Me Ocupo do Que me Cabe do Meu Lugar

Fui na Hering há uns dias e distraidíssima comprei uma dessas blusinhas que só na Hering tem, uma vermelha e outra verde. Não pode, Paula. No meio dessa “guerra civil ideológica”, expressão que usou minha amiga Thais de Alcântara, não dá pra se sair por aí inocentemente com alguma cor sem que ela signifique uma bandeira. E daí a pressão por “posicione-se!” ou os comentários do nada sobre “você é isso? não acredito!!”. Há um ano gravei um episódio de podcast sobre essa pressão por se posicionar. É muito crítico esse cenário em que você precisa porque precisa saber da posição de um ou de outro para sair daí com sua máquina etiquetadora de vermelho ou de verde pra definir o mundo conforme esses dois lados. Limitadora. Não sou especialista política para a minha opinião ser parâmetro para voto de alguém. Por que você pediria alguém pra se posicionar a não ser para julgá-la com suas etiquetas ou para usar a posição para ajudar na sua decisão? Não participarei com um posicionamento porque me recolho em minha incapacidade de leitura do cenário político – que venhamos e convenhamos é um cenário mundial e de difícil leitura, são raros os que sabem ler e raros os que podem realmente influenciar algo. É claro que do meu lugar entre os candidatos postos, eu escolho a um e não ao outro por razões que para mim fazem senso e parecem boas o suficiente. Mas eu saber da minha escolha não me coloca na posição de segurar uma bandeira e sair por aí analisando política como uma entendida que não sou. Portanto, me ocupo não com a bandeira, me ocupo do que me cabe do meu lugar, meu serviço, meu trabalho, minha família, meus estudos, minha cruz que é só minha. Ser coletivo é fazer bem feita nossa parcela individual. Será assim hoje, será assim sempre.
Paula Quintão em 19 de outubro de 2022.
No episódio n.248 da Sessão de Enroscos tratei sobre o tema, há um ano.

Texto de Domingo

A carta semanal de Paula Quintão, notas do seu passo a passo, sabedorias coletadas em seu email.