Lá estava eu no palco do Empreenda 2016, um evento anual sobre empreendedorismo de vida e de negócios organizado pela minha amiga Silvia Pahins em Florianópolis. Fiz a palestra de abertura, que mais tinha tom de conversa do que de aula, é muito bom o diálogo. E foi lindo, foi especial, foi mais do que eu imaginei. Até aí, tudo como meu coração sabia que seria. Estar em contato com pessoas queridas, entregar o que acredito sobre mudança de vida e autoconhecimento, abraçar quem eu só conhecia pela internet.
Acontece que o evento me trouxe algo mágico e inesperado. Aconteceu de outros palestrantes, ao contarem suas histórias tão lindas e que me encanta, em algum momento partilharem sobre eu estar presente na construção dessa história.
“Foi quando vi a Paula Quintão…”
“Um dia ouvi da Paula Quintão…”
“E então surgiu a Paula Quintão…”
Fiquei olhando para aquilo, feliz, é claro, e um tanto emocionada com quanta beleza estava presente naquele retorno. Saber que fazemos parte da construção do outro é algo que em muito nos toca e emociona. E assim eu fiquei: tocada e emocionada.
Voltei para o hotel, deitei na minha cama depois de dois dias cheios de partilhas, olhando para o teto fui percorrendo a história de construção da minha entrega pelo meu negócio até aquele dia… revendo cada pedacinho que a memória fosse capaz de trazer. Revendo os movimentos em Manaus, ainda quando criei o CNPJ, que como diz a Rafaela Cappai, “a Paula Quintão criou o CNPJ sem saber o que faria com ele”, dos movimentos que eu fazia oferecendo meu trabalho de empresa em empresa, de escola em escola, de faculdade em faculdade, do desenvolvimento das partilhas online, dos cursos, dos alunos, de cada ponto de luz que hoje faz parte do meu presente.
Claro que me emocionei ainda mais. Chorei um tanto. Porque é muito bom olhar para trás e ver que a vida é mágica e vai criando providências se estamos nos movimentando.
Ao ouvir daqueles palestrantes que hoje têm um público tão grande, que hoje fazem um trabalho tão admirável, que de alguma forma minha entrega fez parte de suas construções foi de fato ouvir que a única e principal parte que me cabe é entregar o meu melhor, é entregar o que sinto que preciso entregar, é fazer o que sinto de fazer, porque os efeitos e as ramificações dessa entrega sempre serão um mistério para nós. Não vamos ter controle sobre isso. Não vamos conseguir ter dimensão sobre esse efeito que causamos na vida uns dos outros.
Sempre acreditei que somos todos luz uns na vida dos outros. E acontecimentos como esses do Empreenda 2016 me trouxeram ainda mais forte essa clareza. Somos todos luz uns na vida dos outros, e seremos cada vez mais luz se realmente estivermos vibrando nossa verdade, nossa missão, nossa entrega que vem de um lugar muito essencial e real dentro de nós. Ao receber todos esses retornos tenho grandes aprendizados, um de que realmente estou em meu caminho e vibro hoje em minha missão de vida. Outro de que ao nos alinharmos com nosso caminho, com nossa verdade, ao cuidarmos verdadeiramente do que vamos entregar, o universo cuida de todo o resto. E você cuida de entregar. Não porque você quer ser luz na vida do outro. Não porque você quer fazer parte da construção da história do outro. Não porque você quer ser reconhecida. Você entrega porque você simplesmente quer entregar. A entrega pela entrega. A coisa pela coisa.
No fim das contas, a parte que nos cabe é a entrega. A partir daí, confiamos e seguimos. Uns conectados aos outros, bem mais do que desconfia nossa vã filosofia.
Paula Quintão
25 de setembro de 2016

