Eu, o Caminho
por Paula Quintão
Pode parecer que somos nós quem caminhamos pela vida. Sim, caminhamos. Mas também a vida caminha por nós. Somos estrada, somos meio, somos caminho.
Eu, o Caminho. A vida vai passar por dentro. Às vezes por cima. E fazer curva fechada à esquerda trazendo num piscar de olhos, um novo cenário que muda seus planos, que goste você ou não, é o que há para hoje. “É isso”.
Pode ser que depois dessa curva você encontre um banco e algumas flores onde é possível se sentar e chorar um pouco. Mas não muito. Apenas o suficiente. Porque se você chorar demais pode parecer que não quer ser caminho para a vida, e isso não seria bom, nada bom, já que a vida tem sido generosa ao se colocar amorosamente sob seus pés para te dar passagem.
Mesmo assim, se precisar chorar um tanto mais, a vida não há de se afligir com seus olhos inchados nem com sua chateação, ela virá mansa sussurrando em seu ouvido, “apenas viva, apenas viva com todo o seu coração, Paula peregrina. E, o quanto antes possível, levante-se daí, leve com você algumas flores e siga”.
