Mesmo que eu quisesse, as fotos nunca seriam capazes de revelar a dimensão do que vivemos nesses dias. As fotos podem facilmente contar histórias diferentes daquelas vividas, e não é desse assunto que estou falando. Falo sobre as fotos quando, mesmo havendo uma narrativa que diga com o máximo de detalhes o que se passou, as fotos e recortes não conseguem dar dimensão. Recortes não representam o que vivemos. Recortes servem para trazer símbolos do que foi vivido, tanto aqueles que guardamos pra nós como os que compartilhamos.
Aqui está um momento chave das Travessias: “a chegada”. Podemos sair de um ponto já querendo chegar em nosso destino. Estamos mesmo seguindo na direção do destino, mas “querer chegar” ao invés de estar com os pés no aqui e agora nos cansa mais, nos distrai mais, nos irrita mais, nos desgata mais e nos distancia do único instante que há: o agora. “Querer chegar” em uma travessia precisa estar no seu horizonte mas não deve estar todo o tempo em seu pensamento.

Texto de Domingo

A carta semanal de Paula Quintão, notas do seu passo a passo, sabedorias coletadas em seu email.