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POR QUE EU ESCOLHO QUEM, QUANDO E COMO VOU AMAR? Sobre o amor e suas condições

Paula Quintão | 6 de dezembro de 2015

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Não foi a primeira vez. E não se passou só comigo. Um relacionamento amoroso termina e todo o amor anunciado e partilhado se transforma em raiva ou em desprezo. Não foram todos os meus relacionamentos que tiveram esse desfecho, mas a maioria deles sim. Eu me vi diante de homens – e às vezes seus familiares ou amigos – que me amavam num momento da história e depois queriam que eu desaparecesse da face da terra.

Por que fazemos isso?

Hoje escrevo sobre o amor e suas condições. Sobre nossa necessidade de escolher quem amo, quando amo, porque amo, quanto amo e como eu amo.

Há uns três ou quatro anos eu estava num relacionamento curto, mas muito profundo. Foram poucos meses que estivemos juntos, mas nesse período estávamos realmente no céu. Em três meses de relacionamento eu devorei quase uma centena de livros de filosofia, tudo o que ele me indicava eu lia, e nós dois vivíamos nossas horas numa rendição plena.

Mas por mérito dos caminhos nosso relacionamento acabou e o contexto impedia que ficássemos juntos. Foi bem difícil para nós dois aquele rompimento. E a reação dele foi iniciar no ambiente de trabalho uma perseguição tão intensa de tudo o que eu fazia. O seu objetivo em todas as reuniões era me desmerecer. Todos os projetos que eu apresentava estavam horríveis. Tudo o que eu dizia era péssimo e estava errado. Todas as oportunidades que ele tinha para criticar meu trabalho eram super bem aproveitadas, numa fúria calculada. Minhas ideias que antes eram ótimas, brilhantes e fantásticas, haviam se transformado em ideias horríveis, inapropriadas e toscas.

E eu, diante daquele homem tão obcecado na destruição, que tudo o que eu via era o monstro do lago ness diante de mim. Nenhuma faísca do amor cintilante rondava no meu coração mais, eu tinha quase pânico dele.

Por que agimos assim… amando tanto aquele que é e faz o que queremos… e rejeitando tanto quem não quer estar mais ao nosso lado?

Foram necessários muitos meses para eu entender o quão fortalecedor aquele relacionamento e aquele desfecho foi. O tempo me deu clareza sobre o quanto aquele homem e aquela reação depois do nosso rompimento tinha trazido transformações profundas para a minha vida.

E a principal delas é sobre o quanto condicionamos nosso amor. Quando falo de amor incondicional não estou falando em amor romântico e em viver relacionamentos a dois custe o que custar, estou falando em estar sintonizado com o sentimento de amor, com o sentimento de afeto, com o sentimento de gratidão – ao invés de nos sintonizar com a raiva, com a culpa, com o medo, com o ressentimento, com do desprezo e com o sofrimento.

A mensagem que a condição nos traz é “eu te amo se….”

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O QUE VÃO PENSAR SOBRE MIM? Sobre a grande polícia do julgamento que governa nossas vidas

Paula Quintão | 29 de novembro de 2015

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Quantas e quantas vezes não tivemos grandes vontades de fazer algo em nossas vidas e deixamos de fazer com medo do que vão pensar de nós? Fazer escolhas é necessariamente lidar com a reação das outras pessoas. Reações de contentamento, em que você ganha um tapinha nas costas e um parabéns. Ou reações de descontentamento, em que você ganha um lugar especial nas rodas de conversa e uma crítica, geralmente velada.

As duas possibilidades estão sempre no horizonte.

Mesmo velada, a crítica que vem do outro e o medo de virar tema em alguma roda de conversa nos apavora dia e noite. Não queremos que falem mal de nós. E na busca por evitar que falem mal de nós, sequer percebemos que estamos entrando na maior de todas as prisões de nossas vidas.

