O DISCURSO DO PROPÓSITO sobre os equívocos de percepção

Eu sei. Dá vontade de romper com o mundo do jeito que ele é e sair por aí fazendo do nosso jeito, no nosso ritmo, com a nossa cara. O discurso do propósito tomou conta de nós e nos deu energia para irmos em direção à construção do mundo como extensão do que somos.

Só que nesse caminho demos um tropeçada, uma bela de uma tropeçada: acreditamos que para viver nosso propósito era preciso criar um mundo do nosso jeito e aí resolvemos sair dos nossos trabalhos, dos nossos relacionamentos, das nossas cidades.

Só que há um engano aí: se temos um propósito, esse propósito conta sobre o que é próprio em nós, ou seja, conta sobre habilidades, dons e talentos que estão comigo onde quer que eu esteja – afinal estão contidos em mim.

A verdade é que em qualquer lugar que eu esteja, seja na fila do banco, no topo da montanha, no caixa do supermercado, debaixo da árvore no parque, ainda sou eu e meu propósito. Ou seja, em qualquer lugar e ambiente, em qualquer trabalho ou instituição, desde hoje e desde sempre, meu propósito tem espaço para se desenvolver e se exercitar.

Sempre! Sempre! Simplesmente porque a vida tem interesse que eu exercite o que é próprio meu. O que varia é o grau de demanda que seu propósito vai receber e o valor que vai agregar, mas fato é: você não sai de um lugar pra ir viver o seu propósito, o que faz é transitar de carreira ou de vida para dar mais espaço para o seu propósito ser vivido, ampliando seu uso, mas não dá pra reclamar que onde você está hoje não é possível viver seu propósito. Já te digo agora mesmo: é sim! Onde quer que você esteja é possível viver seu propósito e desenvolvê-lo.

Coloque-se à serviço, entregue sua grandeza, reconheça a grandeza do outro e dê o seu melhor. O caminho se abre e se for o caso de você viver uma transição ela vai acontecer naturalmente.

Não é preciso brigar com meio mundo pra ter espaço para viver seu propósito, não é preciso rejeitar sua vida e nem a construção que fez, não é necessário romper com suas situações – não por causa do propósito. O propósito é uma liga, um dispositivo que une e não um mecanismo para separar e rejeitar. Durmam e reflitam

Paula Quintão

13 de fevereiro de 2019

Deixe um comentário