A Espada e a Balança

Assunción, Paraguay, 05 de julho de 2026

Há uma ideia no inconsciente coletivo de que estaríamos nessa vida basicamente para sofrer. E os mais atentos já perceberam que essa é uma leitura bem rasa da realidade. Vamos clarear. Estamos aqui para experienciar a luz e a sombra, o bem e o mal, e é experienciando essas duas pontas que aprendemos a diferenciar uma coisa da outra. Separar o joio do trigo, como diz a expressão bíblica, é um trabalho de balança.

Hoje quero nos levar a essas duas imagens: a da balança que pesa e pondera, e a da espada que decide e define. Destaque para essa parte: definir, depois de pesar, é um trabalho de espada.

Essa semana comecei um novo caderno, o anterior terminou.

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Toda vez que sentimos dor, é como se uma espada tivesse nos atingido. Pode ter sido uma escolha nossa ou uma escolha de outra pessoa, mas o que importa entender é que a dor nasce de escolha que antecedeu o que causou a dor.

Um equívoco pode ser compreender que toda escolha gera dor, e por isso seria mais seguro não escolher nada, ficar parado, evitar decidir. Essa dedução é falsa. A dor nasce das escolhas que levam ao sofrimento, não das escolhas em si. E é exatamente por isso que aprender a escolher com sabedoria muda o resultado de tudo. Quanto mais sabedoria temos, melhores são as escolhas, porque ampliamos nossa capacidade de discernir. A balança pondera, e quanto mais afinada ela estiver, mais cirúrgico é o corte da espada que vem depois.

Mas existe uma segunda camada nessa história, que é o que fazemos depois que a dor já está instalada. Porque um lugar ferido, um lugar que dói, tem o poder de nos fazer perder energia ou de nos fazer receber luz. E isso não depende mais da escolha que gerou a dor, e sim da postura que assumimos diante dela. Quem se coloca como vítima perde luz. Quem se coloca como responsável recebe luz. A mesma ferida, dependendo de como a habitamos, pode nos esvaziar ou pode virar passagem.

Eu venho pensando muito nisso essa semana, e é uma reflexão que também vai atravessar o vídeo que irá ao canal essa semana. Porque talvez a pergunta mais honesta que a gente possa se fazer diante de uma dor não seja “por que isso aconteceu comigo”, mas “que postura eu vou escolher a partir daqui”. E se toda dor vivida fosse, na verdade, um portal para a passagem da luz?

A aprofundar.

Receba meu grande abraço e uma ótima semana para nós,


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Texto de Domingo

A carta semanal de Paula Quintão, notas do seu passo a passo, sabedorias coletadas em seu email.