Foi com o Gaiarsa, em seus livros de psiquiatria, que aprendi sobre o tratado geral da fofoca. Ele diz que a maior polícia que existe no mundo é o olho do vizinho, é o julgamento do outro sobre você. Em tempos de redes sociais, o “vizinho” é vizinho em qualquer lugar do mundo. E é mesmo fantástica essa conclusão. O questionamento “o que vão pensar sobre mim?” e suas variáveis… “o que vão falar sobre mim?” ou “o que vão achar disso?” ou “vão pensar que estou louca” rege nossas vidas com mais força do que gostaríamos de admitir.

É fácil perceber esse nosso medo… Olhe para sua vida agora e dê uma boa analisada… tem aí algum sonho ou vontade que você não realizou por causa do que os outros vão pensar?

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IR AO CAMINHO PARA APRENDER A CAMINHAR, sobre a vida trazer os ensinamentos que mais precisamos

Paula Quintão | 22 de novembro de 2015

Caminhava há 10 dias e meu corpo seguia bem. Quando comecei o Caminho de Santiago, mesmo sabendo que diante de mim estavam 800km a percorrer (ou quase 900km, caso eu resolvesse ir até Finesterre), toda essa distância não me deixava preocupada. Aprendi que a vida é mesmo esse um passo depois do outro.

Fui bem consciente de que com o passar dos dias meu corpo se sentiria ainda mais habituado a caminhar, caminhar e caminhar.

“É lá pelo décimo dia que seu corpo entra num estado de aceitação e tudo fica melhor”, um amigo me falou antes mesmo da minha partida.

Acontece que exatamente no décimo dia, uma dor terrível se instalou na minha perna. Talvez por causa da mochila pesada demais, talvez por causa da noite mal dormida… não sei o que houve. Mas de um minuto para o outro eu perdi o movimento de uma das pernas. Dor, dor, dor. Comecei a andar quase me arrastando.

Meu plano ainda era caminhar mais 12km aquele dia. O que se tornou impossível. Completei os 2km que me distanciavam do próximo lugarejo com muita dificuldade, andando muito lentamente, até que finalmente cheguei.

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A REAÇÃO DO OUTRO E O LIMITE DE FAZER O MEU MELHOR: sobre estarmos determinados a levar nossa luz

Paula Quintão | 15 de novembro de 2015

A sabedoria tolteca trouxe para minha vida dois princípios básicos, duas linhas guias que todos os dias estão na minha mente limpando e curando padrões de pensamento e crenças. Uma delas é não levar nada para o pessoal. Eu exercito, dia após dia, o entendimento de que a reação do outro é a reação do outro, e que ela é parte da história do outro e não da minha história. Meu exercício é entender que o outro pode me aprovar ou me reprovar não por causa do meu comportamento em si, não por causa do que sou, não por causa do que faço, mas por causa da história que o outro carregou até aquele momento de sua vida.  Uma mesma ação minha pode causar aprovação ou reprovação, nunca vou conseguir controlar como o outro se sente.

A outra sabedoria tolteca é a de fazer o meu melhor sempre. Sou paciente com meus limites, mas estou sempre a fazer meu melhor e dessa forma eu posso olhar para trás sem arrependimentos, sem peso, sem culpa. Eu fiz o meu melhor naquele momento. Fui até os limites do que pude.

E na última semana o curso de mergulho me trouxe lições muito valiosas e lindas, de encher os olhos d’agua, de vivência plena desses dois ensinamentos tolteca.

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VIDA FINITA, EU TE HONRO. Sobre dias de aniversário, arco-íris, águas e encantamento

Paula Quintão | 8 de novembro de 2015

Escolhi uma paisagem para meu dia de aniversário. E hoje eu olho o mar. Não da praia, mas da embarcação, de onde, daqui a alguns minutos, me lançarei nas águas para terminar meu treinamento de mergulhos.

