Carregamos ao longo da vida diversos tesouros, coisas que para nós são importantes, coisas sem as quais acreditamos não poder viver. Vamos caminhando e deixando para trás algumas preciosidades que perderam razão de ser, vamos substituindo peças que já não funcionam bem na engrenagem do dia a dia, vamos coletando uma ou outra nova riqueza para nossa mochila. E seguimos.

Seguimos acreditando que ter coisas é ter tudo, que as riquezas que reunimos são nossos bens: nossa casa, nosso carro, nosso salário de todo mês que se transforma em mais riquezas, nossas bugigangas que enchem a casa e que durante uma mudança lotam caixas, o celular moderno, o notebook com mais gigabytes, ou teras, as mil coisas de marca que prometem durar para sempre e que no próximo verão já não têm tanto brilho em nosso guarda-roupa.

Coisas vem e vão, e elas são capazes de nos trazer satisfações das mais diversas. Um lençol novo numa cama mal feita nos esperando no fim do dia. Uma roupa que nos faz sentir mais lindos. Uma mochila mais confortável para carregar os 10kg  até o topo da montanha. Um carro limpinho esperando na porta do trabalho.

Uma mesa de lanche com coisas gostosas para comer. Sim, ter coisas é bom e nos traz prazer. Mas o que faz as coisas serem o que são, não são as coisas em si, são os sentimentos que carregamos no momento em que vivemos as coisas. O carro é só um instrumento que nos leva com mais conforte até nossas casas, mas se moro perto do trabalho pode ser bastante prazeroso caminhar e chegar em casa em menos de 10 minutos.

A mesa pode ser linda, mas se eu estiver preocupada com minha amiga que está doente no hospital, nada do que eu lanchar será bom porque eu sequer vou sentir o gosto do que como. A cama pode estar pronta, mas se a dor da saudade for muita, não há lençol macio que me acolha.

Diz meu amigo Vlad, em uma de suas belas frases escritas num email, “as coisas que temos sempre virão, e nunca ficam, são apenas coisas, portanto, melhor acumular sentimentos”. Sim, sábios daqueles que acumulam sentimentos, porque esses ficam, perduram, nos elevam, nos engrandecem, nos fazem sentir saudades, nos levam para lugares mágicos de lembranças e reinvenções.

Porque as verdadeiras preciosidades não pesam na mochila. Elas são leves e contornadas por nossos sentimentos de amor, paz, carinho, saudade, doçura, ternura, alegria, contentamento, satisfação. A vida pode ser muito feliz com muito pouca coisa, pode ser mais simples. Complicado é compreender que o  mistério da felicidade está dentro de nós e não nas coisas que nos cercam. Essa descoberta é a verdadeira riqueza que carregamos em nossas mochilas.

 

Autor

Paula Quintão segue a desvendar os mundos internos e externos. É escritora & mentora de escritores, transição de vida e negócios digitais. Doutora em Sustentabilidade, montanhista, paraquedista e mergulhadora. Mãe da Clara. Criadora da Escola de Rumos, do Portal Coragem Para Empreender e da Editora Suban a Los Techos, autora do livro Para Sempre Um Novo EU (2012) e O Caminho Que As Estrelas Me Viram Cruzar (2017). Escreve semanalmente dentro das temáticas autoconhecimento, escrita, transformação de vida e empreendedorismo em paulaquintao.com.br