faz amar o momento presente e celebrar a história que nos trouxe até aqui, perceber o que se ilumina em nosso caminho e ir nessa direção.

É nosso espírito selvagem que nos ensina a ouvir a voz que chama e atender.

O Espírito Selvagem que está dentro de todas nós mulheres.

Agradeço ao Heitor pelo apelido e mais tarde pela bonequinha de massa que ele fez pra mim. Uma Paula em miniatura carregando uma mochila com os dizeres “Espírito Selvagem” eternizados nela. Depois vou colocar a foto para vocês.

Hoje, diante do lançamento do meu novo curso Espírito Selvagem, sei que multiplicar a percepção desse espírito mágico que está dentro de todas nós mulheres, que queremos mais da vida, que esperamos mais da existência, que vamos empreender com confiança as nossas jornadas, que vamos transformar o que precisa ser transformado, que vamos sonhar e tornar realidade… é uma alegria e uma festa.

Faz parte do Espírito Selvagem trazer para perto de si a sua alcatéia, seu grupo de lobas. Vamos juntas. Por isso, vamos juntas. Amanhã, dia 04 de novembro, é o último dia para a inscrição no curso. Aqui você encontra mais detalhes.

Grande abraço, Paula Quintão.

 

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O CAMINHO DO OUTRO É O CAMINHO DO OUTRO: sobre julgamentos e sobre libertar a nós mesmos

Paula Quintão | 25 de outubro de 2015

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Para Ana Clara, minha amiga-anjo

 

Estava há mais de 30 dias andando. Caminhava algo como 20 km por dia. Alguns dias menos, 7km. Outros dias mais, 28km. Santiago cada vez mais próxima, mas posso dizer que há dias que eu me esquecia que estava indo a Santiago. Simplesmente arrumava minhas coisas e caminhava, caminhava, caminhava.

Aquela poderia ser uma manhã como outra qualquer: 6h, ainda noite, os peregrinos começam a arrumar suas mochilas no albergue (mesmo sendo noite). 6h30 alguém não resiste e acende a luz. 7h todos já se foram. Menos eu. Ajeitava tudo até às 8h, que era quando começava a amanhecer. E meu dia estava a seguiu mais ou menos esse script.

Mas então, algo novo. Um ônibus parou e desceram muitas, muitas, muitas e muitas pessoas. Depois pararam como mais 5 ônibus, e desceram muitas, muitas, muitas pessoas. Elas tinham algo em comum: todas usavam um lenço amarelo no pescoço e não tinham mochila. Por estarem sem mochila, andavam muito rápido.  E por terem chegado naquele momento, estavam muito animadas tirando fotos e falando entre elas – em alemão.

Era uma excursão. Logo um e outro peregrino que eu já conhecia dos dias anteriores vinha trazendo um comentário, cada um de um jeito:

“São alemães, saíram todos de um ônibus”.

“São alemães, devem ser como mil”.

“São alemães, vão agora caminhar todos os dias até Santiago”.

“São alemães, um bando de turistas”

“São alemães, vieram em um grupo de 400 pessoas”.

“São alemães, e não vai sobrar lugar para a gente dormir no próximo povoado”.

 

O frisson foi geral entre os peregrinos que estavam a caminhar a mais dias, como se aquela chegada fosse uma verdadeira injustiça. “Como assim esses alemães chegam agora aos 45 do segundo tempo e pensam que são peregrinos?” Há um apelido pejorativo para esse tipo de peregrino: “turisgrino”.

Realmente o grupo dos alemães marcava presença.

Eles lotaram o caminho.

Os bares e restaurantes que geralmente ficam vazios estavam parecendo praça de alimentação do shopping.

 

Comecei a perceber que eu estava realmente irritada com todo o barulho ao redor, com as cantorias, com as pessoas que paravam bem na minha frente para tirar fotos… Quando me dei conta da minha irritação, percebi que tinha minhas duas escolhas: poderia me irritar muito com todos os barulhos, risos, conversas, lotações máximas do caminho ou poderia usar todos os dias de aprendizado para lidar com aquela situação com neutralidade. “Deve ser um teste para eu aplicar o que tantos dias de caminhada têm me ensinado”.

 

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CELEBRANDO SANTIAGO. OS CAMINHOS NÃO SÃO FEITOS DE QUILÔMETROS

Paula Quintão | 18 de outubro de 2015

 

Quando desci a montanha enxergando Santiago de Compostela em meu horizonte meus olhos mal podiam acreditar no que estava bem diante de mim. “Eu estou aqui, não acredito!”. A história toda merece um livro. As últimas 24 horas merecem uma crônica especial e nos próximos dias escreverei e escreverei.

Mas hoje, enquanto todas as emoções vão encontrando espaço e um canto dentro de mim, quero falar sobre nossa caminhada de vida. O Caminho de Santiago nada mais é que uma grande metáfora de nossas vidas cotidianas. Somos todos peregrinos. Cada um com suas escolhas, fazendo o seu melhor a cada dia, na medida do que é possível para nós.

Um caminho que não tem certo ou errado, que não tem bom ou ruim, que não tem bonito ou feio. O que há é um constante escolher e seguir, seguir e escolher, escolher e seguir, seguir e escolher. Assim é a vida.

Centenas e centenas de quilômetros, dezenas de dias, horas e horas sob o sol e sob a chuva, noites bem dormidas e noites muito mal dormidas, banhos frios e banhos quentes, comidas acolhedoras, muita água e um passo após o outro.

Eu estava em Santiago. E então estava em Finesterre. E então estou aqui. A jornada não tem fim. Tudo é passagem. Escolhemos um marco ou outro sobre onde queremos estar, e quando estamos lá podemos nos sentar por um instante, respirar fundo, mas só nos resta seguir. A vida é um constante seguir. Os topos da vida, aqueles pontos de conquista, não são moradas para permanecermos neles. Assim como os grandes momentos de fundo do poço são só de passagem. Tudo é passagem.

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O caminho não é feito de quantos passos damos. Ou de quantos quilômetros percorremos. Ou de quanto tempo levamos para chegar. O caminho não é feito pela nossa idade, pelos nossos anos vividos, por quanto temos, por quanto gastamos, por quanto ganhamos.

O caminho é feito pelas experiências, pelos encontros e aprendizados, pelas trocas e partilhas, pelo que acumulamos internamente, pelas memórias e lembranças que cultivamos, pelo que deixamos para trás, pelo que colhemos e nos transformou.

O caminho de Santiago, assim como o caminho da vida, é um seguir em frente constante, é um refazer as malas todos os dias, é estar só com o que é essencial e deixar para trás o que não precisamos mais, é um estar aqui e agora, é encontrar pessoas lindas, únicas e especiais, viver com elas o mais profundo encontro de almas e nos despedirmos sem sequer saber o nome. Nessas horas em que as pessoas seguem seus caminhos, coração aperta, mas lembramos que a vida é um deixar ir.

Hoje sou só emoção. Mas uma emoção não por ter chegado em Santiago apenas, não só por ter concluído essa jornada. É um belo momento e daqui, por dentro, estou em celebração. Mas minha emoção e meu profundo estado de sensibilidade é pela beleza que é essa nossa existência humana, tão finita que é, tão passageira que é… a beleza de cada dia que temos para viver exatamente como queremos, para sermos nossa verdade, para fazermos nossas escolhas e para termos a oportunidade de partilhar com um e outro pequenos momentos.

Seguimos.

Paula Quintão.

18 de outubro de 2015

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