Há quase um mês, sentada nas margens do Rio Iso, um dia antes de chegar a Santiago de Compostela, um verdadeiro anjo se sentou ao meu lado e começamos a conversar. Naquele momento eu não sabia que ele era um grande anjo na minha vida, mas 24 horas depois eu saberia. Ele de Portugal, da cidade do Porto, ganhou toda a minha atenção quando negou o chocolate que eu ofereci dizendo que estava a caminhar sem comer doces, sem se intoxicar com açúcar, álcool, internet, músicas ou cigarro. “Estou limpo”. Ele falou as palavras que eu adoraria dizer naquele momento, as palavras que eu quero dizer nessa vida. “Estou limpa de tudo que é tóxico para mim… pensamentos, emoções, sentimentos, reações, escolhas, alimentações”. É o que estou a buscar e viver como posso dia após dia: limpezas profundas.

Aquela conversa mágica me deu forças para caminhar os 40km que me levaram a Santiago no dia seguinte. 40km que eu nunca havia caminhado antes, uma distância inconcebível considerando-se o meu histórico de 35 dias de caminhada. E entre tantas profundidades que conversamos às margens do rio, fiquei com muitas palavras do Tomás percorrendo a minha mente tais como luzes e uma delas foi “faça um curso de mergulho, Paula, você vai ganhar um novo mundo”.

E aqui estou eu. Vendo o mar balançar e me esperar com meu colete, com meu cilindro, com minha máscara e minhas nadadeiras.

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O ESPÍRITO SELVAGEM EM NÓS

Paula Quintão | 3 de novembro de 2015


Há alguns anos, sentada atrás da minha mesa de trabalho, eu sonhava com os dias de férias para poder estar na montanha, fazendo minhas trilhas, carregando minha mochila, vendo minha bota se encher de lama de propósito.

Era bom sonhar com esses dias e era bom partilhar sobre como foram os caminhos, as aventuras, as idas ao banheiro no meio do mato, as descobertas de um mundo novo para mim. Eu amava contar as histórias para meus companheiros de trabalho porque ao contar eu me sentia menos presa, me sentia viajando pelas lembranças.

A vida das trilhas e das montanhas era a vida que eu queria viver na cidade. Não com os pés de lama, nem com o banheiro no mato, mas com a liberdade que lá havia, com a simplicidade que bastava, com a libertação do tempo, com o amor querido entre as pessoas, com as mãos estendidas todo o tempo. Eu sabia que era possível, só não sabia como. Vivia meus dias buscando um modo, quase obsessivo, de fazer minha vida urbana se aproximar mais da vida das trilhas e montanhas.

Ganhei um apelido por um amigo de trabalho, Heitor Filho.

“Paula, você tem doçura e bravura ao mesmo tempo. Da mesma forma que é frágil e toda delicada, é de uma força enorme. Eu sei um apelido para você… Espírito Selvagem”.

E eu me encantei.

Ele me enxergou profundamente. Enxergou com clareza o que eu queria, o que eu sentia, e hoje, anos depois, vendo que consegui transformar minha vida para que ela fosse uma extensão do que vivo nas trilhas e nas montanhas, não posso agradecer de outro jeito o apelido que ganhei. Transformei meu apelido em título do meu primeiro curso só para mulheres, um curso para celebrar nossa força e nossa delicadeza. “Espírito Selvagem: empreendedorismo para mulheres”.

É nosso espírito selvagem que nos ajuda a entender que o mundo nos oferece tudo o que precisamos para ir em direção aos nossos sonhos.

É nosso espírito selvagem que nos permite viver nossos sonhos por inteiro, sermos inquietas por dentro quando percebemos que algo precisa ser transformado.

É nosso espírito selvagem que nos faz amar o momento presente e celebrar a história que nos trouxe até aqui, perceber o que se ilumina em nosso caminho e ir nessa direção.

É nosso espírito selvagem que nos ensina a ouvir a voz que chama e atender.

O Espírito Selvagem que está dentro de todas nós mulheres.

