Existe algo que aprendi. Uma sabedoria maior que a sabedoria que eu tinha.

E quando há uma sabedoria maior, é sábio também que a gente abandone o que acreditava antes.

É assim que as coisas avançam no mundo de dentro. E no mundo de fora.

E esse algo tem a ver com os modos de se aprender.

Pode se aprender pelo amor ou pela dor. Dois caminhos. Mesmo objetivo: ampliar a consciência, ampliar o poder da vida.

Quanto mais consciente estamos, mais em contato com nossa real natureza e real poder.

Pela dor já se sabe como aprendemos. Dói no corpo, dói na alma. E aí nada mais pode ser cuidado a não ser a própria dor. A dor se sobressai a tudo. É preciso olhar. Ela chama atenção. Ela tira as distrações. Pode ser uma dor física. Pode ser uma dor da alma. Não interessa, tudo o que a dor pede é “pare, por favor, e olhe. E sinta. E perceba. E compreenda.”.

Ao compreender a fala da dor, um aprendizado se desprende dela. E uma vez integrando esse aprendizado, é possível ampliar sua consciência, ampliar o poder da vida.

Você também pode tentar umas outras anestesias para a dor. Não adianta. A dor é como água que escorre, é como o amor… “passa por debaixo da porta”, bem diz meu amigo Silas. E você é livre para escolher o seu tempo de aprender. A vida te libera a escolha, mas não te libera da vida: é preciso ampliar a consciência, nascer da noite para o dia, da barriga de nossa mãe para o mundo. E como canta o Arnaldo Antunes, “é preciso não ter cabimento para crescer”. Só crescemos ampliando a visão.

Mas há também outro modo de aprender. Um modo que muito me interessa. Aprender pelo amor.

O amor se apresenta de maneira mais sutil. Mais invisível. O amor é aquela brisa que venta de leve no nosso rosto. Quase imperceptível, quase ignorável.

Dá para ignorar uma brisa. Mas não dá para ignorar um atropelamento. Pelo amor o aprendizado vem em símbolos, vem macio. Pela dor o aprendizado vem assim, como um caminhão que nos acerta na calçada.

O amor se comunica em símbolos. E dentro da dinâmica da ampliação da consciência, não existe evento pequeno ou evento grande. Não existe grandes feitos e insignificâncias. Sábio era o Manoel de Barros que prezava mais insetos que aviões. Ele aprendia bem pelo amor. O amor se comunica pelos símbolos. E o simbólico se repete aqui numa conversa com o seu amigo, ali na padaria do bairro, ali no seu relacionamento amoroso. O simbólico se repete na sua dificuldade de empreender, nas situações que você passa no trânsito. O mesmo símbolo. Sutil e macio. Leve e como brisa. Buscando revelar algum aprendizado que você pode ignorar… até um dia, adivinha?!, se transforma em dor.

A dor é todo o amor que se acumulou pedindo “por favor, será que você poderia parar um instante e olhar para mim agora?”.

Eu valorizo os símbolos. Isso pode parecer bobagem. Mas pra mim importa receber o que o amor traz de mensagens para que a dor só venha quando realmente for necessária. Há muito tempo eu já não desperdiço nenhuma dor, aprendo e mergulho em todas. E também há muito tempo eu venho me dedicando a aprender a me abrir para as mensagens que o amor traz. Na brisa suave. No vento macio. Nas insignificâncias do dia a dia. Nos símbolos de tudo o que vivo.

Paula Quintão

21 de novembro de 2018

Autor

Paula Quintão segue a desvendar os mundos internos e externos. É escritora & mentora de escritores, transição de vida e negócios digitais. Doutora em Sustentabilidade, montanhista, paraquedista e mergulhadora. Mãe da Clara. Criadora da Escola de Rumos, do Portal Coragem Para Empreender e da Editora Suban a Los Techos, autora do livro Para Sempre Um Novo EU (2012) e O Caminho Que As Estrelas Me Viram Cruzar (2017). Escreve semanalmente dentro das temáticas autoconhecimento, escrita, transformação de vida e empreendedorismo em paulaquintao.com.br