Estou muito saudosa do Caminho de Santiago esses dias. Está para completar um ano que cheguei, em 11 de outubro, a Santiago de Compostela e, em 12 de outubro, a Finesterre, celebrando oficialmente o final da minha jornada de peregrinação.
Coração emocionado por todas essas experiências de despertar.
E hoje, escrevendo esse texto lado a lado com a revisão do meu livro sobre o Caminho, um aprendizado muito rico que vivi por esses caminhos me veio muito fortemente. Isso porque no último sábado, aqui pelas bandas de Minas Gerais, tive a alegria de experimentar novamente essa mesma percepção e lição de vida. A lição de que o amor sentindo e revelado transforma todo um ambiente, qualquer que seja ele.
Ainda a caminho de Santiago, estive num dos mais lindos e acolhedores albergues. O Albergue Verde. Por lá, eu já sabia, serviam comida vegetariana e a amiga que me orientou para o Caminho tinha deixado comigo uma pequena lembrança que “se fosse possível”, ela insistia em reforçar, eu passaria por lá para entregar.
E assim foi feito. Consegui organizar de forma a estar no Albergue Verde e entregar a lembrança da Jana.
Por ali, uma mágica acontecia. Havia muito cuidado e atenção, havia muito afeto depositado. Era fácil perceber que o lugar era todo cuidado para acolher. O jantar foi servido, desceram com a mesa para o quintal. Em clima de festa, os guardiões daquele espaço começaram a tocar no violão canções sobre a beleza da comida, sobre o amor de servir. E aquilo foi lindo. Havia muito amor narrado.
O amor pelo preparo. O amor pelo receber. O amor pelo acolher. O amor pelo servir.
Encontrei outros albergues que tinham comida vegetariana. Outros que tinham também prazer e alegria em receber, em acolher, em servir. Mas tudo se transformava intensamente quando esse amor presente era anunciado. Era como potencializar a percepção e a manifestação do próprio amor.
E mais tarde eu entendi que era essa a grande chave da virada que fechava lindamente a equação: amor sentido + amor narrado = mágica.
Essa lição eu já carregava no meu coração há mais de um ano e para minha alegria e puro encantamento, no último sábado, 01 de outubro, pude em Belo Horizonte ver essa equação de magia se revelar bem diante dos meus olhos uma vez mais.
Alinne Ferreira e Andrea Aguiar são almas de luz que encontrei por esses caminhos de entrega da minha mensagem. E organizaram para acontecer em Belo Horizonte o evento ESCAPE, lindo e inspirador, com o objetivo era tratar sobre a vida em sua plenitude, longe dos padrões e das obrigações que nos distanciam da essência que somos.
Tudo o que cuidaram de organizar era com afeto. Ainda pelos idos de meio do ano, me convidaram para palestrar e é claro que eu iria, mudei data de viagem, programei tudo pois meu coração sabia que era para fazer parte. E meu coração estava é muito certo.
Era manhã de sábado. Auditório lotado. Elas fazem a abertura e em clima de afeto, carinho, muito respeito por cada um que estava ali, a coisa começa a acontecer, puro encantamento. Palestrei me sentindo em casa, presente em mim mesma, acolhida pelas palavras de amor que elas sempre estavam a me entregar. Fui a primeira a palestrar e isso foi ótimo porque depois desse momento eu me entreguei a sentir. E como foi maravilhoso sentir tudo o que estava preparado para aquele momento.
Abraços emocionados, poesias lindamente preparadas, aplausos sinceros, risos que vinham da alma, cheirinho de capim santo em todo o ambiente, o japamala budista docemente depositado sobre a mesa, a sanfona que contava histórias, a palestra de cada um com suas partilhas de entrega por inteiro, o carinho dos colaboradores, os sonhos de cada um dos participantes acalentados pelo brilho no olho de quem partilhava, a dança não planejada que emociona, a arruda na porta de entrega que lembrava benção de avó.
Assim a coisa toda aconteceu.
O amor anunciado, o amor narrado, o amor cantado, o amor que muda tudo e faz a mágica da existência acontecer. Bem diante dos meus olhos, a vida em seu estado pleno.
Paula Quintão
09 de outubro de 2016

fotos por Evoé Cultural.





