Como uma das forças mais fortes que move a nossa vida está o MEDO. O medo movimenta a nossa sociedade. Mais até mesmo do que gostaríamos de admitir, o medo permeia as nossas crenças, as nossas ações, as nossas escolhas, o nosso consumo e determina o quão livres somos. E quando nos olhamos a fundo percebemos que nosso caminho vai sendo trilhado não pelo que há de mais essencial em nós, mas principalmente pelos medos que nos cercam, que estão dentro de nós.

Quais são os seus medos? Há medo ao escolhermos uma roupa e os outros acharem esquisita. Há medo ao estacionarmos o carro na rua e para isso pagamos o flanelinha (com medo dele mesmo arranhar nosso carro) e contratamos seguros caríssimos. Há medo ao não contar para a esposa que divide conosco nosso lar e nossa cama que estamos amando outra pessoa.

Há medo ao optar por um produto ecologicamente correto e destruir o mundo, mesmo quando fazemos mil outras coisas que destróem. Há medo ao contratarmos um plano de saúde, medo de ficarmos sem atendimento quando a saúde já não for saúde. Há medo ao seguirmos horários.

 

O medo nos faz agir de um modo e não de outro.  Medo do que os vizinhos vão pensar quando você chegar em casa de madrugada sozinha. Medo de ficar doente. Medo de não fazer certo. Medo de não corresponder. Medo de não conseguir. Medo de se arrepender. Medo de perder. Medo de depois ficar pior que agora. Medo de dar pane. Medo de criticarem você. Medo de assalto. Medo de suas ideias não serem aceitas. Medo de pedir algo e receber um não como resposta. Medo de desagradar. Medo de parecer feio ou estúpido. Medo de não gostarem de você. Medo de falarem mal de você.  Medo de passar vergonha. Medo de sentir-se mal. Medo de escuro. Medo de algo errado acontecer no caminho. Medo do filho seguir por lá e não por aqui. Medo de sentir medo. Medo de não dar conta. Medo de morrer. Medo de ficar doente. Medo de perder o emprego, de não passar no vestibular, de ficar sem dinheiro, de não ter oportunidade, de não corresponder ao que o mercado espera. Medo do futuro. Medo de ficar perdido. Medo do incerto.

O medo nos limita de mil forma e sucumbimos às barreiras. Viramos pássaros presos em gaiolas. E como diz o Rubem Alves, “os homens querem voar, mas temem o vazio. Não podem viver sem certezas. Por isso trocam o voo por gaiolas”. Bem isso mesmo… O medo é um reflexo da nossa impossibilidade de ver o que vem depois e da insegurança que isso gera. O medo é um reflexo da nossa tentativa de domar o mundo em nossos padrões e controles quando na verdade não temos como controlar nada.

 

Autor

Paula Quintão segue a desvendar os mundos internos e externos. É escritora & mentora de escritores, transição de vida e negócios digitais. Doutora em Sustentabilidade, montanhista, paraquedista e mergulhadora. Mãe da Clara. Criadora da Escola de Rumos, do Portal Coragem Para Empreender e da Editora Suban a Los Techos, autora do livro Para Sempre Um Novo EU (2012) e O Caminho Que As Estrelas Me Viram Cruzar (2017). Escreve semanalmente dentro das temáticas autoconhecimento, escrita, transformação de vida e empreendedorismo em paulaquintao.com.br

  • Meu Deus! É ele novamente (Makunaima), me falando através de vc…
    É como diz aquele personagem da Escolinha do Prof. Raimundo – Rolando Lero:
    “captei vossa mensagem, ó inefável guru”… Rsrsrs…
    Agora é fazer do medo um ato de coragem, e lançar-se num voo livre, como os pássaros…
    Por falar em pássaros, desejo um beija-flor prá vc nesta manhã…
    Bjo