A consciência vem da religião? Por Paula Quintão
Será que é a religião que garante sua boa conduta? Podemos pensar que por estarmos conectados a uma religião ela vai garantir a boa conduta. Apesar da religião insistir em apontar para as virtudes, boas ações só podem nascer da consciência amadurecida. A religião pode trazer imagens que têm como objetivo criar mais consciência, a religião pode trazer exemplos para serem imitados. Mas a vida é viva. E as imagens e imitações não acompanham a riqueza das cenas a que somos submetidos. Na riqueza das cenas, o escopo de regras religiosas fica empobrecido. Somente pela ação concreta e a contemplação das consequências é que podemos ganhar consciência. Agir por consciência é diferente de agir por imitação. A consciência se ganha graças a experiência comparada com conhecimento externo, a consciência se desenvolve graças ao conhecimento aplicado. É como a criança que vê os exemplos dos pais e vai moldar sua conduta sintetizando imitação e experiência. A ação pela imitação é frágil e dificilmente se sustenta no escuro, a sós, onde nenhum olho pode testemunhar suas falhas. A ação pela consciência se sustenta aqui ou ali, no claro ou no escuro, de dia ou de noite, diante dos olhos dos outros ou a sós. Uma vez que a consciência se instalou, esses olhos que sabem (sabiamente como um observador onipresente) nos olham todo o tempo e não há, graças a Deus, como escapar deles. A grande inteligência divina a tudo habita, e habita não de fora para dentro (como quer parecer dizer a religião e a comunidade religiosa), mas de dentro para fora.