Capacidade de Imaginar… por Paula Quintão
Quando crianças, uma brincadeira nos mantinha entretidos por longas horas. Eu e minha irmã costumávamos brincar de casa da Barbie. Nunca tivemos a casa própria da Barbie, mas fazíamos da cama uma grande casa em que os livros da estante do meu pai e as peças de decoração da minha mãe compunham os móveis. Nem Barbie tínhamos direito, misturavam-se bonecas da Susi e Angélica hahahah.
A imaginação nos levava uma intensa criação de cenas. Narrávamos histórias longas que mais se pareciam uma mistura animada de novelas globais e filmes de sessão da tarde. Eu e minha irmã criávamos muitas brincadeiras juntas.
Imaginar…
Adultos somos o ator governante de nossas vidas e as cenas não deixam de ser oportunidades imaginativas. Sonhar com o que queremos dos nossos negócios. Sonhar com o que faremos na noite de ano novo. Sonhar com as viagens que ainda nos importam. Sonhar com os caminhos que ainda queremos percorrer. Sonhar com o futuro dos nossos filhos.
A imaginação é peça que incrementa.
Mas às vezes me pego suspeitando que a parte mais acomodada capturou a imaginação num quarto fechado e disse para ela “isso pode e isso não pode”, e não sei por que cargas d’água a imaginação aceitou passiva. Pior ainda quando a imaginação passou dos filmes de ação e romance para os filmes de terror e suspense. Ao invés da vida ser divertida, torna-se tensa.
Sem a boa imaginação perdemos poder criativo e fecundo. Sem imaginação perdemos o adubo dos solos de nossas vidas.
De hoje, abro as janelas e permito que a luz visite o quarto, a sala, entre pelo corpo, invada a fábrica inventiva de ideias e desperto o Mago habitante do meu ser.
Prontos para brincar de criar. Sonhar. Realizar.