Agradeço ao Heitor pelo apelido e mais tarde pela bonequinha de massa que ele fez pra mim. Uma Paula em miniatura carregando uma mochila com os dizeres “Espírito Selvagem” eternizados nela. Depois vou colocar a foto para vocês.

Hoje, diante do lançamento do meu novo curso Espírito Selvagem, sei que multiplicar a percepção desse espírito mágico que está dentro de todas nós mulheres, que queremos mais da vida, que esperamos mais da existência, que vamos empreender com confiança as nossas jornadas, que vamos transformar o que precisa ser transformado, que vamos sonhar e tornar realidade… é uma alegria e uma festa.

Faz parte do Espírito Selvagem trazer para perto de si a sua alcatéia, seu grupo de lobas. Vamos juntas. Por isso, vamos juntas. Amanhã, dia 04 de novembro, é o último dia para a inscrição no curso. Aqui você encontra mais detalhes.

Grande abraço, Paula Quintão.

 

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O CAMINHO DO OUTRO É O CAMINHO DO OUTRO: sobre julgamentos e sobre libertar a nós mesmos

Paula Quintão | 25 de outubro de 2015

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Para Ana Clara, minha amiga-anjo

 

Estava há mais de 30 dias andando. Caminhava algo como 20 km por dia. Alguns dias menos, 7km. Outros dias mais, 28km. Santiago cada vez mais próxima, mas posso dizer que há dias que eu me esquecia que estava indo a Santiago. Simplesmente arrumava minhas coisas e caminhava, caminhava, caminhava.

Aquela poderia ser uma manhã como outra qualquer: 6h, ainda noite, os peregrinos começam a arrumar suas mochilas no albergue (mesmo sendo noite). 6h30 alguém não resiste e acende a luz. 7h todos já se foram. Menos eu. Ajeitava tudo até às 8h, que era quando começava a amanhecer. E meu dia estava a seguiu mais ou menos esse script.

Mas então, algo novo. Um ônibus parou e desceram muitas, muitas, muitas e muitas pessoas. Depois pararam como mais 5 ônibus, e desceram muitas, muitas, muitas pessoas. Elas tinham algo em comum: todas usavam um lenço amarelo no pescoço e não tinham mochila. Por estarem sem mochila, andavam muito rápido.  E por terem chegado naquele momento, estavam muito animadas tirando fotos e falando entre elas – em alemão.

Era uma excursão. Logo um e outro peregrino que eu já conhecia dos dias anteriores vinha trazendo um comentário, cada um de um jeito:

“São alemães, saíram todos de um ônibus”.

“São alemães, devem ser como mil”.

“São alemães, vão agora caminhar todos os dias até Santiago”.

“São alemães, um bando de turistas”

“São alemães, vieram em um grupo de 400 pessoas”.

“São alemães, e não vai sobrar lugar para a gente dormir no próximo povoado”.

 

O frisson foi geral entre os peregrinos que estavam a caminhar a mais dias, como se aquela chegada fosse uma verdadeira injustiça. “Como assim esses alemães chegam agora aos 45 do segundo tempo e pensam que são peregrinos?” Há um apelido pejorativo para esse tipo de peregrino: “turisgrino”.

Realmente o grupo dos alemães marcava presença.

Eles lotaram o caminho.

Os bares e restaurantes que geralmente ficam vazios estavam parecendo praça de alimentação do shopping.

 

Comecei a perceber que eu estava realmente irritada com todo o barulho ao redor, com as cantorias, com as pessoas que paravam bem na minha frente para tirar fotos… Quando me dei conta da minha irritação, percebi que tinha minhas duas escolhas: poderia me irritar muito com todos os barulhos, risos, conversas, lotações máximas do caminho ou poderia usar todos os dias de aprendizado para lidar com aquela situação com neutralidade. “Deve ser um teste para eu aplicar o que tantos dias de caminhada têm me ensinado”.

