Buenos Aires, 27 de julho de 2026
Cheguei a Buenos Aires num sábado e passei a tarde inteira pensando em sonhos. Esse ano junto ao Clube dos Impulsionadores tenho me debruçado muito especialmente sobre os sonhos pois entendo que eles são uma força motriz muito importante para nos movimentar ao próximo passo. O sonho é um convite que o amanhã nos faz.
No domingo, dia de sol, atravessei a cidade caminhando e cheguei ao Obelisco. Lindo. É também o marco da cidade de Buenos Aires para a celebração do sucesso da Argentina nos esportes - logicamente havia um imenso outdoor do Messi bem ao lado.
O Obelisco simboliza o eixo que conecta o céu e a terra, essa coluna que aponta para o Alto e ao mesmo tempo se finca no chão. Foi ali, exatamente ali, que vivi a cena que hoje quero compartilhar no Notas do Passo a Passo e que convido para que você se coloque no meu lugar e receba também a pergunta que virá.
Ao redor do Obelisco havia muitas pessoas. Estava bem movimento. Tirei umas fotos e fui me movimentando para seguir caminhada. Foi quando uma mulher veio na minha direção e me abordou. Sou cuidadosa com essas abordagens e já fui logo no “gracias, gracias” e me despedindo. Ela disse que não iria me vender nada, estava sorrindo e sendo muito gentil, disse que só queria me fazer uma pergunta, se eu pudesse responder. Eu fiz que sim depois de olhar ao redor e ver que eu estava segura para ter aquela conversa.
E então ela me fez uma única pergunta: qual é o seu sonho? Na mesma hora eu sorri por dentro pensando: não pode ser, que incrível! Por pura magia, eu já estava com a resposta pronta, aprumada dentro de mim. E pronunciá-la em voz alta foi o ponto alto.
Quando devolvi a pergunta, ela me disse: “o meu sonho é ter coragem e é por isso que vim te perguntar, para já começar a exercitar”. Claro que eu perguntei o nome dela para fazer o estudo da guematria. Saí dali sabendo que a vida tinha me dado um recado. Voltando para casa caminhando havia muito mais que eu gostaria de dizer para aquela mulher e dedico a ela os versos do Guimarães Rosa: “o correr da vida embrulha tudo, a vida é assim, esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta, o que ela quer da gente é coragem.”
O sonho não quer controlar o algo, o sonho quer viver um caminho. Ele mira em algo lá na frente, um “lá na frente” que pode ser bem aqui, tal como aquela mulher que buscava coragem já estava a exercitando. A ausência de sonho é aquela voz que diz “deixa eu ficar aqui mesmo”, às vezes por medo, às vezes para não viver a frustração ou a ansiedade de percorrer a distância até ele. Mas repare no que ela fez em frente ao obelisco: colocou a coragem como sonho e já a exercitou ali, no aqui, no agora. Simplesmente divino.
Receba meu grande abraço de boa semana,
Episódio de hoje tratando com mais detalhes sobre esse tema





