Um pouco dos bastidores TEDx

No dia em que cheguei em Maceió para o TEDx, uma das primeiras coisas que tive que fazer assim que as malas ficaram no hotel foi buscar um centro de imagens para tirar um raio x do meu punho, e então recebi a notícia que minha irmã tinha entrado em trabalho de parto e meu sobrinho nasceu com 5 meses de gestação. Foi um susto, uma dor. Ele ficou vivo naquele momento, mas já sabíamos que seriam muito difíceis os próximos dias – e realmente foram bem tristes.

Ao mesmo tempo eu lidava com a dúvida de ter ou não que operar meu punho, por isso o raio x. No meu quarto de hotel recebi a primeira sessão de thetahealing com a Claudia Säkai e junto a ela a Vê Kacinskis me tratava com bodytalk. Era um intensivo para o punho.

E ainda um detalhe a mais sobre o TED. Todos tinham suas falas decoradas e cronometradas por uma coach especial de treinamentos para a apresentação, a Isis Rocha. Eu sabia que aquele esquema não iria funcionar pra mim, eu não consigo falar nada decorado e sequer consigo acompanhar slides que eu mesma preparo. Preciso falar livre, crio na hora.

Mas ver todo aquele movimento de preparativo dos outros palestrantes me fez desconfiar que eu estava sendo irresponsável, que eu não tinha me preparado bem, que eu não tinha cuidado tão bem da minha participação. Na comparação, me senti mal. Preparei então, pelo menos, uns slides, pra ver se ficava parecendo menos improviso. Vendo aqueles outros palestrantes preocupados com suas frases e repassando seus textos, tive dúvidas sobre mim.

E então chegou minha vez. A Isis me chamou. Colocaram meu microfone. A Malu Fuchshuber tinha me enviado uma mensagem. “Vai e toca a sua música”. Eu só me lembrava dela enquanto subia a escada e próximo ao último degrau eu pedi à moça que me acompanhava. “Pode por favor cancelar meus slides? Eu não quero falar com slides. Eu não funciono assim”. Foi um alívio. Respirei fundo. Agora sim. Sem slides, sem achar que eu precisava de textos decorados. Coração aberto para sentir na hora o que precisava ser sentido. E eu estava inteira. Emocionada. Feliz. Presente. E pronta (pela vida) para criar naquele momento a partilha que eu intencionei fazer no TEDx.

Por causa das luzes eu não podia ver o rosto das pessoas que estavam ali na plateia e naquela semana de todos os lugares vinham os textos, os comentários, os artigos publicados sobre minha partilha no TEDx que eram os retornos que na hora não pude ler nos olhos de quem me ouvia. Cada um mais lindo que o outro. Cada um mais emocionante que o outro. Um deles me apresentou como “a fala mais memorável”. E eu sorria para mim mesma a cada feedback que eu recebia. “É isso, Paula, seja você. Seja você, querida, simplesmente seja você”.

Hoje, dia de Yemanjá, ela e suas águas e fluxos, pude entregar em minhas redes a gravação liberada pela equipe TED Talks. E foi maravilhoso me rever vivendo por inteiro esse momento, confiando nas águas que moram em mim, confiando em seguir o rio que me leva ao oceano.

Paula Quintão
02. 02. 2018

Autor

Paula Quintão segue a desvendar os mundos internos e externos. É escritora & mentora de escritores, transição de vida e negócios digitais. Doutora em Sustentabilidade, montanhista, paraquedista e mergulhadora. Mãe da Clara. Criadora da Escola de Rumos, do Portal Coragem Para Empreender e da Editora Suban a Los Techos, autora do livro Para Sempre Um Novo EU (2012) e O Caminho Que As Estrelas Me Viram Cruzar (2017). Escreve semanalmente dentro das temáticas autoconhecimento, escrita, transformação de vida e empreendedorismo em paulaquintao.com.br