Curitiba, 23 de agosto de 2026
Olá, meus caros e caras, bom domingo. Essa semana fui ao cinema assistir a Odisseia, quero comentar sobre uma cena (não darei spoiler grave). Fato é que depois de tanto lutar, de tanto remar contra o mar, contra o próprio cansaço, contra as culpas do caminho, o herói precisa adicionar uma postura para seguir em frente. Uma postura de rendição.
Ele então não tem mais um barco imponente, mas sim uma frágil prancha de madeira, entregue ao mar aberto. E nesse relaxamento profundo de dentro para fora, que a travessia volta a fluir. Quantas vezes é assim conosco também? Lutamos, lutamos, lutamos e a coisa só se resolve quando soltamos.
Vivemos tempos que tratam a tensão como se fosse o normal. Todo mundo ansioso, todo mundo equilibrando pratos, como se dependesse só de nós manter o mundo de pé. Mas o nosso ser não foi feito para essa contração constante: ela mexe com o sono, com a imunidade, com o estômago, com o jeito de responder a quem amamos, e nos empurra para aqueles “relaxamentos” que não relaxam de verdade.
O convite que nos faço é revisar a nossa própria jornada com os olhos de quem se interessa pelo próximo passo. Um próximo passo, que muitas vezes, começa por uma rendição. É deitar sobre a pranchinha de madeira e confiar que existe uma condução maior nos levando adiante.

