As bolsas cheias e as ferramentas

As bolsas cheias e as ferramentas, por Paula Quintão

Veio um senhor fazer manutenção da luz no apartamento airbnb em que estou. João. Ele chegou com sua bolsa de mão onde estavam suas ferramentas de trabalho. Muito prestativo se apresentou e me pediu orientação do que havia para ser consertado. Eu apontei para o lustre da sala que tinha as seis lâmpadas intermitentes. Ele rapidamente identificou o problema. Me pediu licença e foi na rua comprar o que precisava. Voltou. Resolveu. Que beleza, luzes acesas. Já queria saber o que mais tinha para ser resolvido. Eu mostrei o box do banheiro. A porta raspando no chão. “Isso pode quebrar o box, que bom que percebeu e avisou”. Nisso abriu sua bolsa de ferramentas. Tinha de tudo lá dentro. Parafusos. Chaves de fenda. Ferramentas de todos os tipos. Ele revirava os itens e entre eles achou uma chave. Testou e ainda não era ela. Vasculhou mais um pouco e encontrou. “Tem de tudo aí dentro”, eu disse acompanhando a saga. “È, mas às vezes eu viro essa bolsa de cabeça pra baixo, esvazio por inteiro, e tudo que não é útil eu jogo fora”.

Ele me contou boas outras sabedorias, mas pra hoje eu quero nos trazer a bolsa de ferramentas e a sabedoria de vez ou outra lembrarmos de virá-la de ponta cabeça e esvaziar os guardados.

Pelo caminho vamos juntando muitas peças, não só as físicas, também emocionais, falas que foram ditas, chateações que foram vividas, perdas, vamos juntando coisas de todas as formas e materiais, mas chega um momento que é preciso fazer a limpa. Ficamos com o que é útil, jogamos o que já não serve fora, damos uma boa lavada na bolsa de ferramentas, enchemos de volta com o que importa, e voltamos a seguir adiante.

A implantar.

Texto de Domingo

A carta semanal de Paula Quintão, notas do seu passo a passo, sabedorias coletadas em seu email.