Talvez fosse mesmo necessário adicionar no calendário o dia dos professores. 15 de outubro. Nada mais justo do que homenagear os mestres tão empenhados em nos ensinar dia após dia algum conteúdo nas salas de aula. O mestre vai pra casa, enche suas pastas de assuntos para tratar com seus alunos no tempo da aula, prepara seus materiais para, em tempos multimídia, ser um tanto atrativo para os alunos hiperconectados sentados frente a ele. Professores de carga horária lotada, que trabalham manhã, tarde e noite e ainda em casa preparando suas aulas, corrigindo trabalhos, revisando e lançando notas. Professores que fazem suas greves, reclamam de seus salários, reúnem-se dezenas de vezes e entregam formalmente o que puderam colher ao longo da vida.
Quando penso no ofício de ensinar, na doação do que se sabe ao outro, acho mesmo linda a arte de ser professor. E penso que a data pode ajudar reavivar o espírito da doação dentro desses mestres – coisa difícil de ser feita num dia a dia com contas e mais contas a pagar, contexto no qual a profissão mais vira instrumento de renda do que de um propósito maior, que é o da doação.



Acontece que hoje tenho uma visão mais ampla do que é “ser professor”, enxergo todos nós dentro de uma grande teia em que o simples ato de conviver nos proporciona aprendizados e ensinamentos constantes, numa troca espontânea e necessária de saberes. Não vejo a educação das escolas como a única legítima, por isso não vejo o professor como o único instrumento para o aprendizado e construção de uma sociedade melhor e mais igualitária. Vejo a educação das escolas como uma entre várias educações possíveis. Falamos de saberes, falamos de conhecimentos, falamos de diversas manifestações da sabedoria humana. E saberes, conhecimentos, sabedorias não estão contidos somente na classe dos professores, estão em cada um de nós, estão em nossas bagagens que são todas tão diferentes umas das outras, estão em nossas histórias de vida que quando compartilhadas transformam também a história do outro. Aprendemos com a vida, com as experiências, com a convivência, com os exercícios diários.
Hoje um amigo postou no facebook uma reflexão que dizia que 15 de outubro era dia do ser humano, dia em que nós, mestres de nossas vidas, nos enxergamos como parte de um todo complexo e integrado, totalmente colaborativo, em que nunca estamos sozinho e sempre estamos contribuindo. Somos parte e construímos o todo a partir de nossos conhecimentos, dia após dia. Dizer que 15 de outubro não é dia só do professor e sim do ser humano não é desmerecer esse profissional, e sim extrapolar o profissional. É vivenciar na experiência cotidiana a noção de que temos o tempo inteiro a responsabilidade de depositar na vida do outro os ensinamentos e as lições que a vida depositou em nossa vida, colocando o máximo que pudermos em prática. Brilhante tirar o professor do pedestal (ou da cruz) e nos nivelarmos em um ato de mais cooperação, responsabilidade por nós mesmos, harmonia e construção conjunta do mundo.

 

Autor

Paula Quintão segue a desvendar os mundos internos e externos. É escritora & mentora de escritores, transição de vida e negócios digitais. Doutora em Sustentabilidade, montanhista, paraquedista e mergulhadora. Mãe da Clara. Criadora da Escola de Rumos, do Portal Coragem Para Empreender e da Editora Suban a Los Techos, autora do livro Para Sempre Um Novo EU (2012) e O Caminho Que As Estrelas Me Viram Cruzar (2017). Escreve semanalmente dentro das temáticas autoconhecimento, escrita, transformação de vida e empreendedorismo em paulaquintao.com.br