 

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QUANDO A PAULA SORRI E DIZ “OBRIGADA POR TUDO, MANAUS”

Paula Quintão | 7 de agosto de 2015

Quando meu avião pousou pela primeira vez em Manaus, em abril de 2009, eu mal podia caber dentro de mim. Ver do céu aquela imensidão de árvores e rios foi como descobrir um outro planeta habitável onde eu poderia viver meus dias. E assim Manaus me deu “boas vindas” e eu guardei com amor aquele momento.

E foi com uma intensidade imensa que eu quis me mudar para Manaus. Vendi tudo a preço de banana em Minas e me mudei de mala e cuia para a terra do sol. Dias de desafio, dias de aprendizado.

Quanta expectativa havia nesse meu coração… muita!

De braços abertos a cidade me recebeu, acolheu, ensinou, banhou em suas águas e serenou entre suas árvores.

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CARTA A UMA VIAJANTE EM BUSCA. Sobre a felicidade.

Paula Quintão | 28 de julho de 2015

Na parede do quarto dos meus pais há um quadro, um impresso que ganharam de uma gráfica e emolduraram. Mais parece um porta retrato grande que transformaram em quadro.

A imagem de Jesus em preto e branco não é das mais bonitas e pode meter medo numa criança, mas não me lembro daquele quadro estar lá quando eu era criança.

Num dia desses, há muito e muito tempo, simplesmente apareceu. Ninguém nunca falou sobre o quadro, era como uma entidade dessas com vida própria que pousa na parede e fica.

Era ir ao quarto dos meus pais e lá estava ele: fundo branco com os dizeres em preto. O texto tinha umas 20 linhas… mas em minha memória ainda me salta aos olhos a última frase que dizia “pelo amor de Deus, seja feliz”.

E hoje li, num desses e-mails carinhosos, que é dia internacional da felicidade (dia 20 de março, o dia que esse texto foi escrito). Lembrei do quadro. E senti que precisava escrever essa carta. As palavras não cabiam dentro de mim, precisavam voar, bater suas asas coloridas e pousar nesse texto. Palavras merecem essa liberdade de ir e vir…

Ah, a felicidade… Tenho atraso de nascença, como aquele sofrido pelo Manoel de Barros, quando me coloco a pensar sobre a felicidade.

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PIRACANGA NOS ENSINA A VER

Paula Quintão | 9 de julho de 2015

Há três anos uma grande amiga que as trilhas do Monte Roraima trouxe para minha vida me escreveu um e-mail para contar que tinha conhecido Piracanga. Em poucas linhas descreveu a magia do lugar e se despediu com uma ordem muito simples “você TEM que ir lá, vai escrever outro livro”.

Acreditei na Flávia na mesma hora e desejei, a partir daquele instante, que os ventos me levassem a Piracanga. E ao longo dos últimos três anos, entre idas e vindas, aquele pontinho no mapa, ao sul da Bahia, banhado pelo mar e entrecortado pelo rio, ficou no meu horizonte, esperando, pacientemente, o momento de se tornar realidade.

Pois o momento chegou. Junho de 2015. Marquei no calendário, entrei no site dezenas e dezenas de vezes conferindo a programação, reservei orçamento, ajeitei passagem e me liberei por 12 dias dos meus movimentos para ir ao retiro de leitura de aura.

“Piracanga tem rio, tem mar, tem floresta”, era o que eu repetia para mim mesma e para quem me perguntava onde eu estava indo. Minha única expectativa era estar em Piracanga, nada mais, só estar… o que quer que estivesse reservado para esses dias se revelaria.

 

E assim eu fui. E ao chegar a Piracanga, tudo o que eu dizia era… “estou impressionada”, porque não havia palavras ou frases longas para sintetizar o que eu vivia naquela ecovila de simplicidade única.

A dimensão de beleza de tudo o que se passa naquelas terras e águas nos toca profundamente e nos faz olhar para vida enxergando outras cores, outros sons, outros brilhos.

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